sexta-feira, 30 de abril de 2010

Para nos firmar na virtude, de tempos em tempos envia-nos Deus securas

As securas são privações das consolações sensíveis e espirituais, que facilitavam a oração e a prática das virtudes. Apesar de esforços muitas vezes renovados, não se sente gosto na oração, experimenta-se nela até enfado, cansaço, e o tempo parece que não tem fim; dir-se-iam adormecidas a fé e a esperança, e a alma, privada de toda a alegria, vive numa espécie de torpor; não opera já senão a golpes de vontade. É este, sem dúvida, um estado sumamente penoso; mas também tem suas utilidades.
 
Quando Deus nos envia securas, é para nos desprender de tudo quanto é criado, até mesmo da doçura que se encontra na piedade, para aprendermos a amar a Deus só, e por si mesmo. Quer também humilhar-nos e mostrar-nos que as consolações são favores essencialmente gratuitos. Com as securas, Deus também nos purifica mais, tanto das faltas passadas como das afeições presentes e de qualquer inclinação egoísta: quando se tem de servir a Deus sem gosto, por convicção e vontade, sofre-se muito, e este sofrimento é expiatório e reparador. Robustece-nos, enfim, na virtude: porquanto, para continuar a orar e a praticar o bem, é preciso exercitar com energia e constância a vontade, e por meio deste exercício é que se fortifica a virtude.
 
Como as securas vêm às vezes das nossas faltas, é preciso, antes de tudo, examinar seriamente, mas sem excessiva inquietação, se delas não somos responsáveis. Isto se dá quando: por certos movimentos mais ou menos consentidos de vã complacência e de orgulho; por uma espécie de preguiça espiritual, ou, ao contrário, por uma contensão de espírito intempestiva; pela busca de consolações humanas, de amizades demasiado sensíveis, de prazeres mundanos, porque Deus não quer nada dum coração dividido; pela falta de lealdade com o diretor, porquanto uma vez que mentis ao Espírito Santo, diz São Francisco de Sales, não é maravilha que Ele vos recuse a sua consolação. – E encontrada a causa destas aridezes, é humilhar-se e esforçar-se por suprimi-la.
 
Se não lhe demos causa, importa utilizar bem esta provação. O melhor meio para o conseguir, é persuadirmo-nos que servir a Deus sem gosto e sentimento é mais meritório que fazê-lo com muita consolação; que basta querer amar a Deus, para o amar, e que, enfim, o ato mais perfeito de amor é conformar a própria vontade com a de Deus. Para tornar este ato mais meritório ainda, não há nada melhor que unir-se a Jesus que, no Jardim das Oliveiras, se dignou sentir o tédio e a tristeza por amor de nós. Mas o que sobretudo importa é não perder nunca o ânimo, nem cercear nada dos seus exercícios, dos seus esforços, da sua resoluções; antes imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo que, mergulhado na agonia, orou mais longamente.

 
Para ser bem compreendida pelos dirigidos esta doutrina sobre as consolações e securas, é necessário repeti-la muitas vezes; porque, apesar de tudo, eles crêem que vão muito melhor, quando tudo corre à medida dos seus desejos, do que quando é necessário remar contra a corrente. Pouco a pouco, porém, faz-se luz; e as almas, que á não se envaidecem no momento da consolação, nem perdem o ânimo no tempo da secura, estão dispostas para fazerem progressos muito mais rápidos e constantes.

 
Adaptado do texto de Adolph Tanquerey na obra "A Vida Espiritual: explicada e comentada"


quinta-feira, 29 de abril de 2010

Gatinhos protestantes


Um camponês apresentou a um pastor dois gatinhos bonitinhos, para que os comprasse, e disse: O sr. Pastor pode comprá-los, são gatinhos protestantes.

O Pastor não os comprou.

Poucos dias depois o camponês ofereceu-os ao Vigário do lugar, dizendo: O Sr. Vigário pode comprá-los, são gatinhos católicos.

- Mas, como é isso? Perguntou o vigário. Na semana passada eram protestantes e agora são católicos?

- Perfeitamente, Sr. Padre, é que na semana passada tinham ainda os olhos fechados; agora porém, tendo-os abertos, já enxergam.

