quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O erro de se tentar adaptar os dogmas à mentalidade moderna



por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Quanto mais o tempo passa mais verdades a Igreja acumula. Foi pelo passar do tempo que essas verdades dogmáticas foram compondo o autêntico Depósito da Fé. A Igreja não retira verdades do seu depósito, bem como ela não fica “burra”. Uma sentença tida como verdade, sempre será verdade. Se, em discursos não dogmáticos, se constatar um aceno de mudança para a interpretação de uma sentença dogmática, levando-a a um entendimento diverso daquele sempre assumido pela Igreja, tal tese não atinge absolutamente o dogma, e não irá muito longe. Apenas constituirá contratempo que pode ser tido como interferência do arbítrio humano de alguns membros da Igreja, que Deus, permitindo, limita sua influência, não deixando a doutrina ser corrompida.

O Papa Leão XIII, em carta escrita ao cardeal Gibbons, detecta e condena magnificamente as teses que, como através de manobra, objetivam mudar o sentido do dogma ou pelo menos deixá-lo menos severo:

"O fundamento sobre o qual se fundam as novas idéias de que falamos é o seguinte: para atrair mais facilmente à doutrina católica os que pensam diferentemente, a Igreja deve afinal se acercar um pouco mais da cultura deste século já adulto e, soltando a antiga severidade, se mostrar mais indulgente para com os princípios e modos recentemente introduzidos entre os povos. E muitos pensam que isso deve ser entendido não somente da disciplina da vida, mas também dos ensinamentos nos quais se encontra o depósito da fé. Pretendem, com efeito, que é oportuno, para atrair as vontades dos que discordam, omitir certos pontos de doutrina, como se fossem de importância menor, ou mitigá-los de tal modo que não conservem o mesmo sentido que constantemente foi mantido pela Igreja."
Argumentos de teólogos modernos de que as verdades eram só para aquele tempo, são apenas teses sem solidificação. Não se vê tal explicação nos documentos da Igreja. Já a recíproca, sim: A Igreja diz que uma verdade dita deverá ser sempre entendida como foi enunciada e entendida por seus contemporâneos. Como se pode ver, com a verdade dogmática não se deve confundir os conceitos filosóficos. É o que ensinou Pio IX e o Concílio Vaticano I:

"Pois a doutrina da fé, que Deus revelou, não foi proposta como uma descoberta filosófica a ser aperfeiçoada pelas mentes humanas, mas foi entregue à Esposa de Cristo como um depósito divino, a ser por ela fielmente guardada e infalivelmente declarada. Daí que sempre se deve manter aquele sentido dos sagrados dogmas que a santa mãe Igreja uma vez declarou, e jamais, nem a título de uma inteligência mais elevada, é permitido afastar-se deste sentido."




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