sexta-feira, 22 de setembro de 2017

RESPOSTA A QUEM PERGUNTOU SOBRE DEUS - Jogral com estrofes em resposta a "Preguntitas sobre Dios", de Atahualpa Yupanqui

PERGUNTAS SOBRE DEUS (Tradução) / RESPOSTA A QUEM PERGUNTOU SOBRE DEUS
por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Um dia eu perguntei
Vovô onde está Deus?
Meu avô ficou triste
E nada me respondeu.

                    Hoje eu vou responder
                    Ao vovô e a quem perguntou
                    Deus está aonde estou
                    E está além do que eu posso ver

Meu avô morreu nos campos
Sem reza sem confissão
E os índios o enterraram
Com flauta de bambu e tambor

                    Triste do seu avô
                    Que morreu sem confessar
                    E sem reza pra alumiar
                    O caminho pr’onde a alma for

Depois de um tempo, eu perguntei
Pai, o que sabes de Deus?
Meu pai ficou sério
E nada me respondeu

                   Ver seu pai assim, também é triste
                   Não saber te orientar
                   Ao menos com fé afirmar
                   Que, sem dúvida, Deus existe!

Meu pai morreu na mina
Sem doutor, nem proteção
Cor de sangue mineiro
Tem o ouro do patrão

                   Quem nasceu, um dia morrerá
                   Ainda que tenha bom patrão
                   Mesmo que viva sem opressão
                   E o ouro, a morte devorará

Meu irmão vive nos montes
E não conhece uma flor
Suor, malária e serpentes
É a vida do lenhador

                   Viver nos montes, sem conhecer
                   Sem numa flor, Deus contemplar
                   Igual doença há que se comparar
                   É viver sem saber viver

E que ninguém lhe pergunte
Se sabe onde está Deus
Por sua casa não passou
Tão importante senhor

                   Também triste do seu irmão

                   Que a Deus não soube buscar
                   Quem poderá o salvar?
                   Sem guiar-se por Sua mão

Eu canto pelos caminhos
E quando estou na prisão
Escuto as vozes do povo
Que canta melhor do que eu

                    Sinto em você, sede de Deus
                    Pois sai à busca, a perguntar
                    Quer a Deus encontrar
                    Agindo nos caminhos teus

Há um assunto na terra
Mais importante que Deus
É que ninguém cuspa sangue
Para que outro viva melhor

                     Não se engane, por um momento
                     Mais importante que Deus não há!
                     Deus em primeiro lugar
                     Eis o primeiro mandamento

Que Deus vela pelos pobres,
Talvez sim, talvez não
Mas é certo que almoça
À mesa do patrão.  

                     Deus vela pelos pobres
                     E pelos ricos também
                     Dá o prêmio ou o castigo
                     Por suma justiça. Amém.

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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Em meio aos atuais “debates” em torno do homossexualismo, um achado dos escritos do Cardeal Ratzinger

(Caixa de comentários aberta para participações)

O problema do homossexualismo e do juízo ético acerca dos atos homossexuais tornou-se cada vez mais objeto de debate público, [...]

A teologia da criação, presente no livro do Gênesis, fornece o ponto de vista fundamental para a adequada compreensão dos problemas suscitados pelo homossexualismo. Na sua infinita sabedoria e em seu amor onipotente, Deus chama à existência toda a criação, como reflexo da sua bondade. Cria o homem à sua imagem e semelhança, como varão e mulher. Por isto mesmo, os seres humanos são criaturas de Deus chamadas a refletir, na complementariedade dos sexos, [...]

[...] o deterioramento devido ao pecado continua a desenvolver-se na história dos homens de Sodoma (cf. Gn 19, 1-11). Não pode haver dúvidas quanto ao julgamento moral aí expresso contra as relações homossexuais. Em Levítico 18, 22 e 20, 13, quando se indica as condições necessárias para se pertencer ao povo eleito, o Autor exclui do povo de Deus os que têm um comportamento homossexual.

