sexta-feira, 9 de abril de 2010

Para quem ainda não conhece: Folheto explicativo sobre a Missa de São Pio V. Ótimo para fazer pastoral litúrgica do rito extraordinário



 
 
A MISSA DE SÃO PIO V
E SUAS PRÁTICAS TRADICIONAIS
- Respostas às questões mais comuns -

 
1. A Celebração da Santa Missa em latim está autorizada?
    Comumente chamada de Missa em Latim – também conhecida como Missa de São Pio V ou Missa Tridentina – sempre foi plenamente autorizada, pois nunca foi proibida. O Papa Bento XVI esclareceu esta questão através de um documento chamado Summorum Pontificum, que ele promulgou em 07 de julho de 2007. Bento XVI estabelece esta celebração como sendo a FORMA EXTRAORDINÁRIA DA LITURGIA DA IGREJA. No documento, Bento XVI expõe que qualquer padre pode celebrar a Missa em latim pelo missal de 1962, sem precisar de nenhuma licença do Bispo ou da Santa Sé, e esclarece que "em paróquias onde um grupo de fiéis aderidos à prévia tradição litúrgica existe de maneira estável, que o pároco aceite seus pedidos para a celebração da Santa Missa" nessa forma. Se esse grupo de fiéis "não obtém o que solicita do pároco, deve informar ao Bispo diocesano do fato. Ao Bispo lhe solicita seriamente aceder a seu desejo. Se não puder prover este tipo de celebração, que o assunto seja referido à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei."
    É comum vermos a alegação de que tal Missa é só para os mais velhos, por terem sido somente eles que um dia conheceram essa forma do rito. Porém, na carta que acompanha o documento, o Santo Padre orienta os bispos dizendo que "... podia-se supor que o pedido do uso do Missal de 1962 se limitasse à geração mais idosa que tinha crescido com ele, mas entretanto vê-se claramente que também pessoas jovens descobrem esta forma litúrgica, sentem-se atraídas por ela e nela encontram uma forma, que lhes resulta particularmente apropriada, de encontro com o Mistério da Santíssima Eucaristia."
 
2. A celebração na forma extraordinária é em Latim? Como as pessoas entenderão a Missa?
    Diferentemente do que possa parecer à sociedade de hoje, não é um absurdo rezar a Missa em latim. Nem uma nostalgia, nem um apego qualquer ao passado. O que fundamenta a utilização do latim são aspectos doutrinários. São pois alguns argumentos:
• O uso padronizado do latim evita alteração dos textos litúrgicos, fato que muito ocorre quando são traduzidos do original para outras línguas, como se constata com a fórmula da consagração onde a expressão "pro multis" que havia sido traduzida do original como "por todos", agora deve ser corrigida para sua significação adequada "por muitos". Corrigida a oração fica assim: "... o sangue da nova e eterna aliança que será derramado por vós e POR MUITOS."
• A língua do culto a Deus é diferente da língua vulgar, para deixar claro que o ato é para Deus e se refere a Ele; que se trata das coisas de Deus e não meramente humanas.
• Até a reforma de 1970, na Missa sempre foi incluído o latim, o hebraico e o grego. Não são três línguas escolhidas ao acaso. São as três línguas em que foi escrita a condenação de Cristo na cruz. E a Santa Missa é esse momento do calvário de Cristo tornado presente aos nossos olhos.
• uma língua fixa é necessária para manter a integridade e exatidão dos ritos e da Sagrada Escritura, e ninguém pode negar que a língua vulgar está em constante mutação, enquanto o latim não evolui por ser uma língua morta.
•a Igreja sendo universal deve celebrar os ofícios públicos numa língua universal no tempo e no espaço. Isso favorece a participação dos fiéis quando forem a países de outras línguas. Pois, sabendo participar da Santa Missa em latim no seu país, saberão participar da Santa Missa em latim em qualquer país do mundo, tornando-se desnecessário aprender alemão pra ir a uma Missa na Alemanha, ou aprender japonês para participar com fruto da Santa Missa no Japão, por exemplo.
• Não é toda a Missa que é rezada em latim. As partes direcionadas ao povo são ditas na língua do povo, são as partes didáticas - a Epístola e o Evangelho junto com o sermão. Elas visam à instrução do povo. As demais partes, que visam a Deus, sempre foram ditas em língua sagrada.
• Não é essencial que o povo entenda cada palavra da Missa, mas sim que entenda o que é a própria Missa. Muitas vezes se ouve uma música estrangeira e, mesmo que não se entenda a letra, entende-se sua melodia e acha-se prazeroso ouvi-la. Basta-nos, então, entendermos a "melodia" da liturgia da Missa.
• Afirmar que o uso do latim é errado é contrariar os 265 papas que a Igreja já teve, pois todos eles adotaram e mantiveram o latim como língua a ser usada na celebração da Santa Missa e como língua oficial da Igreja; No Concílio Vaticano II, abriu-se uma exceção à regra, mas ao mesmo tempo se confirmou o latim como sendo a norma.
"Que o antigo uso da Língua Latina seja mantido, e onde houver caído quase em abandono, seja absolutamente restabelecido. Ninguém por afã de novidade escreva contra o uso da Língua Latina nos sagrados ritos da Liturgia" (Papa João XXIII, Encíclica Veterum Sapientia).