 
(Do livro Comentário Apologético, do P. Julio-Maria)

 

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Lançado romance sobre o Concílio Vaticano II. Será uma estória de imaginação verdadeira, ou verdadeira imaginação?



Sabemos muito bem o que causou "O Código da Vinci", de Dan Brown, o qual se saiu com a alegação de que se tratava de um romance de ficção. Agora, um novo romance envolvendo a Igreja é lançado. Desta feita por uma escritora italiana. O tema: o Concílio Vaticano II.

Pelo menos dentro da Igreja deverá ter alguma evidência. Mas, assim como o romance de Dan Brown, a obra recém-publicada de Rosa Alberioni intitulada "Intriga no Concílio" trata-se de mera ficção, o que não obsta de muitas mentes mirabolarem coisas e mais coisas. Muitas, aliás, com razão de serem miraboladas. É ler pra ver o que esta estória tem de imaginação verdadeira ou se é verdadeira imaginação.

Segue o link da matéria da Agência Zenit:
 
http://www.zenit.org/article-24721?l=portuguese




terça-feira, 27 de abril de 2010

Como, embora absoluta e soberanamente justo, Deus perdoa aos pecadores e tem misericórdia deles com justiça

Mas se tu és absoluta e soberanamente justo, ó Senhor, como podes perdoar aos maus? Como podes tu, suma e plenamente justo, cometer uma injustiça? Mas que tipo de justiça é, pois, essa de conceder a vida eterna a quem, ao contrário, merece a morte eterna? Por que, então, ó Deus bom – bom para os bons e para os maus -, por que salvas os maus, se isto não é justo? E tu não podes cometer injustiça! Será que isso fica para nós oculto na luz inacessível que tu habitas, pois a tua bondade é par nós incompreensível?

Realmente no profundíssimo segredo da tua bondade é que se encontra a nascente donde mana o rio da tua misericórdia. Apesar de tu seres absoluta e supremamente justo, também és benigno com os maus, justamente porque és total e supremamente bom. Serias, pois, menos justo, se não fosses benigno com os maus. De fato, é assaz mais justo aquele que é bom para com os bons e com os maus do que aquele que é bom apenas com os bons. E aquele que é bom, punindo e perdoando aos maus, é melhor que quem os pune apenas.
És, portanto, certamente misericordioso porque és total e supremamente bom. E como é evidente, por outra parte, o motivo por que tu distribuis o bem aos bons e o castigo aos maus, no entanto, torna-se para nós estranho e surpreendente que tu, completa e supremamente justo, sem precisar de nada, concedas os teus bens igualmente aos maus e aos ruins.

Oh! A imensidão de tua bondade, Senhor! Vemos donde brota a tua misericórdia, mas nossa visão não consegue ir mais além! Enxergamos donde mana o rio e não conseguimos divisar a nascente. Tu és, pois, misericordioso para com os pecadores devido à plenitude da tua bondade, todavia, permanece, para nós, escondida, na profundez da tua bondade, a razão por que és misericordioso.

Quando tu distribuis o prêmio aos bons e o castigo aos maus, parece que tu estás seguindo a lei da justiça; porém, quando dispensas aos maus os teus bens,porque assim o exige a tua suprema bondade, torna-se estranho que um ser, sumamente justo, como és tu, possa ter desejado isso. Oh! Misericórdia, com que abundante suavidade e com que suave abundância chegas até nós. Oh! Imensa bondade de Deus, com que grande amor os pecadores devem amar-te!

Com efeito, tu, Deus, salvas os justos com justiça os condena. Uns devem a sua salvação aos seus merecimentos, e outros a conseguem apesar das suas faltas. É porque nos primeiros tu reconheces o bem que lhes doaste e nos segundos perdoas o mal que odeias. Ó bondade imensa, que tanto excedes toda inteligência, faze com que recaia sobre mim a tua misericórdia, que procede de tão imensa riqueza! Que penetre em mim o que emana de ti: que a tua clemência me perdoe; e não te vingues segundo a justiça!

Embora, portanto, seja difícil compreender como a tua misericórdia possa separar-se da tua justiça, vemo-nos, todavia, obrigados a crer que o que emana da tua vontade nunca conflita com a justiça, que nunca se separa da tua bondade, mas com ela está sempre unida. Então, se tu és misericordioso porque és sumamente bom, e és sumamente bom porque sumamente justo, deve-se admitir que és verdadeiramente misericordioso porque és sumamente justo.