Tendo como tela de fundo esta legislação teocrática, São Paulo desenvolve uma perspectiva escatológica, dentro da qual repropõe a mesma doutrina, elencando também entre aqueles que não entrarão no reino de Deus os que agem como homossexuais (cf. 1 Cor 6, 9). Em outra passagem do seu epistolário, baseando-se nas tradições morais dos seus ancestrais, mas colocando-se no novo contexto do confronto entre o cristianismo e a sociedade pagã do seu tempo, ele apresenta o comportamento homossexual como um exemplo da cegueira em que caiu a humanidade. Tomando o lugar da harmonia original entre Criador e criatura, o grave desvio da idolatria levou a todo tipo de excessos no campo moral. São Paulo aponta o exemplo mais claro desta desarmonia exatamente nas relações homossexuais (cf. Rm 1, 18-32). Enfim, em perfeita continuidade com o ensinamento bíblico, na lista dos que agem contrariamente à sã doutrina, são mencionados explicitamente como pecadores aqueles que praticam atos homossexuais (cf. 1 Tm 1, 10).

A Igreja, obediente ao Senhor que a fundou e a enriqueceu com a dádiva da vida sacramental, celebra no sacramento do matrimônio o desígnio divino da união do homem e da mulher, união de amor e capaz de dar a vida. Somente na relação conjugal o uso da faculdade sexual pode ser moralmente reto. Portanto, uma pessoa que se comporta de modo homossexual, age imoralmente.
Optar por uma atividade sexual com uma pessoa do mesmo sexo equivale a anular o rico simbolismo e o significado, para não falar dos fins, do desígnio do Criador a respeito da realidade sexual. [...]

Como acontece com qualquer outra desordem moral, a atividade homossexual impede a autorrealização e a felicidade porque contrária à sabedoria criadora de Deus. [...]

Joseph Card. Ratzinger – EXCERTOS DA CARTA AOS BISPOS DA 
IGREJA CATÓLICA SOBRE O ATENDIMENTO PASTORAL DAS PESSOAS HOMOSSEXUAIS - 
Congregação para a Doutrina da Fé, 01/10/1986.


sábado, 16 de setembro de 2017

Amor aos inimigos: nossa caridade deve abranger todos os homens, sem exceção alguma


