segunda-feira, 19 de abril de 2010

Proposta de Implantação da Pastoral de Liturgia do Rito Extraordinário


por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Aceitando-se que são     diversos os graus de assimilação da crise, e entendendo-se que o seu enfrentamento passa por várias etapas, estamos disponibilizando um roteiro argumentativo-expositivo de bastante utilidade para uma primeira investida de grupos de fiéis que desejam articularem-se junto a padres, párocos e bispos, objetivando a obtenção da celebração da Santa Missa conforme o Missal de 1962, em sua paróquia/diocese.

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Proposta de Implantação da Pastoral de Liturgia do 
Rito Extraordinário
 
Ainda vivendo sob o viés de uma Igreja amplamente influenciada pelo modernismo, empreende-se aqui a iniciativa de se elaborar e desenvolver uma ação no âmbito pastoral dos leigos, com um trabalho voltado aos católicos ditos tradicionais, assim chamados por assumirem uma postura devocional advinda das tradições da Igreja. Tais fiéis, por assim se portarem, se tornaram como que peça fora de sintonia nas ações litúrgicas da Igreja após a reforma de 1970, mas, por ocasião da promulgação do Motu Proprio Summorum Pontificum, em 2007, estão agora aclaradamente acobertados pelos documentos formais da Igreja e assim devem ser acolhidos em seus anseios, sobretudo acerca da celebração eucarística.
 
Panorama histórico

Eis, pois, que a partir de 1970, com o acontecimento da reforma litúrgica proposta pela Sacrossanctum Concilium, viu-se na Igreja grande mobilização junto aos fiéis em vistas de se viabilizar uma transição tranqüila, onde se passaria da antiga forma de se celebrar a Santa Missa conforme o missal codificado por São Pio V, para o que foi aprovado no Novus Ordo Missae por Paulo VI. A criação de uma vasta rede de iniciativas de cunho pastoral foi necessária para que o mundo católico compreendesse bem e de fato assumisse prontamente a nova forma de vivenciar o culto devido a Deus na celebração eucarística.
 
Os fiéis em tal momento não estavam sendo "contemplados" com a opção de terem uma segunda forma que se dispunha para o rito da Missa, pois que, na prática que se instaurou na Igreja a partir de então, o que se viu foi que aquela forma de celebrar a eucaristia assumida e desenvolvida desde os tempos apostólicos foi sendo substituída completamente para a forma de celebrar seguindo o novo missal. Excetuando-se poucos grupos que se negaram o seguimento proposto, o mundo foi rapidamente levado a celebrar e participar da Missa na nova forma.

A promulgação do Motu Proprio Summorum Pontificum
 
Quase quarenta anos depois da reforma, levando em conta as experiências vividas e as reflexões acumuladas pelo magistério, o Papa Bento XVI reconhece em 07 de julho de 2007 através do Motu Próprio Summorum Pontificum a plena licitude com que se celebrava e com que se pode continuar celebrando a Santa Missa seguindo as rubricas litúrgicas anteriores à reforma litúrgica de 1970. Anexo a tal documento, o Santo Padre emitiu também uma carta aos bispos do mundo inteiro com orientações para a reta aplicação das regulamentações que ora promulgava, a fim de se ter na Igreja uma sadia e proveitosa convivência por todos naquilo que denominou de Forma Ordinária e de Forma Extraordinária da Celebração Litúrgica.

Justificativa
 
Posto que, atualmente, a Igreja conta com a normatização de duas formas de celebração da liturgia no rito romano, pode-se, em um rápido panorama, resumir como se encontram segmentados os fiéis católicos de hoje nesse aspecto da participação da celebração litúrgica:


  • Há católicos perfeitamente adaptados ao Novus Ordo Missae, os quais entendem ter uma vivência coerente e que vivem satisfeitos com tal forma de celebração, não externando qualquer indicativo de participação na forma extraordinária;


  • Mas, há também católicos que não se adaptaram plenamente ao Novus Ordo Missae, ou que, se dada a possibilidade de opção, optariam mais freqüentemente pela participação na forma anterior à reforma.
Ora, quarenta anos são mais que suficientes para atingir seriamente o repasse de valores que eram transmitidos de pai para filho, pela tradição das famílias cristãs. Hoje, temos uma geração dos mais idosos, já quase totalmente esquecida do modo de se participar integralmente da Santa Missa na forma antiga, e uma geração de jovens que, não tendo tido nenhum contato com tal liturgia, se vê desprovida de vivencias afetas próprias dessa tradição.
 