Ajuda-me, ó Deus, justo e misericordioso. Ajuda-me, pois busco a tua luz. Ajuda-me para que compreenda plenamente aquilo que digo.

Tu és verdadeiramente misericordioso porque és justo. Então a tua misericórdia nasce da tua justiça? Ou será por causa da tua própria justiça que perdoas aos pecadores? Se for assim, ó Senhor, ensina-me como isso possa acontecer. Ou será, talvez, pelo fato de que é justo que tu sejas tão bom até o ponto de que não possas ser concebido melhor e, também justo que operes com um poder tão grande para que não possas ser pensado mais poderoso? Haveria algo mais justo que isso? Certamente isso não aconteceria se a tua bondade consistisse apenas em premiar e não, ainda, em perdoar, e se tu tornasses bons somente os bons e não, também, os maus. É, pois, por este motivo que é justo que perdoes aos pecadores e que tornes bons também os maus.

Finalmente: aquilo que é feito sem seguir a justiça não deve ser feito; e o que não deve ser feito [se for feito] é contra a justiça. Se tu, portanto, te compadecesses dos maus, contra a justiça, é claro que não o devias fazer; e se tu não devesses ter misericórdia deles [e se a tivesses], tu serias misericordioso injustamente.

Ora, um raciocínio dessa espécie é falso; porém, é lícito crer que tu te compadeças dos maus sem ferir a justiça.

Santo Anselmo de Cantuária. Proslógio, cap. X.
Santo Anselmo, São Paulo: Nova Cultural, 2005, pp.143-146.

Como Deus castiga com justiça e como, com justiça também, perdoa os maus

Entretanto, é justo, também, que tu castigues os maus. Haverá, pois, algo mais justo do que os bons receberem o bem e os maus o castigo? Com, então, pode ser justo ao mesmo tempo que tu castigues os maus e lhes perdoes? Ou será que, sob certo aspecto, tu castigas os maus com justiça e, sob outro, lhes perdoas, igualmente, com justiça? Com efeito, é justo que tu castigues os maus, pois o mereceram; mas é, também, justo que lhes perdoes, não em virtude dos méritos, que não têm, e , sim, porque isso condiz com a tua bondade. Ao perdoares aos maus, tu és justo em relação a ti mesmo, não a nós, assim como és misericordioso em relação a nós, e não a ti.

Com efeito, ao salvar-nos, quando, com toda justiça, poderias nos condenar, és misericordioso, não porque tu experimentas um afeto, coisa esta estranha à tua natureza, mas para que nós percebamos o efeito da tua bondade. Da mesma maneira és justo não porque tu operas em virtude daquilo que é condizente com a tua bondade suprema.
Desta forma, portanto, não há contradição em dizer que tu castigas e perdoas sempre com justiça.
Santo Anselmo de Cantuária. Proslógio, cap. X.
Fonte: Santo Anselmo, São Paulo: Nova Cultural, 2005, p.146.
 

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Meu texto sobre a Pedofilia


por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Relutei muito em escrever sobre o tema. A coisa é grave, mas vejo que há problemas cujas soluções são bem mais complexas de serem encontradas para a Igreja.

Mas, enfim, faltava o meu texto sobre os casos dos padres pedófilos. Pois bem, aqui vai ele.

Conheço alguém que se decepcionou com a má atitude de um padre e por conta disso deixou a Igreja. Deixou de ser católico porque entendeu que já não tinha sentido ouvir o sermão da boca de um homem que fez aquilo que o padre fez.

Essa pessoa se apegou demais às criaturas! E afastou-se do Criador.

Sabe qual a consequência disso? Ela deixou de acreditar nas verdades católicas para acreditar nas mentiras de uma falsa doutrina da qual hoje é seguidora.

Já vi em noticiários que tem muita gente que se diz católico e que estaria deixando a Igreja por conta dos casos dos padres pedófilos.

Ora, pessoal!

O número de casos de padres pedófilos não abala minha fé.

A verdade da presença real de Cristo na Eucaristia não passou a ser mentira por causa dos padres pedófilos.

A Santa Missa continua sendo o calvário de Cristo tornado presente, e não passará a ser outra coisa por causa dos padres pedófilos.