O que Cristo Nosso Senhor manda observar neste preceito tem por fim promover nossa paz com todos os homens. Ele mesmo disse, na explicação deste preceito: “Se ao levares tua oferta te ocorrer que teu irmão tem alguma queixa contra ti, deixa tua oferenda diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e depois virás oferecer o teu sacrifício.”(Mt 5,23). E veja-se o mais que diz a mesma passagem. Na explicação destas palavras, precisa o pároco ensinar que nossa caridade deve abranger todos os homens, sem exceção alguma. Quando pois, explicar este Preceito, o pároco fará o que estiver ao seu alcance, para concitar os fiéis à prática dessa caridade, porque nela resplandece, sobremaneira, a virtude do amor ao próximo. Sendo o ódio expressamente proibido por este Preceito, porque “é homicida aquele que odeia a seu irmão”(I Jo 3, 15), segue-se necessariamente que isso também inclui o preceito do amor e da caridade .
Mas, ordenando o amor e a caridade, este preceito impõe também todos os deveres e traças, que costumam nascer da caridade. ''A caridade é paciente", diz São Paulo (I Cor 13, 4). Logo, aqui há para nós o preceito da paciência, pela qual havemos de possuir nossas almas, conforme ensina o Nosso Salvador. 
Benignidade e beneficência
Depois, uma companheira inseparável da caridade é a beneficência, porque a "caridade é benigna". Ora, a virtude da benignidade e da beneficência é de ampla atuação. Seu fito principal consiste, para nós, em dar de comer aos que têm fome, de beber aos que têm sede, de vestir aos que estão nus; em usar de maior largueza a generosidade, na medida que alguém mais precisar de nossa assistência.
Amor aos inimigos
Estes serviços de caridade e bondade, nobres por sua natureza, tornam-se muito mais grandiosos, quando são prestados aos inimigos. Pois Nosso Salvador declarou: “amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam” (Mt 5, 41). O mesmo conselho dá o Apóstolo: “Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer. Se tiver sede, dá-lhe de beber. Fazendo assim, amontoarás brasas vivas sobre a cabeça dele. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem”(Rm 12, 20 ss). Enfim, se considerarmos o preceito da caridade, enquanto esta é benigna, reconheceremos que ela nos obriga a praticar tudo o que se refira à mansidão, à brandura, e a outras virtudes semelhantes.
Perdão das injúrias
Um dever que, de muito, supera todos os mais, abrangendo em si toda a plenitude da caridade, e ao qual nos cumpre aplicar nosso maior esforço, consiste em esquecermos e perdoarmos, de bom coração, todas as injúrias recebidas. Para o conseguirmos na realidade, as Sagradas Escrituras nos exortam e aconselham muitas vezes, não só chamando bem-aventurados os que perdoam sinceramente (Mt 5, 4; 9, 44), mas também afirmando que eles já alcançaram de Deus o perdão de seus pecados; e que não alcançam perdão os que deixam de perdoar de fato, ou não querem fazê-lo de maneira alguma (Mt 6, 15; 18, 34). Ora, estando quase que arraigado no coração dos homens o instinto de vingança, faça o pároco todo o possível, não só para ensinar que o cristão deve perdoar e esquecer as injúrias, como também por deixar os fiéis plenamente persuadidos de tal obrigação. Desse ponto falam muito os escritores eclesiásticos. Deve o pároco consultá-los, a fim de poder quebrar a pertinácia daqueles que se obstinaram e empederniram no desejo de vingança. Tenha sempre à mão aqueles fortíssimos e oportuníssimos argumentos que os Santos Padres usavam com religiosa convicção, quando tratavam da presente matéria.
Motivação dessa caridade:
o sofrimento vem de Deus...
Para esse fim, são três as principais razões que o pároco deve desenvolver. A primeira é conseguir de quem se julga ofendido a firme persuasão de que a primeira causa de seu dano ou ofensa não é a pessoa, da qual deseja vingar-se. Assim procedeu Jó, aquele varão admirável que, sendo gravemente lesado pelos Sabeus, Caldeus, e pelo próprio demônio, não lhes atribuiu nenhuma responsabilidade; mas, como homem justo e sobremaneira piedoso, proferiu as acertadas palavras: “O Senhor o deu, o Senhor o tirou” (Jó 1, 21). Pela palavra e pelo exemplo desse varão pacientíssimo, tenham os cristãos, como absoluta verdade, que tudo quanto sofremos nesta vida vem de Nosso Senhor, Pai e Autor de toda a justiça e misericórdia.
Os homens são meros instrumentos de Deus
Em Sua bondade, Ele não nos castiga, como se fôssemos Seus inimigos; pelo contrário, como a filhos é que nos educa e corrige. Se bem atendermos, os homens nestas coisas não deixam de ser realmente ministros e como que instrumentos de Deus. Pode o homem nutrir profundo ódio contra seu semelhante, e desejar a sua ruína total, mas não poderá absolutamente fazer-lhe mal algum, sem a permissão de Deus. Compenetrado desta verdade, aturou José, com paciência, as ímpias maquinações de seus irmãos, e Davi os doestos que lhe dirigia Semei (Gn 45, 4 ss.; 2Sm 16, 10 ss). Aqui vem a propósito um pensamento que São João Crisóstomo desenvolveu, com grande insistência e igual erudição: Ninguém pode ser lesado senão por si próprio. Pois os que se julgam mal tratados por outrem, quando examinarem a coisa com isenção de espírito, hão de descobrir que de outros não receberam nenhuma ofensa ou dano. Com serem injuriados por agentes exteriores, são eles que causam a si mesmos o maior dano, se por isso maculam o próprio coração com o pecado do ódio, da vingança e da inveja.
O perdão das ofensas traz vantagens
A segunda razão está em duas imensas vantagens, reservadas aos que, por filial amor a Deus, perdoam as ofensas de bom coração. A primeira vantagem é que Deus promete perdão dos próprios pecados a quem perdoa as ofensas de seus semelhantes. De tal promessa transparece o quanto Deus se compraz nesse ato de caridade.
A segunda vantagem é que assim conseguimos certa nobreza e perfeição da alma. Pois o perdão das injúrias nos torna, de certo modo, semelhantes a Deus, “que faz nascer o Seu sol sobre bons e maus, e faz chover sobre justos e injustos”.
Castigos da implacabilidade
A terceira razão para ser explicada, está nos castigos que havemos de incorrer, se não quisermos perdoar as injúrias que nos forem feitas. Às pessoas obstinadas em negar perdão aos inimigos, ponha-lhes o pároco diante dos olhos não só que o ódio é grave pecado, mas também que se incrusta cada vez mais na alma, quanto mais se prolongar a sua duração. Pois, quando tal sentimento de ódio se apoderou da alma, a pessoa fica sequiosa do sangue de seu inimigo, nutre plena esperança de poder vingar-se, vive dia e noite numa funesta agitação que a persegue continuamente. Assim parece que não abandona um instante sequer a ideia de homicídio ou de outra proeza nefasta. Acontece, pois, que tal pessoa nunca, ou só com muita dificuldade, se decide a perdoar plenamente, ou pelo menos em parte, as ofensas recebidas. Seu estado de alma, com razão, se compara ao de uma ferida em que o dardo permanece cravado.
O ódio engendra outros pecados