A maior proposta aqui, então, é a de confluir os fiéis que já se encontram conscientes de lhes ter licitamente disponibilizada a celebração na forma extraordinária, congregando-os com aqueles que, ignorando tal abertura da Igreja, trazem em si um amplo desejo, ainda que implícito, de tal participação, conduzindo-os a formações que os capacitem suficientemente para participarem da Santa Missa com a liturgia em sua forma extraordinária. A implantação de tal serviço pastoral terá, pois, de início, a articulação e criação de uma equipe de liturgia para trabalhar essencialmente com o Missal da edição de 1962, para então partir-se para a realização de alguns encontros de formação com a comunidade, podendo ter sua culminância com a reintrodução da celebração dessa natureza em cada paróquia.
    
Porque é necessário esse trabalho pastoral?
 
O ideal seria que a atual pastoral de liturgia abrangesse também o rito na forma extraordinária. Porém, vê-se que isso se torna mesmo inviável pois, tais equipes, em sua grande maioria, não estão dando conta nem mesmo de atuar certeiramente com a forma ordinária, tendo em vista a constatação de imensos abusos que motivam freqüentes intervenções reguladoras e de advertência da Santa Sé, através da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para o Culto Divino, como se verificou com a Instrução Redemptionis Sacramentum que, infelizmente, poucos conhecem.

Além disso, não se tem ouvido das equipes que ora trabalham com liturgia, a intenção de elas mesmas abrangerem tal função, pois que é comum terem uma imagem por demais complexa da aplicabilidade da forma extraordinária. Na prática, tem se experimentado exatamente o contrário, pois já são inúmeras as iniciativas que lograram êxito na implantação da celebração na forma extraordinária em diversas dioceses espalhadas por todo o Brasil.
 
A efetiva consumação da implantação da Pastoral de Liturgia do Rito na Forma Extraordinária também deve favorecer um repensar das atuais equipes de liturgia que trabalham com o rito na forma ordinária, motivando-os a adequar-se ao que explicita as rubricas litúrgicas específicas.
 
O que recai quando não se dispõe de uma pastoral para estes fiéis mais tradicionais

Ao se terem disponibilizadas somente Missas celebradas e participadas no rito na forma ordinária onde há saturação de cantos de ritmos megainculturados, palmas e outros tantos elementos, imagina-se como se devem sentir aqueles fiéis que desejam ouvir cantos mais suaves e meditativos como os gregorianos, que buscam receber a comunhão de joelhos e na boca, e participam da Missa com gestos potencialmente de recolhimento. Tal situação notoriamente acabará por estabelecer incômodo e insatisfação a esses fiéis, onde eles se verão diferentes dos demais, ainda que todas suas práticas devocionais sejam plenamente autorizadas, motivadas e indicadas pelas rubricas litúrgicas. Geralmente, em número menor na assembléia de fiéis, eles se vêem apontados, questionados, e por vezes taxados de ultrapassados, sem o serem. Apenas, optam por vivenciar o momento da Santa Missa da forma que mais lhes agradam entre as propostas lícitas aprovadas e indicadas pela Igreja. Aqui o número não faz a verdade, e a Igreja sabe disso, por isso deve dar amplo assentimento e aceder ao desejo desses fiéis.
 
Fundamentação
 
Para uma boa fundamentação sobre o assunto é necessário um aprofundamento dos fatos históricos, bem como, por se tratar de tema da disciplina do culto a Deus, deve-se pautar na palavra formal da Igreja presente nos diversos documentos magisteriais.

É imprescindível a consulta, então, a diversas encíclicas, catecismos, bulas e cartas apostólicas que tocam o tema. Alguns autores e teólogos podem também ser objeto de consulta a título de captar as diferentes visões extraídas das expressões formais da Igreja. Devem ser acessados livros, revistas, enciclopédias e boas páginas da Internet que podem dar suporte a este trabalho pastoral. Porém, para uma abordagem sensata sobre a temática proposta exige-se pelo menos e essencialmente o conhecimento em dois aspectos: o histórico do desenvolvimento litúrgico desde os primórdios do cristianismo, e os textos da legislação expressa em dois documentos magisteriais: a Bula Quo Primum Tempore, de Pio V, que canonizou a forma litúrgica adotada desde o Concílio de Trento, e o Motu Próprio Summorum Pontificum, de Bento XVI, que reconheceu a plena licitude da celebração tridentina.
 