A Igreja Católica continua sendo a única Igreja de Cristo, e não deixará de sê-la porque uma grande parte da mídia, jornalistas, repórteres e comentaristas utilizam tais casos para tentar incutir nas pessoas a idéia contrária.

O Papa continua sendo o representante de Cristo na terra, ainda que bispos e mais bispos renunciem por seus envolvimentos nos casos de pedofilia.

Enfim, a doutrina católica não mudou um milímetro sequer por causa dos padres pedófilos. Nem vai mudar. Os erros desses membros da Igreja não tem relação nenhuma com as verdades católicas herdadas de Cristo, confiadas aos apóstolos e seus sucessores.

Quem é convictamente católico, verdadeiramente católico por graça de Deus, não tem sua fé abalada. Por que tudo isso em nada muda nas verdades de fé em que se deve acreditar.

A Igreja Católica continua sendo a única Igreja de Cristo.

Podem vir à tona todos os casos de padres pedófilos que possam existir em seu seio.
As verdades da doutrina católica continuarão sendo verdades.

Vou, pois, continuar sendo católico, e rezar por todos, para que consigam vencer seus pecados.

Pronto! Falei sobre a pedofilia. Agora vou continuar combatendo o bom combate em casos que têm consequências maiores . E contra a doutrina tradicional da Igreja são muito mais padres e bispos envolvidos.

 

A mais perfeita criatura


O que Deus, perfeitíssimo, poderia fazer com máxima perfeição?

Ora, a forma verbal "poderia" não é aplicável a Deus, que pode tudo. Se ele já consumou sua criação, a criatura mais perfeita que se pode criar, foi criada: Nossa Senhora, nossa mãezinha do céu.
 
Trago aqui a transcrição de um texto de Hélio Drago Romano que expõe magnificamente essa verdade:

 
"É possível? Teria sido possível? Será possível? Questiona-se a possibilidade no passado, presente e futuro.
Questionamento inválido se relativo a Deus. Deus é onipotente e não é sujeito a mudanças. Não é causado, nem condicionado. Não se lhe aplica o futuro do pretérito. Não há impossibilidade para quem tudo é possível. A impossibilidade fica do lado do objeto. Não é possível o contraditório, seja lógico, seja ontológico, pois se exclui da verdade e do ser; tal um círculo quadrado.

Assim, não se quer questionar qual a mais perfeita criatura "poderia" Deus ter criado. Afirma-se não haver mais perfeita criatura, real ou possível, do que Nossa Senhora.
Um ente é principalmente o que nele há de mais perfeito. É Nossa Senhora filha do Pai; mãe do Filho; esposa do Espírito Santo. Uma só pessoa humana, três relações com as pessoas divinas.

Não há maior participação, nem mais perfeita semelhança com a Santíssima Trindade. Excluída a natureza humana de Cristo, nada criado pode ser mais perfeito".(Fonte: Romano, Hélio Drago. Anotações II. Rio de Janeiro: Edições Eletrônicas Permanência, 2003, p.56.)

sábado, 24 de abril de 2010

Nada leias para parecer mais douto ou mais sábio


"Nada leias para parecer mais douto ou mais sábio. Mas estuda o modo de mortificar tuas paixões, e isto te será mais útil que o conhecimento das questões mais dificultosas. Por mais estudo que faças, por mais ciência que tenhas, convém-te sempre voltar a mim como ao único princípio e fim de todos os conhecimentos. [...] Eu sou aquele que, num instante, levanto o entendimento humilde, para que entenda mais razões da verdade eterna que se tivesse estudado nas escolas por espaço de dez anos. [...] Os livros falam a todos a mesma linguagem; mas ela não produz em todos as mesmas impressões; porque eu só ensino a verdade interiormente, esquadrinho os corações, penetro os pensamentos, excito a obrar e distribuo a cada um meus dons segundo me apraz". (Imitação de Cristo)




Oração de S. Padre Pio para depois da Comunhão


Permanecei, Senhor, comigo, porque é necessária a Vossa presença para não Vos esquecer. Sabeis quão facilmente Vos abandono.
Permanecei, Senhor, comigo, pois sou fraco e preciso da Vossa força para não cair tantas vezes.
Permanecei, Senhor, comigo, porque Vós sois a minha luz e sem Vós estou nas trevas.
Permanecei, Senhor, comigo, pois Vós sois a minha vida e sem Vós esmoreço no fervor.
Permanecei, Senhor, comigo, para me dares a conhecer a Vossa vontade.
Permanecei, Senhor, comigo, para que ouça a Vossa voz e Vos siga.
Permanecei, Senhor, comigo, pois desejo amar-Vos muito e estar sempre em Vossa companhia.
Permanecei, Senhor, comigo, se quereis que Vos seja fiel.
Permanecei, Senhor, comigo, porque, por mais pobre que seja minha alma, deseja ser para Vós um lugar de consolação e um ninho de amor.