Muitos são os males e pecados que, por certa conexão, se ligam necessariamente a este pecado único de ódio. Por isso, foi nesse sentido que dizia São João: "Quem odeia seu irmão está em trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1Jo 2, 14). Logo, é fatal que caia muitas vezes. Do contrário, como poderia alguém fazer justiça às palavras e ações de uma pessoa, se nutre ódio contra ela? Daí nascem, portanto, os juízos temerários e injustos, as iras, as invejas, as detrações, e outros pecados semelhantes, que costumam envolver também as pessoas que a ela se ligam por parentesco e amizade. Deste modo acontece, muitas vezes, que de um só pecado nascem muitos outros. E não é sem cabimento que este pecado se chama “pecado do demônio” (1Jo 3, 10-11), porque o demônio foi homicida desde o início. Por esta razão é que o Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, quando os fariseus queriam dar-lhe a morte, declarou que eles tinham por pai o demônio.
Retirado do Catecismo Romano

sábado, 9 de setembro de 2017

O Católico Verdadeiro e o Herege – por São Vicente de Lerins

Parece evidente que o verdadeiro e autêntico católico é o que ama a verdade de Deus e a Igreja, corpo de Cristo; aquele que não antepõe nada à religião divina e à fé católica. Não antepõe nem a autoridade de um homem, nem o amor, nem o gênio, nem a eloquência, nem a filosofia. Mas exatamente desprezando todas estas coisas e permanecendo solidamente firme na fé, está disposto a admitir e a crer somente o que a Igreja sempre e universalmente acreditou.

Sabe que toda doutrina nova e nunca antes ouvida, insinuada por uma só pessoa, fora ou contra a doutrina comum dos fiéis, não tem nada a ver com a religião, e que constitui, antes, uma tentação, instruído especialmente pelas palavras do Apóstolo Paulo: “Pois é conveniente que até haja heresias, para que também os que são de uma virtude provada sejam manifestados entre vós”. Como se dissesse: Deus não extirpa imediatamente os autores de heresias para que os que são de uma virtude provada se manifestem, isto é, para mostrar até que ponto se é tenaz, fiel e constante no amor à fé católica.