Como se deu a evolução da liturgia no culto a Deus
 
A essência da Celebração da Santa Missa ensinada pelo próprio Cristo no Cenáculo recebeu durante a maior expansão da Igreja primitiva uma incorporação de ações litúrgicas que culminaram por montar uma verdadeira cerimônia religiosa, pois que a simples repetição dos gestos da Quinta-feira Santa unida a um conjunto de ritos tornou-se a expressão maior do culto devido a Deus.
 
Fazem alusão a essa evolução da liturgia a Didaqué – doutrina dos doze apóstolos, a primeira epístola de Clemente aos Coríntios, a Epístola de Barnabé, as cartas de Santo Inácio, de São Justino, de Santo Irineu, e outros.

No decurso dos três primeiros séculos da era cristã, iriam se cristalizar alguns ritos típicos em conformidade com o gênio particular de cada povo. Todos os ritos eram rigorosamente idênticos quanto ao essencial, porque fluiam da instituição de Cristo aos apóstolos. O padre realizava "ISTO" que o Senhor realizara na Ceia.

O rito romano, que de origem era celebrado somente em roma, era o tronco comum original de todos os ritos e se estendeu por todo o ocidente a partir do século VIII, tendo sido imposto definitivamente em todo o Ocidente entre os séculos XI e XII.
 
As partes imutáveis da liturgia – o ofertório, o cânon, a fração e a comunhão – que estão diretamente ligados ao ato do Sacrifício, se ajuntavam aos outros que completavam e ornamentavam sua significação religiosa. A Igreja provou de mil anos de pacífica convivência e harmonia litúrgica a santificar milhões de almas, até que surgiu Lutero e seus equívocos, que muito prejuízo causou à autêntica prática litúrgica. Foi então que o Concílio de Trento dogmaticamente repugnou tal proliferação de abusos que favoreciam heresias. O Papa São Pio V, pelas decisões do concílio, realizou então a unificação dos Missais, purificando-os de qualquer erro, reconduzindo o rito romano ao tipo original e tornou-o obrigatório para todos, respeitando, no entanto, os costumes legítimos.
 
O alcance jurídico da Bula Quo Primum Tempore (Extraído do Estudo histórico-litúrgico do Missal Romano do Pe. Raymond Dulac)
 
Foi o texto da Bula Quo Primum Tempore, promulgada em 1570 pelo Papa Pio V, que canonizou a chamada Missa Tridentina. Poucos são os documentos magisteriais que expressam tamanho vigor jurídico em sua letra. Dela se lê em alguns excertos:
  • "E a fim de que todos, e em todos os lugares, adotem o observem as tradições da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, decretamos e ordenamos que a Missa, no futuro e para sempre, não seja cantada nem rezada de modo diferente do que esta, conforme o Missal publicado por nós." (Papa Pio V, Bula Quo Primum Tempore, nº 6.)

  • Além disso, em virtude de Nossa Autoridade Apostólica, pelo teor da presente Bula, concedemos e damos o indulto seguinte: que, doravante, para cantar ou rezar a Missa em qualquer Igreja, se possa, sem restrição seguir este Missal com permissão e e poder de usá-lo livre e lícitamente, sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nehuma pena, sentença e censura, e isto para sempre." (Papa Pio V, Bula Quo Primum Tempore, nº 8);

  • "... a presente bula não poderá jamais, em tempo algum, ser revogada nem modificada, mas permanecerá sermpre firme e válida , em toda a sua força". (Papa Pio V, Bula Quo Primum Tempore, nº 9);

  • "Assim, portanto, que a ninguém absolutamente seja permitido infringir ou, por temerária audácia, se opor à presente disposição de nossa permissão, estatuto, ordenação, mandato, preceito, concessão, indulto, declaração, vontade, decreto e proibição. Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições, saiba que incorrerá na indignaçãode Deus Todo-poderoso e de seus bem aventurados apóstolos Pedro e Paulo". (Papa Pio V, Bula Quo Primum Tempore, nº 14);

    São legítimos tais ordenamentos da Igreja, e querer entender doutra forma os explícitos desejos do Papa Pio V, senão aqueles que tão magnificamente são expressados literalmente neste documento.
  • O que contempla o Motu Proprio Summorum Pontificum

    Fruto de muitas reflexões e consultas, o texto deste documento pontifício no qual o Papa como que assume inteiramente a responsabilidade para si, por ser ele aquele que liga na terra o que se liga no céu.