Permanecei, Jesus, comigo, pois é tarde e o dia declina... Isto é, a vida passa, a morte, o juízo, a eternidade se aproximam e é preciso refazer minhas forças para não me demorar no caminho, e para isso tenho necessidade de Vós. Já é tarde e a morte se aproxima. Temo as trevas, as tentações, a aridez, a cruz, os sofrimentos, e quanta necessidade tenho de Vós, meu Jesus, nesta noite de exílio. Permanecei, Jesus, comigo, porque nesta noite da vida, de perigos, preciso de Vós.

Fazei que, como Vossos discípulos, Vos reconheça na fração do pão, isto é, que a comunhão eucarística seja a luz que dissipe as trevas, a força que me sustente e a única alegria do meu coração.

Permanecei, Senhor, comigo, porque na hora da morte quero ficar unido a Vós, senão pela comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
Permanecei, Jesus, comigo, não Vos peço consolações divinas porque não as mereço, mas o dom de Vossa presença, ah! Sim, vo-lo peço.
Permanecei, Senhor, comigo, é só a Vós que procuro, Vosso amor, Vossa graça, Vossa vontade, Vosso coração, Vosso Espírito, porque Vos amo e não peço outra recompensa senão amar-Vos mais. Com um amor firme, prático, amar-Vos de todo o meu coração na terra para continuar a Vos amar perfeitamente por toda a eternidade.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Acometimento das almas purgandas

Queimando e sentindo dor
de forma serena e calma.
Eis por que passa uma alma
no estado purgador.

Morreu em leve pecar
Mas por pequeno que seja
Dele livre a alma esteja
Para ao céu se integrar.

Por menor que tenha sido
seu pecado ao morrer,
vai aí permanecer
até tê-lo extinguido

E sofre de modo terno
o tempo que for preciso.
Se se abrir o Paraíso
antes, quer ir ao inferno.

Ela não quer ir manchada
estar com Deus face a face,
passe o tempo que passe
quer a pureza selada.

Pelos anjos consoladas
e certas da salvação,
dali para o céu irão
quando enfim purificadas.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Gozo das almas benditas

Do livro "A Conversão do Poeta", de Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho


Almas cercadas de bem.
Odores perfumadores.
Gozo, perfeitos amores
pelo infinito além.

Melhor de todos lugares
e que todas sensações.
Haverá transformações:
terra, céu, também os mares

para os santos habitarem
ladeados de encanto.
Haverá por todo canto
cada bem que suportarem.

Cada bem será vivido
muito mais que o bem maior
dessa terra.  Bem melhor,
por melhor que tenha sido.

Tudo é deslumbramento
por tudo que acontece.
Nada lá se esmaece,
é um eterno momento.

Eis que aceitaram Deus
e por Deus recompensadas.
Hoje são almas ornadas,
justos destinos os seus.

E eu disse pouco...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Agonia das almas perdidas

Do livro "A Conversão do Poeta", de Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho 


Almas cercadas de lama.
Odores putrefadores.
Dores, piores horrores.
Só há ódio, não se ama.
 
Queimam sem se consumir.
Choram sem se consolar.
E põem-se a gritar.
Clamores pra quem ouvir?
 
Companhia do demônio.
Tormentos o tempo inteiro.
Não é nada passageiro,
não se acorda, não é sonho.
 
As trevas pra habitar.
Falta luz, mas vê-se o mal
que está em cada qual
das almas de tal lugar.
 
Tudo é aterrador.
Não sorriem, não há como.
Nem se alegram, não há como.
Só se vive imensa dor.
 
Pois abandonaram Deus.
Eis porque abandonadas.
Hoje são almas danadas,
justos destinos os seus.
 