São Vicente de Lerins, na obra Comonitório

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Necessidade se entender as orações e as cerimônias da Santa Missa

Extraído do Catecismo da Santa Missa
É necessário conhecer profundamente a Missa?
Um ato de religião praticado com tanta frequência, tão precioso em suas graças, e tão consolador em seus frutos, é desejoso que se conheça o mais possível, na medida das nossas capacidades.
Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa?
Podemos conhecê-la mais profundamente estudando seus mistérios, seus dogmas, a moral que ela encerra, e até os menores detalhes de suas cerimônias e orações.
Para que devemos conhecer tudo isto?
Para que a Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais vivos sentimentos de religião e de piedade.
Que mais devemos conhecer da Missa?
Devemos conhecer suas palavras sagradas em que encontramos todo o sabor da unção de que estão repletas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para lembrar nossa alma e nosso coração que um Deus se imola para nós, e que nós também devemos nos imolar com Ele e por Ele.
Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa?
Devemos deixar fora do santuário a indiferença e o tédio, a dissipação e o escândalo, e sermos, no templo, adoradores em espírito e verdade.
Deus exige de todos os fiéis uma instrução profunda e detalhada da Missa?
Não. Deus supre a sensibilidade da fé ao conhecimento que não foi possível adquirir e jamais irá desprezar o sacrifício de um coração arrependido e humilhado. (Sl 50, 19)
Quais as disposições essenciais e suficientes para aproveitarmos do santo sacrifício da Missa?
Devemos assistir a Santa Missa com a alma penetrada de dor pelas faltas cometidas, e nos aproximarmos confiadamente deste trono da graça, unindo-nos à vítima, Nosso Senhor Jesus Cristo, e à intenção da Igreja, na pessoa do sacerdote, e por seu ministério.
Que mais é salutar conhecer?
Devemos saber as grandes vantagens espirituais que um conhecimento mais íntimo da Santa Missa proporciona aos fiéis, com a explicação literal de suas orações e cerimônias.
A Igreja, acaso, ocultaria aos fiéis algum mistério da Santa Missa?
Não. Na Igreja nada há de oculto e ela jamais pretendeu ocultar qualquer mistério aos fiéis, seja da Santa Missa, como de qualquer outra cerimônia litúrgica, como será demonstrado neste Catecismo.
Qual a principal preocupação da Igreja quanto aos mistérios da Missa?
A Igreja somente teme que o pouco discernimento sobre os mistérios possa causar má interpretação às palavras neles contidas.
Como a Igreja procura evitar possíveis más interpretações?
Apresentando sempre explicações claras dos mistérios aos fiéis.
Há orientação explícita da Igreja para explicar os mistérios da Missa aos fiéis?
Sim. Os Concílios de Mogúncia, de Colônia e de Trento, como mais adiante veremos, ordenaram claramente que se prestassem aos fiéis as explicações necessárias para o melhor entendimento possível dos mistérios da Santa Missa, evitando, assim, más interpretações.
Que outras medidas tomou a Igreja para facilitar o entendimento dos mistérios da Missa?
A Igreja colocou à disposição de todos os fiéis o ordinário da Missa, e impôs como dever dos sacerdotes a explicação das orações e das cerimônias da Santa Missa.
Além do ordinário da Missa, há outras obras específicas sobre o Santo Sacrifício?
Sim; há inúmeras obras ao alcance dos fiéis sobre a Santa Missa, publicadas através dos séculos.
A explicação da Missa é dever somente dos sacerdotes?
Não. Além dos sacerdotes é dever também dos fiéis, e seremos felizes mesmo se, com pouco conhecimento, colocarmos algumas pedras nos muros de Jerusalém, enquanto outros manejam com mão hábil a espada da palavra santa para cuidar da sua defesa.
Qual o melhor método para nos aprofundarmos no conhecimento da Santa Missa?
Para compreendermos exatamente o verdadeiro sentido das orações da Santa Missa, é necessário conhecermos todas, palavra por palavra, o significado de cada termo, dos dogmas e dos mistérios nelas contidos.
Que mais é necessário conhecer sobre as orações?
É preciso, também, conhecer os objetivos da Igreja ao estabelecer as orações, bem como deduzir ao máximo possível as intenções dos santos padres, dos antigos escritos eclesiásticos e da tradição. Para isto torna-se necessária também uma explicação histórica, literal e dogmática de tudo o que constitui a Missa. 
Fonte: Almanaque Tradição Católica

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A proporção entre o pecado grave e o castigo do inferno

O inferno é o castigo por uns aspectos passageiros de paixão, não carece ele de proporção?