    Do Motu Proprio Summorum Pontificum e da carta que o acompanha, escrita pelo Papa Bento XVI para enfatizar o reto seguimento que se exige do documento, podemos extrair alguns pontos essenciais:
  • "... pondo nossa confiança no auxílio de Deus, pela presente Carta Apostólica, DECRETAMOS o seguinte: O Missal Romano promulgado por Paulo VI deve ser considerado como a expressão ordinária da lei da oração (lex orandi) da Igreja Católica de Rito Romano, enquanto que o Missal Romano promulgado por São Pio V e publicado novamente pelo Beato João XXIII como a expressão extraordinária da lei da oração ( lex orandi) e em razão de seu venerável e antigo uso goze da devida honra".

  • "... é lícito celebrar o Sacrifício da Missa de acordo com a edição típica do Missal Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962 e nunca anulado, como a forma extraordinária da Liturgia da Igreja."

  • "Para a celebração segundo um ou outro Missal, um sacerdote não requer de nenhuma permissão, nem da Sé Apostólica nem de seu Ordinário."

  • "Se Comunidades ou Institutos de Vida Consagrada ou Sociedades de Vida Apostólica de direito pontifício ou diocesano desejam ter uma celebração da Santa Missa segundo a edição do Missal Romano promulgado em 1962 em uma celebração conventual ou comunitária em seus próprios oratórios, isto está permitido."

  • "Em paróquias onde um grupo de fiéis aderidos à prévia tradição litúrgica existe de maneira estável, que o pároco aceite seus pedidos para a celebração da Santa Missa de acordo ao rito do Missal Romano publicado em 1962."

  • "Que o pároco permita celebrações desta forma extraordinária para fiéis ou sacerdotes que o peçam, inclusive em circunstâncias particulares tais como matrimônios, funerais ou celebrações ocasionais, como por exemplo peregrinações."

  • "Onde um grupo de fiéis laicos, mencionados no art. 5§1 não obtém o que solicita do pároco, deve informar ao Bispo diocesano do fato. Ao Bispo lhe solicita seriamente aceder a seu desejo. Se não puder prover este tipo de celebração, que o assunto seja referido à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei."

     
    Podemos fazer uma analogia entre a Bula Quo Primum Tempore e o Motu Proprio Summorum Pontificum e entender que, tanto Pio V como Bento XVI, estavam convictos da necessidade de se ordenar a matéria litúrgica. O texto que expuseram formalmente nesses documentos restabelece a ordem, porém observamos que a bula foi plenamente abraçada por todos da Igreja por ocasião de sua publicação, enquanto o motu proprio sofre oposição e mesmo insubordinação pela grande parte de membros da Igreja.
     
    Observação diagnóstica

     
    Verifica-se notoriamente que as atuais equipes de liturgia não têm apresentado interesse em contemplar devidamente também em seus trabalhos a forma extraordinária da Celebração Eucarística. Se os católicos em 1970 foram conduzidos a aprender a participar da Missa com tais mudanças litúrgicas, porque não oferecer também hoje o acompanhamento devido àqueles que desejam novamente participar da Santa Missa como a conheceram? É, pois, necessário relembrar aos mais idosos, e mesmo ensinar aos mais jovens a riqueza litúrgica da forma extraordinária, reconhecida por Bento XVI. Se se teve grande mobilização na mudança de 1970, agora tais fiéis merecem também da Igreja aquilo que lhes aceda ao desejo. É o que recomenda o Papa.
     
    Quanto aos usos e práticas tradicionais da Igreja, existem alguns mitos e incompreensões que mais refletem por vezes um desmerecimento de seus valores ou, mais propriamente, o desconhecimento do que motiva a sua prática. Tais tradições estão intrinsecamente ligadas à vivência e participação no rito tridentino, e assim contribuem para sua maior solenidade.