E eu não disse tudo...

O Limbo: felicidade natural?



por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Não se tem que questionar a existência do Limbo, mas ir em busca do que se dá com a alma que lá está ou, ainda, se é um local permanente ou temporário.

O limbo é o lugar para onde vão as almas dos que possuem apenas o pecado original, que por isso mesmo (por possuir o pecado original) não terão a visão beatífica de Deus. Serão afastadas de Deus. Mas, o afastamento de Deus é o que caracteriza o Inferno.

Evoca-se daí o entendimento que apresenta parecer ser mais sensato: o de que o limbo faz parte do inferno, o qual, dispondo de penas desiguais, tem no limbo o local mais ameno.

Pode-se defender que mesmo não há punição no limbo, pois Deus não castiga quem não tem pecado pessoal. Passa-se, então, a conceber a existência de uma certa felicidade natural como sendo o estado da alma que se encontra no limbo.

Aceitando-se que no limbo não há punição, evidencie-se também que não há premiação. Outrossim, há a impossibilidade de ver a Deus.

A salvação é um prêmio que Deus, por sua justiça, dá aos justos. É Insensatez aceitar que uma alma manchada com o pecado original veja a Deus em tal condição.

Fora temporário o Limbo dos Patriarcas, pois os justos que viveram antes de Cristo e se encontravam lá até a sua morte, foram levados por Ele ao céu na ressurreição. Com isso, abre-se espaço para uma corrente teológica que admite que Deus possa fazer o mesmo com o Limbo das Crianças. Na consumação dos tempos será dado às almas que lá estejam a oportunidade de optar ou rejeitar definitivamente a Deus. É o que expõe tal tese, que se sente reforçada quando se evidencia que Deus não condenará aquele que não tiver pecado pessoal. Sendo uma ação direta de Deus, é aceitável caracterizar tal acontecimento como sendo o próprio Deus a batizar, pois que, sem o batismo, não se vai ao céu.

A alma no limbo, por não ter conhecido o plano de Deus, não deseja a Deus como aqueles que souberam de Deus. Os que souberam de Deus podem imaginar a doçura da vida com Deus, e ao perderem-se sofrem mais potencialmente tal pena. Em sua visão restrita, a alma no limbo vive uma acomodação ou "satisfação", pois, não sofre penas de castigos provenientes de pecados individuais, mas também não sente falta da alegria que perdeu.

Essa é a visão das próprias almas do Limbo, pois que, na visão das almas gloriosas, se vê quanto sofrimento se dá com a privação de Deus. Podemos comparar àquele experimento quando se coloca uma mão na água fria e outra na água quente e, depois, as duas na água morna. A água morna se apresenta quente e fria ao mesmo tempo, sendo que ela está, na realidade, morna. Ora, diante da água fria, a água morna está quente. Mas, se não tem nenhum referencial, a água está simplesmente morna, uma analogia da chamada felicidade natural do limbo, que seria bem conveniente caracterizá-la como uma pura e total acomodação ao seu estado.
 

terça-feira, 20 de abril de 2010

Os conceitos na história: significados de ontem nos dias de hoje

por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Por Epiteto sabemos que não são os fatos que abalam os homens, mas sim o que se escreve sobre eles. Entre a história dos conceitos e a história social sempre houve atritos, pois duas visões se depreendem. Os textos e as terminologias filosóficas formados a partir do mesmo fato não correspondem sempre ao significado deles extraídos, o que faz remontar os tais eventos acontecidos sob um enfoque diferente.

Mas uma sociedade se move sob conceitos comuns, pois isso favorece a unidade política, embora os termos mais essenciais sejam de grande complexidade. É importante notar que cada época criou conceitos próprios que passaram a ser vivenciados posteriormente, fazendo-se necessário que se tome posse de todo o contexto de suas origens. Está claro que o sentido exato só será extraído devidamente a partir do contexto.

No campo da semântica, o ponto de vista principal acerca do conceito está voltado para o presente. A exegese do texto revela que os conceitos assumem uma significação que potencializa sua importância de caráter social e histórico.