Qual é, pois, o castigo devido ao pecado grave, com que  Deus deve vingar a sua majestade ultrajada?

Só pode ser o castigo do inferno eterno!

Está provado, pelo dogma da Redenção, que o pecado grave é a maior ofensa, infidelidade, revolta e traição contra Deus, constituindo uma culpa infinita. Ora, sendo o homem um ser limitado, e não cabendo nele um castigo infinito por intensidade, deve ele sofrer um castigo que seja infinito pela duração, como é o castigo do inferno. É bem verdade que os nossos sentimentos não querem admitir castigo tão horrendo. Muitos criminam a Deus por faltar à proporção devida num castigo sem fim, infinito, para um crime passageiro, tantas vezes de um só momento, cometidos por um homem miserável. Entretanto, a sã razão tem de admitir forçosamente o castigo do inferno eterno, em virtude de raciocínios, como rigorosamente exigido pela natureza do pecado grave.

Objeção

Até neste mundo há castigos análogos, por crimes semelhantes, porém incomparavelmente inferiores. Como é que são ás vezes vingadas e castigadas as infidelidade deste mundo? Por exemplo, a infidelidade conjugal, a revolta contra um príncipe, contra um rei, a traição à pátria? Às vezes pela morte! Ora, essas e outras infidelidades contra homens são incomparavelmente menores do que as infidelidades contra Deus; e, contudo, ninguém duvida da legitimidade do castigo pela pena capital, tirando-se por ela a vida para sempre do convívio da família, e até da sociedade humana. Ainda que o assassino se fizesse num momento, julga-se universalmente ser o castigo apropriado e equivalente só a morte ou reclusão perpétua do assassino.
A gravidade do pecado não se avalia só pelo fato praticado, mas também, e principalmente,  pela intenção que a ele preside. O pecado mortal é o ato de aversão a Deus e de conversão à criatura; é uma desobediência e ofensa grave, cuja consequência é a separação de Deus, o rompimento e a inimizade com Ele. Para cometer um pecado grave não é preciso atacar a Deus pessoalmente, levantar a mão contra Ele, injuriá-lo, revoltar-se contra Ele e resistir-lhe formal e obstinadamente. Basta transgredir uma lei grave, estabelecida por Ele; basta saber que Ele o proibiu, e querer assim mesmo fazê-lo.  

O pecado grave pode-se cometer num mínimo de tempo, num instante. Sabendo-se que se trata de uma lei, de uma proibição séria e grave, é ele perpetrado no momento em que a vontade se resolve definitivamente a transgredi-la. O pecado grave merece, sem dúvida alguma, o inferno eterno, ainda que tenha sido cometido num simples momento, ou em pensamento. Mas – pergunta-se – onde está a proporção entre o ato e a pena eterna? Está na          LEIA TODO  O TEXTO

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Devoção ao Santo Nome de Maria

         
O Santo Nome de Maria foi antigamente tão venerado em certos países, que era proibido às mulheres o tomá-lo. Temia-se, por assim dizer, profanar o nome da Mãe de Deus, caso se desse a outras criaturas. Afonso IV, rei de Castella, estando para desposar-se com uma jovem Moura, declarou que o não faria, senão com a condição de que não havia de tomar no batismo o nome de Maria. Casimiro I, rei da Polônia, que se desposou com Maria, filha do Duque da Rússia, exigiu que a princesa mudasse para outro o seu nome de Maria; e segundo o costume estabelecido naquele reino, mulher nenhuma se podia chamar Maria. Este uso já não subsiste. Pelo contrário, por devoção à Mãe de Deus, e para se colocarem debaixo de sua proteção de um modo especial, é que tantas pessoas tomam hoje o nome de Maria. Por certo serão felizes, se não contentes de ter o nome da Rainha do Céu, trabalharem também por imitar suas virtudes.