    Esclarecendo algumas questões acerca da Missa de São Pio e as práticas tradicionais da Igreja

    Convém que se esclareçam alguns pontos sobre o rito na sua forma extraordinária para que se supere as barreiras que são frutos do desconhecimento dos fiéis e dos próprios membros da hierarquia da Igreja. No folheto que se acessa clicando aqui, são expostos objetivamente, elementos para uma sólida exposição dos argumentos que contribuirão com um reto entendimento e a conseqüente aceitação das propostas assumidas ultimamente pela Igreja, essencialmente no pontificado de Bento XVI. Tais respostas são essenciais para propagar a reta aplicação da atual legislação litúrgica.

    Estratégias de implantação
     

    • De imediato, reuniões com objetivo de avançar nos estudos afins.
    • No momento oportuno, articular a fundação da Pastoral de Liturgia na forma extraordinária na Paróquia.
    • Fomentar a expansão do coral de cantos gregorianos,
    • Congregar os fiéis desejosos da participação da celebração na forma extraordinária, organizando encontros de formação em comunidades;
    • Difusão do conhecimento ora adquirido, através de publicações, artigos em portais locais e programas de rádio, entre outros;
    • Despertar nos fiéis um novo ardor na vivência de práticas devocionais tradicionais.

    Atividades e tarefas a envolver-se
     


    • Manter os devidos contatos e formalizar o intento junto à Igreja.
    • Reuniões deliberativas e organizacionais.
    • Atividades de pesquisa bibliográfica e documental.
    • Estudos frequêntes em grupo objetivando o aprofundamento da doutrina católica, abrangendo toda a temática da liturgia tradicional e suas práticas para embasar uma tomada firme de postura e convicção em todos que desconheciam a fundamentação de cada ponto abordado da doutrina e da disciplina da Igreja em seus documentos formais.
    • Participação efetiva in loco- A experiência ímpar se dá por ocasião de quando a equipe se desloca até a cidade/paróquia mais próxima com o objetivo de buscar informações junto à equipe de liturgia onde já se celebra periodicamente, acerca de tudo o quanto seja necessário conhecer e dominar quanto à pretensão de se reimplantar a celebração da Santa Missa na forma extraordinária, bem como ter a oportunidade para todos assistirem à celebração na citada paróquia.

    Tendo havido pesquisa de campo junto aos membros da equipe de liturgia, do sacerdote celeberante e de fiéis assistentes à Santa Missa na forma extraordinária, revelaram-se dados que demonstram claramente que o perfil dos que buscam tal celebração são de católicos bastante devotados e/ou bem formados doutrinariamente.

    Pode haver inicialmente a Missa celebrada apenas para os primeiros interessados, depois aberta aos demais fiéis, onde se elabora um livreto com a parte fixa e a parte móvel para acompanhamento dos mesmos.
     
    Se há a dificuldade com a língua, é só treinar, pois essencialmente não é preciso aprender toda a língua latina, mas só as respostas.
     
    É possivel montar um ámbum de recorte de registros da mídia nacional e internacional acerca da volta da Missa em latim e da práticas tradicionais, paramentos utilizados pelo sacerdote na Missa Tridentina, fotos da celebração na forma extraordinária, lista dos locais onde já se celebra a Missa nessa forma por todo o Brasil, e folders explicativos produzidos pela equipe, além da disponibilização ao clero de vídeo de exercícios para sacerdotes aprenderem tal celeebração.

    Reuniões avaliativas

    A equipe deve se reunir para avaliação, partilha de conhecimentos e troca de experiências da vivência do grupo durante todo o período das atividades de implantação.

    Dificuldades geralmente enfrentadas para exercer as tarefas

    São geralmente algumas das principais dificuldades a serem enfrentadas:

  • O desconhecimento dos atuais documentos que legislam sobre a matéria, seja por parte dos fiéis, como por parte dos sacerdotes da Igreja local;
  • A oposição de pessoas da Igreja que levantam a bandeira de uma modernização sem critérios, que se torna cada vez mais prejudicial à Igreja em sua caminhada, sobretudo nos últimos 40 anos;
  • A falsa idéia de que a Igreja errou durante 20 séculos em sua vivência das práticas tradicionais, e de que seja errado viver tais práticas hoje em dia.
  • A quase inexistente catequese da Igreja nos dias atuais quanto aos conceitos e valores tradicionais, pois que, em linhas gerais, se vive hoje uma catequese que prega outros valores que, por vezes, se contrapõem à tradição da Igreja.
     