Em todo caso, é preciso estabelecer uma exigência mínima quanto à metodologia, pois é preciso entender os conflitos sociais e políticos que aconteceram em gerações antepassadas, através dos restritos conceitos usados por elas. Põe-se em relevo que uma análise histórica dos conceitos não deve se limitar à história da língua, pois toda a semântica se relaciona a conteúdos que ultrapassam a dimensão lingüística. É a partir do levantamento dos significados passados dos termos e conceitos que se monta uma base para se atingir a significação equivalente para os tempos atuais.

É reconhecida como uma manobra bastante utilizada o emprego de novos termos com dúbia interpretação para mutilar determinado conceito diante da sociedade. A busca do historiador visa também entender por quanto tempo permaneceu inalterado o conteúdo de determinada forma lingüística, quando foi alterado e de que modo, pois que também isto tem relevância para os resultados da pesquisa histórica.

Como exemplo da evolução dos conceitos na história, tomamos o termo "democracia" que, bem definidamente, assumiu seguramente diferentes significações consideradas no contexto histórico. Eis que os processos de permanência, transformação e inovação devem ser avaliados para que a história dos conceitos, seguindo seus métodos, possa fornecer os devidos indicadores para a história social.
 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Resultado da Cruzada para Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria



Mais de 18 milhões de rosários já estão contabilizados na Cruzada motivada pela Fraternidade São Pio X para pedir a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria pelo Papa e Bispos do mundo inteiro. É o que informa a DICI.

Ainda não foram recolhidos todos os resultados. Entre os países que mais colaboraram está os Estados Unidos, com mais de 5 milhões de recitações.

Àqueles que se uniram nas orações, que permaneçam no bom combate.

Proposta de Implantação da Pastoral de Liturgia do Rito Extraordinário


por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Aceitando-se que são     diversos os graus de assimilação da crise, e entendendo-se que o seu enfrentamento passa por várias etapas, estamos disponibilizando um roteiro argumentativo-expositivo de bastante utilidade para uma primeira investida de grupos de fiéis que desejam articularem-se junto a padres, párocos e bispos, objetivando a obtenção da celebração da Santa Missa conforme o Missal de 1962, em sua paróquia/diocese.

*      *      *


 
Proposta de Implantação da Pastoral de Liturgia do 
Rito Extraordinário
 
Ainda vivendo sob o viés de uma Igreja amplamente influenciada pelo modernismo, empreende-se aqui a iniciativa de se elaborar e desenvolver uma ação no âmbito pastoral dos leigos, com um trabalho voltado aos católicos ditos tradicionais, assim chamados por assumirem uma postura devocional advinda das tradições da Igreja. Tais fiéis, por assim se portarem, se tornaram como que peça fora de sintonia nas ações litúrgicas da Igreja após a reforma de 1970, mas, por ocasião da promulgação do Motu Proprio Summorum Pontificum, em 2007, estão agora aclaradamente acobertados pelos documentos formais da Igreja e assim devem ser acolhidos em seus anseios, sobretudo acerca da celebração eucarística.
 
Panorama histórico

Eis, pois, que a partir de 1970, com o acontecimento da reforma litúrgica proposta pela Sacrossanctum Concilium, viu-se na Igreja grande mobilização junto aos fiéis em vistas de se viabilizar uma transição tranqüila, onde se passaria da antiga forma de se celebrar a Santa Missa conforme o missal codificado por São Pio V, para o que foi aprovado no Novus Ordo Missae por Paulo VI. A criação de uma vasta rede de iniciativas de cunho pastoral foi necessária para que o mundo católico compreendesse bem e de fato assumisse prontamente a nova forma de vivenciar o culto devido a Deus na celebração eucarística.
 
Os fiéis em tal momento não estavam sendo "contemplados" com a opção de terem uma segunda forma que se dispunha para o rito da Missa, pois que, na prática que se instaurou na Igreja a partir de então, o que se viu foi que aquela forma de celebrar a eucaristia assumida e desenvolvida desde os tempos apostólicos foi sendo substituída completamente para a forma de celebrar seguindo o novo missal. Excetuando-se poucos grupos que se negaram o seguimento proposto, o mundo foi rapidamente levado a celebrar e participar da Missa na nova forma.