Santo Estevão, rei de Hungria, não menos célebre por sua terna devoção à Santíssima Virgem, do que pelas qualidades verdadeiramente reais, que levou ao trono, tinha um tão profundo respeito para com o sagrado nome de Maria que nem ousava pronunciá-lo. Chamava-lhe de ordinário a grande Senhora. Todos seus vassalos, imitando este exemplo, lhe davam o mesmo título; e se acontecia que em sua presença se proferisse o santo nome de Maria, todos no mesmo momento caíam de joelhos e se inclinavam até ao chão para mostrarem a grande veneração em que tinham tão augusto nome.

O Beato Hermano, segundo refere Surio, pronunciava muito frequentemente o santo nome de Maria, e esta prática lhe produzia efeitos prodigiosos. Quando estava só, prostrava-se por terra, e nesta posição se comprazia em repetir sem cessar: Maria!... Maria !... Maria !... Um de seus amigos, que era também muito devoto da Santíssima Virgem, encontrando-o em um desses momentos que ele consagrava a honrar o nome de sua amável Mãe, ficou admirado de o ver tanto tempo e tão profundamente recolhido. "Que fazeis desse modo, lhe diz, e que sentimentos vos ocupam?" — "Colho, respondeu Hermano, mas com uma incrível consolação, colho os frutos deliciosos do nome de Maria. Quando o pronuncio, parece-me que todas as flores, todos os mais raros perfumes se reúnem em torno de mim para embalsamar o ar, ao mesmo tempo que uma certa virtude, que eu ignoro, enche o meu coração de uma celeste alegria. Aqui descanso de todos os meus trabalhos, esqueço todas as amarguras da vida. Quisera, se fora possível, não sair nunca desta posição, nunca cessar de repetir o santo e amável nome de Maria".

Fonte: Novíssimo Mês de Maria, consagrado à glória da Mãe de Deus

domingo, 3 de setembro de 2017

A Igreja Católica e a credibilidade da fé cristã

por Tanquerey

Sem a fé é impossível agradar a Deus e chegar a ser contado no número de seus filhos, por isso sem ela ninguém jamais conseguiu a justificação, nem conseguirá a vida eterna se não perseverar nela até ao seu fim.
E para que pudéssemos cumprir o dever de abraçar a verdadeira fé e de nela perseverar constantemente, Deus por seu Filho unigênito instituiu a igreja e a dotou com sinais manifestos da sua instituição, para que todos a pudessem conhecer como guarda e mestra da palavra revelada, pois somente à Igreja Católica pertencem todos os caracteres tão numerosos e admiráveis, estabelecidos por Deus para tornar evidente a credibilidade da fé cristã. [...]
Daqui resulta que ela mesma, como um estandarte levantado no meio das nações, não só convida os incrédulos a entrarem no seu grêmio, mas também assegura aos seus filhos que a fé que professam repousa sobre o mais firme fundamento. Ao mencionado testemunho acresce sem dúvida alguma o eficaz auxílio do poder do alto.
Porquanto nosso misericordiosíssimo Senhor excita e ajuda com a sua graça aqueles que vagueiam no erro, par que possam chegar ao conhecimento da verdade. E enquanto aos crentes confirma-os com a sua graça para que perseverem.
Não há pois paridade entre a condição daqueles que, pelo dom celeste da fé, abraçaram a verdade católica, e a daqueles que, levados por opiniões humanas, seguem uma religião falsa, pois o que receberam a fé sob o magistério da Igreja não podem jamais ter razão alguma justa de mudar ou de pôr em dúvida esta mesma fé, e por isso dando graças a Deus Pai, que nos fez dignos de participarmos, na sua luz, da sorte dos Santos, não desprezemos tão grande vantagem, mas pondo os olhos em Jesus, autor e consumador da fé, conservemos o testemunho inabalável da nossa esperança.
Compêndio de Teologia Dogmática – Especial - 
Segundo a mente de São Tomás de Aquino, acomodada aos tempos atuais



sábado, 2 de setembro de 2017

Que quer dizer: amar a Deus sobre todas as coisas?...