    Avanços no desempenho das tarefas
     
  • A abertura da equipe em acolher aquilo que se revela durante os momentos de estudo como sendo algo de verdade, que infelizmente se desconhecia;
  • O empenho e prontidão em realizar as tarefas necessárias;


  • A abnegação para superação dos entraves.
        
    Talvez maior dificuldade é ter pelo menos um sacerdote disposto e disponível para acompanhar os trabalhos da equipe de pastoral de liturgia na forma extraordinária e capacitar-se para a celebração nesta forma. Esta tarefa talvez demande algum tempo. Empenho, perseverança e muito trabalho são os principais requisitos para esta equipe dar continuidade ao trabalho em vistas dos objetivos a se conseguir.

    Outras Considerações
     
    Busca-se aqui desenvolver com afinco um trabalho que urge ser implementado na nossa Igreja local. A vontade explícita do Santo Padre o Papa Bento XVI expressa em recentes documentos de grande vigor, enfrenta grandes dificuldades para efetivamente serem observadas.

    A forma extraordinária da liturgia da Igreja e sua reta aplicação, bem como a restauração das devoções e práticas tradicionais e observância dos ordenamentos em matéria litúrgica são essenciais para potencializar uma evangelização mais eficaz nos dias de hoje com o engradecimento da fé do povo.

    Vê-se que muitos questionamentos podem ser amplamente dirimidos com respostas concretas: Porque latim? Porque o padre de costas? Tal celebração é muito monótona! O fiel preciso saber falar em latim? Por que mudou? Por que está retornando? O amor à Igreja cresce a cada descoberta.

    A disciplina que rege a liturgia é algo que deve ser seguido com reverência e adesão de espírito. Aqui citamos Bento XVI: "sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios.(CartaAapostólica Motu Proprio Datae Summorum Pontificum)
     
    Nas palavras de Bento XVI temos explícitas pistas acerca dos porquês do retorno da Missa em latim, como no trecho que segue: "...em muitos lugares, não se celebrava de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes se consideravam como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia até ao limite do suportável. Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões. E vi como ficaram profundamente feridas, pelas deformações arbitrárias da Liturgia, pessoas que estavam totalmente radicadas na fé da Igreja". (Carta que acompanha o Motu Proprio Datae Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI aos bispos)
     
    O Santo Padre, reconhecendo os abusos que tão comumente se pratica nas atuais celebrações litúrgicas, diz: "A sacralidade atrai muitos para o uso antigo". Assim, não sem motivo, o Papa acedeu aos anseios dos católicos afetos a uma celebração mais meditativa e com restrições à indevida criatividade litúrgica vivida na prática celebrativa do novo missal, que, nas palavras de Bento XVI, "levou freqüentemente a deformações da liturgia no limite do suportável".
     
    Quando ainda cardeal, Joseph Ratzinger, em conferência aos Bispos chilenos, em Santiago, em 13/7/1988, assim as sintetizou: "Se bem que haja numerosos motivos que possam ter levado um grande número de fiéis a encontrar refúgio na liturgia tradicional, o mais importante dentre eles é que eles aí encontram preservada a dignidade do sagrado".
     
    De fato, pela sua riqueza, beleza, elevação, nobreza e solenidade das cerimônias, pelo seu senso de sacralidade e reverência, pelo seu sentido de mistério, por sua maior precisão e rigor nas rubricas, apresentando assim mais segurança e proteção contra abusos, não dando espaço a "ambigüidades, liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instrumentalizações" (como lamentava o Papa João Paulo II na encíclica "Ecclesia de Eucaristia")

    Precisa-se de muita coragem para encabeçar uma pastoral na forma extraordinária, na atual conjuntura em que se encontra a Igreja. Summorum Pontificum é apenas um marco na história que a providência divina reservou na caminhada da Igreja.

    Eis, pois, o entendimento de que em breve será indiscutivelmente necessária uma pastoral em todas as paróquias, como a que se propõe implantar nesta ocasião.

     
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