quinta-feira, 6 de maio de 2010

Será o número dos eleitos superior ao dos condenados?


O Número dos eleitos

Não têm conta as obras que sobre esta matéria se escreveram. Aqui referiremos apenas o que é certo ou pelo menos muito provável, segundo a maioria dos teólogos.

O mistério relativo ao número dos eleitos

O número dos eleitos é conhecido por Deus: "O Senhor conhece aqueles que são seus" (II Tm 2, 19). A liturgia chega mesmo a dizer que só Ele conhece este número. É o que afirma, também, São Tomás. O fim do mundo chegará quando este número dos eleitos estiver completo e quando a sucessão das gerações humanas já não tiver razão de existir.

Em si mesmo, este número é muito elevado, segundo o testemunho do Apocalipse: "Ouvi o número dos que foram assinalados: cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos dos filhos de Israel... Depois disto, vi uma multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações e tribos, e povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e do Cordeiro, vestidos de branco e tinham palmas nas mãos" (7, 4-9).

Será o número dos eleitos superior ao dos condenados?

Se se contam os anjos e os homens eleitos, o seu número parece que será superior ao dos condenados, diz São Tomás, porque, segundo o testemunho da Escritura e da Tradição, entre os anjos, cujo número é tão elevado como o das estrelas do céu, a maioria permaneceu fiel. Além disso, na natureza angélica, diz São Tomás, o mal atinge apenas a minoria dos casos, porque o anjo, não tendo sentidos nem paixões, não corre o risco, como o homem, de parar numa forma de vida inferior.

Falando-se apenas dos homens (não se sabe, se, dos vários mundos espalhados no espaço, só a terra é habitada), a questão do número dos eleitos é controvertida.

A maior parte dos Padres e dos teólogos inclina-se para o menor número dos eleitos, porque se diz no evangelho: "São muitos os chamados e poucos os escolhidos" (Mt 20, 16; 22, 14). "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. Que estreita é a porta e que apertado o caminho que conduz à vida e quão poucos são os que dão com ele!" (Mt. 7, 13-14).

Todavia, estes textos não são absolutamente comprobatórios. De harmonia com muitos outros, Monsabré nota: " Se estas palavras se referem a todos os lugares e a todos os tempos, a opinião do pequeno número dos eleitos triunfa. Mas é de crer que elas se apliquem, sobretudo e diretamente, ao tempo ingrato da pregação do Salvador; e então, justificam-se perfeitamente pelo pouco fruto desta pregação. Quando Jesus nos quer mostrar o futuro, fala doutro modo. Diz para os discípulos: "Quando eu for levantado da terra atrairei tudo a mim" (João 12m 32). "As potências do inferno não prevalecerão contra a minha Igreja" (Mt. 16, 18). E até se refere aos resultados dos seu último juízo: "Os bons irão para a vida eterna e os maus para o suplício eterno" (Mt. 25, 46). Notai, peço-vos, que ele não determina o número dos bons e dos maus. Sobre este ponto, prefere calar-se; e àqueles que lhe pedem para se pronunciar claramente sobre esta questão: "Senhor, são poucos os que se salvam?", ele contenta-se em responder: "Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque muitos procurarão entrar por ela e não o conseguirão" (Lc 13, 24). Os RIgoristas dir-me-ão, talvez, que Jesus nos esconde aqui o mistério da sua justiça, para não perturbar as almas timoratas; eu, porém, prefiro pensar que ele nos esconde o mistério da sua misericórdia, para evitarmos a presunção".

A opinião comum dos Padres e de todos os teólogos é, sem dúvida que, os que se salvam não representam o maior número. Citam-se em favor deste pressentimento São Basílio, São João Crisóstomo, São Gregório Nazianzeno, Santo Hilário, Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho, São Leão Magno, São Bernardo, São Tomás d'Aquino; e mais recentemente, Molina, São Roberto Belarmino, Suarez, Vasquez, Lessio, Santo Afonso, Mas eles apresentam a sua maneira de ver como uma opinião, e não como uma verdade revelada nem como uma conclusão certa.

No século passado, a opinião contrária, "do maior número dos eleitos", foi defendida por Faber, na Inglaterra, Bougaud, na França e por Castelein, na Bélgica.

As conclusões diferem conforme se atenta na misericórdia ou na justiça de Deus. Nem uns nem outros dão uma certeza; trata-se apenas de razões de conveniência que diferem muito das razões de conveniência invocadas em favor de um dogma já estabelecido pela revelação. Aqui não se trata de uma verdade certa.

Autor: Reginald Garrigou-Lagrange, no livro "O homem e a eternidade".
 

3 comentários:

  1. Não quero aqui fazer nenhum Juizo: Não sou um São Tomás de Aquino(nada mais, nada menos que Doutor da Igreja), Santo Agostinho ou Santa teresinha, mas acho que se encaminha mais para a Passagem: "Senhor, são poucos os que se salvam?", ele contenta-se em responder: "Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque muitos procurarão entrar por ela e não o conseguirão" (Lc 13, 24),mas digo é preferivel como diz o texto evitar a Presunção. Fico com os Santos!

    Um Abraço!

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  2. Será que Deus permitirá que um filho seu se perca, mesmo que este queira? Eis a questão!

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  3. O Espírito Santo diz: 'Quem ama o perigo nele perecerá' (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos.

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