terça-feira, 8 de junho de 2010

Os catequistas e Nossa Senhora


Aos catequistas
por Dom Antônio de Castro Mayer

 
Caríssimos catequistas

Não é preciso insistir convosco sobre a importância que tem, na vida do fiel, e mesmo da Santa Igreja, a devoção a Maria Santíssima, Senhora Nossa. Ninguém de nós tem, neste ponto, a menor sombra de dúvida.

Graças a Deus!

Convém, por isso mesmo, refletir sobre as razões que justificam semelhante persuasão. E quando enunciamos esta conveniência, vem logo à mente o grande privilégio, que faz de Maria Santíssima a mulher singular, a criatura especial e inefavelmente eleita entre os anos e os homens para ser a Mãe de Deus. Neste fato, cheio de amabilíssimos mistérios, se fundamenta o papel que lhe cabe na economia da graça.

Porque Mãe de Deus, Mãe do Redentor, Ela é a corredentora, a Medianeira de todas as graças. Como diz São Bernardo: por vontade de Deus, nenhuma graça desce dos Céus à Terra, sem a mediação de Maria.

Daí que nos importa ter presente o papel de Maria Santíssima na nossa vida, na vida de cada um de nós, enquanto viajores, em peregrinação para o Céu, para o seio de Deus.
Como decorrência do fato de ser Ela a Mãe do Redentor, Maria é não somente nosso guia no nosso caminhar terreno, no qual não podemos errar a estrada; Ela é não somente modelo que devemos imitar; Ela é mais. Ela é quem realiza, quem cria em nós a imagem de Jesus Cristo. Ela é quem nos faz outros cristos, que canaliza para nossas almas o Sangue Divino, que nos concede, alimenta e robustece a vida da graça, vale dizer nossa vida em Jesus Cristo.

Toda esta verdade, densa de substância, exprimimos quando dizemos que Maria é nossa Mãe. Ela é nossa mãe, não como um título extrínseco, como são as mães adotivas. Não. Ela é nossa mãe no sentido pleno da palavra. Pois Ela é quem, com sua maternal proteção, forma em nossas almas a imagem de Jesus Cristo, conformando a nossa vida com a de seu Divino Filho, incorporando-nos assim ao mesmo Jesus Cristo, como parte de seu Corpo Místico.

De maneira que, para nossa própria santificação, devemos viver unidos a Maria Santíssima, consagrados a Ela, entregues ao seu cuidado, como pequeninos que vivem na total dependência de suas mães.

Ora, caríssimos catequistas, sabeis que o êxito de vossa missão na Igreja já está condicionado à vossa santificação. A vós, salvadas as proporções, se aplicam as palavras de Jesus Cristo: "Por eles eu me santifico a mim mesmo". Por vossos alunos, para o bem espiritual de vossas crianças, vós vos santificais. E como essa santificação é indispensável, deveis empregar o meio que torna vossa santificação autêntica e intensa. E esse meio é a entrega total a Maria Santíssima. Ninguém melhor do que Ela sabe formar em nós a Jesus Cristo, porquanto foi Ela escolhida pelo Divino Espírito Santo para formar no seu seio puríssimo a natureza humana do Filho de Deus Encarnado.

Pedi à Virgem Mãe uma participação na sua maternidade divina, para que nossa catequese frutifique nas almas de vossas crianças, fazendo-as conhecer não somente a letra do Catecismo, como, sobretudo, viver de acordo com as verdades nele aprendidas, ou seja, viver amando intensamente a Jesus Cristo, que é o meio que nos leva e torna fácil conformar-nos com sua Vontade, e ajustar nossa vida às suas máximas. Que de vós se possa dizer, com toda a verdade, o que declarou o Divino Salvador: "Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática" (Lc. 11, 28), e noutro lugar: "Todo aquele que fizer a vontade do Pai que está nos Céus, este é meu irmão e minha irmã e minha mãe". Vede: "Minha mãe". É o que devem ser os catequistas – mães, que geram nas almas dos alunos a vida da graça, ou seja, o amor intenso a Nosso Senhor que os leve a fugir do pecado e a praticar a virtude. Que a Virgem Santíssima vos conceda, caríssimos catequistas, parte nesta sua maternidade.

(Fonte: O Pensamento de Dom Antonio de Castro Mayer – Editora Permanência, p. 253-254)
 

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