3. E porque o padre fica de costas para o povo?
    Não se deve evidenciar que o padre fica de costas para o povo. Na realidade, o padre e o povo se voltam para a mesma direção, ou seja, para o altar, onde se realiza a renovação do sacrifício de Cristo. Se o padre fica de frente para o povo, isso externa uma indicação de que a missa é celebrada centrada no homem, quando em verdade é centrada em Deus. É o sacrifício de Cristo oferecido a Deus, e não ao homem. Por isso o padre se volta para o altar de Deus, que fica junto à parede.
     Estando "de costas para o povo", o padre está, na verdade, à frente do povo, como líder, como aquele que, em nome da humanidade, mostra-se diante de Deus, e, agindo Cristo por Ele, oferece um sacrifício. Virando-se para os fiéis nos momentos oportunos, é o representante de Deus que nos dá a bênção.
    Na Missa de São Pio V, o sacerdote posiciona-se exatamente com o restante dos fiéis: todos miram o mesmo alvo, todos olham para o mesmo lugar, todos estão alinhados, como um povo, à frente do qual está o sacerdote, seu líder. O padre não fica "de costas", propriamente, mas "olhando na mesma direção que nós", em direção a Deus. Estar de costas pra nós, então, não significa nenhum desprezo pelo Povo.
    Quando padre e povo estão voltados para a mesma direção, eles sabem que estão como que em uma procissão dirigindo-se para Deus.
   
4. Por que o sacerdote usa outros paramentos?
    A maior quantidade e significação dos paramentos utilizados pelo sacerdote na Santa Missa potencializam sua sacralidade. Quando se é recebido em audiência por um rei de uma nação, é normal que se busque se vestir com roupas bem dignas em sinal de respeito; o sacerdote faz a mesma coisa quando aparece no altar em presença do maior dos reis. Estas vestes especiais do sacerdote no altar indicam também que ele não opera em seu próprio nome, mas como representante de Jesus Cristo.
    Na Missa de São Pio V, o sacerdote reveste-se dos seis ornamentos seguintes, que lhe recordam a Paixão de Jesus Cristo ou os seus próprios deveres:
• O amito recorda o véu com que os soldados cobriram o rosto de Nosso Senhor; exorta o sacerdote à piedade e modéstia dos olhos.
• A alva, recorda a veste que Herodes lhe mandou vestir; remete à pureza do coração do sacerdote;
• O cíngulo (cordão) recorda as cordas com que os soldados o amarraram; também a castidade e a mortificação.
• O manípulo representa o véu da Verônica e as boas obras;
• A estola representa a sua alta dignidade.
• A casula, com a cruz, recorda o levar da cruz, o seu fardo.

5. Qual a contribuição do canto gregoriano para a liturgia da Santa Missa?
    Por ter sido projetado para ser usado especificamente no culto a Deus o canto gregoriano contempla os requisitos próprios para elevar a alma ao céu. É um canto milenar, patrimônio cultural da humanidade e continua sendo o canto oficial da liturgia romana.
    "A Igreja reconhece o canto gregoriano como próprio da liturgia romana. Portanto, em igualdade de condições, ocupa o primeiro lugar nas ações litúrgicas" (Sacrosanctum Concilium, 116).
    A reflexão e a contemplação litúrgica são potencialmente elevadas através da suavidade do canto gregoriano.
    Hoje, podemos constatar que o povo já vive numa sociedade tão agitada e barulhenta, e quando vai à igreja em busca de paz e de silêncio, se depara muitas vezes com cantores usando microfones e caixas de som com o volume máximo, guitarras estridentes e baterias estrondosas, sem falar no alvoroçado bater de palmas e no agitado balançar de folhetos e danças. O canto acompanhado do bater de mãos, de movimentos ritmados e de passos de danças dos participantes, foi muito mal interpretado e mal introduzido liturgicamente, sobretudo no Brasil, onde se verificam muitos abusos. Tudo isso faz com que pessoas cheguem a afirmar que em algumas celebrações se sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar.

