sexta-feira, 2 de abril de 2010

Jesus morreu por nós. Mas, por que teve de morrer?


por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Estando bastante alheio quanto ao significado teológico da morte do Filho de Deus, o mundo, nestes dias, faz referência – ressalte-se que muito tímida – apenas aos fatos históricos que envolvem o calvário de Jesus. Assim, aqui faremos uma reflexão acerca do motivo pelo qual Cristo teve de encarnar-se como homem e morrer sendo inocente.

Tudo se deu por uma questão de necessidade da redenção, resgate, emenda, reparo do homem diante de uma ofensa praticada contra Deus.

Quando se ofende alguém, a razão nos evoca o entendimento de que, por justiça, seja praticado pelo ofensor um ato de reparação diante do ofendido. Este ato reparador é o preço que se paga por se ter violado a dignidade daquele a quem se ofende. Deve ser um ato de magnitude proporcional à ofensa praticada. E a ofensa se reveste de diversos graus de acordo com as circunstâncias e contra quem se pratica. É certo que uma ofensa disparada por um torcedor a um juiz de futebol, nos ânimos de uma partida, não seja equivalente a uma ofensa contra um juiz de direito em um tribunal. Analogamente, um ato de desafeição de um filho para com seu pai lhe traz mais conseqüências do que quando isso se dá com um parceiro de brincadeiras. Dá pra imaginar então o que se dá com uma ofensa a Deus? Ofender a Deus, seu criador, fez recair trágica conseqüência sobre a criatura, pois, o ato reparador que se exige deve ser proporcional à dignidade do ofendido.

Eis que o mundo, e nele o homem, foram criados por Deus em seus desígnios e em um projeto perfeito. Infinitamente bom, o Criador presenteou gratuitamente o homem que era nada e passou a existir e a submeter o mundo criado.

Com o pecado original, o homem subestimou o ordenamento que Deus lhe havia concebido. O homem ofendeu aquele Ser infinitamente perfeito. Sendo criatura, atentou contra o Criador. Sendo limitado, atentou contra Aquele que é infinito. Fez desmoronar uma estrutura que jamais poderia reerguer sozinho. Por forças próprias não poderia jamais praticar um ato individual para se recompor, pois era necessário um ato de amor de valor infinito para emendar-se diante do ato de desamor ao Deus infinito. Somente um homem de natureza divina poderia realizar esse ato de amor infinito.

Foi, pois, assim que a segunda pessoa da Santíssima Trindade - Deus Filho - assumiu forma humana no seio da Virgem Maria e na terra cumpriu sua missão, outrora já profetizada. Provou ser divino, venceu a morte, fundou sua única Igreja, e ofereceu seu sacrifício como sendo esse ato de amor infinito a Deus Pai que era necessário para refazer o gênero humano do erro cometido pelo próprio homem. Jesus morreu por nós, e só Ele poderia com esse ato de amor de valor infinito oferecê-lo como resgate para que o homem pudesse retornar à situação em que se encontrava antes do pecado. Aquele pecado inicial do primeiro homem, o pecado original, que acometeu toda a descendência de Adão foi então redimido pelo sacrifício de Cristo e passamos a ter acesso a essa redenção pelo batismo, que nos liga ao Corpo Místico de Cristo.

A entrega de Cristo na cruz foi o bastante para agradar a Deus Pai mais que todos nossos pecados podem desagradá-lo. Mas, é preciso estar juntos com Cristo para usufruirmos dos méritos que Ele nos conseguiu. Nossas ofensas individuais atingem a Deus, mas podemos ter parte nos méritos do sacrifício de Cristo se buscarmos os bens espirituais que provêm destes méritos e que Ele nos concede através da sua Igreja pelos sacramentos. É, pois, no sacramento da confissão que nos emendamos das nossas faltas individuais.

Jesus morreu por nós. Temos agora a possibilidade de nos reerguer diante de Deus e caminhar ao seu encontro. Façamos nossa parte.

Jesus morreu por nós. E não foi em vão sua morte. Uma multidão de santos já usufruiu dos méritos que Cristo conquistou, e hoje gozam das delícias do céu. Unamos-nos a eles.

E quantos possam ainda desprezar Cristo, a sua cruz, a sua morte, os seus ensinamentos e a sua Igreja, permanecem na condição de ofensores de Deus e arcarão com os prejuízos eternos de sua postura se não a refizerem antes da morte.

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