terça-feira, 27 de abril de 2010

Como Deus castiga com justiça e como, com justiça também, perdoa os maus

Entretanto, é justo, também, que tu castigues os maus. Haverá, pois, algo mais justo do que os bons receberem o bem e os maus o castigo? Com, então, pode ser justo ao mesmo tempo que tu castigues os maus e lhes perdoes? Ou será que, sob certo aspecto, tu castigas os maus com justiça e, sob outro, lhes perdoas, igualmente, com justiça? Com efeito, é justo que tu castigues os maus, pois o mereceram; mas é, também, justo que lhes perdoes, não em virtude dos méritos, que não têm, e , sim, porque isso condiz com a tua bondade. Ao perdoares aos maus, tu és justo em relação a ti mesmo, não a nós, assim como és misericordioso em relação a nós, e não a ti.

Com efeito, ao salvar-nos, quando, com toda justiça, poderias nos condenar, és misericordioso, não porque tu experimentas um afeto, coisa esta estranha à tua natureza, mas para que nós percebamos o efeito da tua bondade. Da mesma maneira és justo não porque tu operas em virtude daquilo que é condizente com a tua bondade suprema.
Desta forma, portanto, não há contradição em dizer que tu castigas e perdoas sempre com justiça.
Santo Anselmo de Cantuária. Proslógio, cap. X.
Fonte: Santo Anselmo, São Paulo: Nova Cultural, 2005, p.146.
 

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