6. Porque as mulheres devem se cobrir com o véu na Igreja?
    Por quase 2000 anos, as mulheres católicas se cobriram com o véu antes de adentrarem na Igreja ou em qualquer momento que estivessem na presença do Santíssimo. O véu é um símbolo que é tão relevante como a batina de um Padre ou um hábito de uma Irmã de Caridade.
    O simples e piedoso uso do véu está escrito em 1 Cor 11,5-6: "E toda mulher que ora ou profetiza, não tendo coberta a cabeça, falta ao respeito ao seu senhor, porque é como se estivesse rapada. Se uma mulher não se cobre com um véu, então corte o cabelo. Ora, se é vergonhoso para a mulher ter os cabelos cortados ou a cabeça rapada, então que se cubra com um véu";
    O uso do véu pelas mulheres nas Igrejas é uma orientação dada por São Paulo, favorece a distinção entre homens e mulheres no ato litúrgico e sempre foi exigido pela Igreja até o Código de Direito Canônico de 1917, o qual impunha o seu uso obrigatório. No novo código de 1983, a Igreja não aborda o tema, o que levou ao quase abandono de tal prática por parte dos fiéis.
    Atualmente não há nenhuma norma disciplinar que impeça o uso do véu. Acreditamos que o seu uso possa expressar externamente um maior respeito e decoro pelo Mistério Eucarístico e infundir novamente nos fiéis a consciência de que devem vestir-se de forma que corresponda a solenidade da Santa Missa, sendo que favorece o recolhimento e a oração.

7. Porque a comunhão é dada com o fiel ajoelhado e diretamente na boca?
• Porque é dessa forma que se evita mais eficazmente abusos e profanações.
• A atual prática normativa da Igreja é que seja a comunhão dada ao fiel ajoelhado e diretamente em sua boca.
• Através dessa maneira de agir, que deve já ser considerada tradicional, assegura-se mais eficazmente que a santa comunhão seja administrada com a reverência, o decoro e a dignidade que lhe são devidos de sorte que seja afastado todo o perigo de profanação das espécies eucarísticas. (cf. Instrução Eucharisticum Mysterium, n. 9)
• Santo Tomás de Aquino dizia que "Por reverência a este sacramento da Santa Eucaristia, nada o toca a não ser o que é consagrado; por isso o corporal e o cálice são consagrados, e, da mesma forma, as mãos dos sacerdotes para tocar este sacramento".
• Essa reverência exprime bem a comunhão, não de um pão e de uma bebida comuns, mas do Corpo e do Sangue do Senhor, dizia São Justino.
• Experimentos já constataram que podem se desprender, em média, de 3 a 4 pequeníssimos fragmentos das Santas Espécies em cada administração da comunhão, que, de fato, são corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo por inteiro. Tais partículas posteriormente se desprendem das pontas dos dedos e da palma das mãos dos fiéis e eventualmente caem no chão, chegando a ser pisadas, consumando-se a profanação.

8. Por fim, voltar a este tipo de celebração não é estar desatualizado e alheio às coisas do nosso tempo?
    É Exatamente o contrário. Está atualizado aquele que sabe como se está encaminhando a Igreja no pontificado de Bento XVI. Se alguém fecha os olhos para isso, esse sim é que está desatualizado. Longe de afastar os fiéis, as práticas mais tradicionais da Igreja só os fazem crescer ainda mais na compreensão do mistério da cruz, tornado presente em cada Santa Missa.

Texto montado a partir de recortes dos roteiros de estudos do Encontro de Evangelizadores e suas citações.

 

2 comentários:

  1. Pude participar de uma celebração no rito extraordinário.Fiquei muito contente.Pude me envolver com toda a mistica da Liturgia.Nada de gritos,barulhos que impediram com que eu rezasse

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  2. Excelente a explicação sobre a santa missa de São Pio V. Deveria ser publicada em todos os jornais para que o povo veja o valor grandioso da santa missa. Esta é a melhor explicação que já encontrei. Como é bela a missa tridentina em todos os aspectos, tão verdadeira,eleva o homem a Deus. Precisamos restabelece a missa tridentina para a grandeza de Deus, da Santa Igreja e salvação das almas.

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