Como se deve amar a Deus?
Devemos amar a Deus sobre todas as coisas, com todo o nosso coração, com toda a nossa mente, com toda a nossa alma, e com todas as nossas forças.
Que quer dizer: amar a Deus sobre todas as coisas?
Amar a Deus sobre todas as coisas quer dizer: preferi-Lo a todas as criaturas mais caras e mais perfeitas, e estar disposto a perder tudo antes que ofendê-Lo ou deixar de amá-Lo.
Que quer dizer: amar a Deus com todo o nosso coração?
Amar a Deus com todo o nosso coração quer dizer: consagrar-Lhe todos os nossos afetos.
Que quer dizer: amar a Deus com toda a nossa mente?
Amar a Deus com toda a nossa mente quer dizer: dirigir para Ele todos os nossos pensamentos.
Que quer dizer: amar a Deus com toda a nossa alma?
Amar a Deus com toda a nossa alma quer dizer: consagrar-Lhe o uso de todas as potências da nossa alma.
Que quer dizer: amar a Deus com todas as nossas forças?
Amar a Deus com todas as nossas forças quer dizer: esforçar-se por crescer cada vez mais no amor dEle, e proceder de maneira que todas as nossas ações tenham por motivo e por fim o seu amor e o desejo de Lhe agradar.
(Retirado do Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A pena eterna devida a uma culpa temporal contraria a Justiça Divina?


Não contradiz à justiça divina sofrer alguém a pena perpétua, porque nem as leis humanas exigem que as penas sejam medidas pelo tempo para serem adequadas à culpa. Ora, para os pecados de adultério, de homicídio, cometidos que são em breve tempo, a lei humana impõe, às vezes, o exílio perpétuo, ou até mesmo a morte, pela qual para sempre o criminoso é afastado da sociedade. Se o exílio não é perpétuo, isso é por acidente, porque a vida humana não é perpétua, mas parece que a intenção do juiz é punir o criminoso perpetuamente. Por isso, também não é injusto se, para um pecado feito momentaneamente no tempo, Deus impuser uma pena eterna.
Deve-se também considerar que ao pecador é infligida a pena eterna, mas somente àquele que não se arrepende do pecado, e, assim, nele, o pecado perdura até a morte. E porque na sua intenção peca para sempre, é razoável que Deus o puna eternamente.
Além disso, cada pecado cometido contra Deus tem um certo grau infinito, se considerarmos que ele é cometido contra Deus. É certo que quanto mais importante é a pessoa contra quem se peca, tanto mais grave é o pecado: considera-se de maior gravidade dar uma tapa num militar, que num camponês; e, de muito maior gravidade, se for dada num príncipe ou no rei. Ora, sendo Deus de grandeza infinita, a ofensa contra Ele cometida, é, de certo modo, infinita. Logo, a pena devida a essa ofensa deve ser também, de certo modo, infinita.
Essa pena, porém, não pode ser infinita de modo intensivo, porque nada de criado é infinito em intensidade. Resta, por conseguinte, que ao pecado mortal é devida uma pena de duração infinita.
Ademais, ao que pode ser corrigido, a pena temporal lhe é imposta para a correção ou purificação. Se, portanto, alguém não mais pode ser corrigido do pecado, porque a sua vontade está obstinadamente firme no pecado, como acontece com os condenados acima descritos, a sua pena não pode também ter fim.

Compêndio de Teologia de São Tomás de Aquino, Capítulo CLXXXIII



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