A promulgação do Motu Proprio Summorum Pontificum
 
Quase quarenta anos depois da reforma, levando em conta as experiências vividas e as reflexões acumuladas pelo magistério, o Papa Bento XVI reconhece em 07 de julho de 2007 através do Motu Próprio Summorum Pontificum a plena licitude com que se celebrava e com que se pode continuar celebrando a Santa Missa seguindo as rubricas litúrgicas anteriores à reforma litúrgica de 1970. Anexo a tal documento, o Santo Padre emitiu também uma carta aos bispos do mundo inteiro com orientações para a reta aplicação das regulamentações que ora promulgava, a fim de se ter na Igreja uma sadia e proveitosa convivência por todos naquilo que denominou de Forma Ordinária e de Forma Extraordinária da Celebração Litúrgica.

Justificativa
 
Posto que, atualmente, a Igreja conta com a normatização de duas formas de celebração da liturgia no rito romano, pode-se, em um rápido panorama, resumir como se encontram segmentados os fiéis católicos de hoje nesse aspecto da participação da celebração litúrgica:


  • Há católicos perfeitamente adaptados ao Novus Ordo Missae, os quais entendem ter uma vivência coerente e que vivem satisfeitos com tal forma de celebração, não externando qualquer indicativo de participação na forma extraordinária;


  • Mas, há também católicos que não se adaptaram plenamente ao Novus Ordo Missae, ou que, se dada a possibilidade de opção, optariam mais freqüentemente pela participação na forma anterior à reforma.
Ora, quarenta anos são mais que suficientes para atingir seriamente o repasse de valores que eram transmitidos de pai para filho, pela tradição das famílias cristãs. Hoje, temos uma geração dos mais idosos, já quase totalmente esquecida do modo de se participar integralmente da Santa Missa na forma antiga, e uma geração de jovens que, não tendo tido nenhum contato com tal liturgia, se vê desprovida de vivencias afetas próprias dessa tradição.
 
A maior proposta aqui, então, é a de confluir os fiéis que já se encontram conscientes de lhes ter licitamente disponibilizada a celebração na forma extraordinária, congregando-os com aqueles que, ignorando tal abertura da Igreja, trazem em si um amplo desejo, ainda que implícito, de tal participação, conduzindo-os a formações que os capacitem suficientemente para participarem da Santa Missa com a liturgia em sua forma extraordinária. A implantação de tal serviço pastoral terá, pois, de início, a articulação e criação de uma equipe de liturgia para trabalhar essencialmente com o Missal da edição de 1962, para então partir-se para a realização de alguns encontros de formação com a comunidade, podendo ter sua culminância com a reintrodução da celebração dessa natureza em cada paróquia.
    
Porque é necessário esse trabalho pastoral?
 
O ideal seria que a atual pastoral de liturgia abrangesse também o rito na forma extraordinária. Porém, vê-se que isso se torna mesmo inviável pois, tais equipes, em sua grande maioria, não estão dando conta nem mesmo de atuar certeiramente com a forma ordinária, tendo em vista a constatação de imensos abusos que motivam freqüentes intervenções reguladoras e de advertência da Santa Sé, através da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para o Culto Divino, como se verificou com a Instrução Redemptionis Sacramentum que, infelizmente, poucos conhecem.

Além disso, não se tem ouvido das equipes que ora trabalham com liturgia, a intenção de elas mesmas abrangerem tal função, pois que é comum terem uma imagem por demais complexa da aplicabilidade da forma extraordinária. Na prática, tem se experimentado exatamente o contrário, pois já são inúmeras as iniciativas que lograram êxito na implantação da celebração na forma extraordinária em diversas dioceses espalhadas por todo o Brasil.
 
A efetiva consumação da implantação da Pastoral de Liturgia do Rito na Forma Extraordinária também deve favorecer um repensar das atuais equipes de liturgia que trabalham com o rito na forma ordinária, motivando-os a adequar-se ao que explicita as rubricas litúrgicas específicas.
 
O que recai quando não se dispõe de uma pastoral para estes fiéis mais tradicionais

Ao se terem disponibilizadas somente Missas celebradas e participadas no rito na forma ordinária onde há saturação de cantos de ritmos megainculturados, palmas e outros tantos elementos, imagina-se como se devem sentir aqueles fiéis que desejam ouvir cantos mais suaves e meditativos como os gregorianos, que buscam receber a comunhão de joelhos e na boca, e participam da Missa com gestos potencialmente de recolhimento. Tal situação notoriamente acabará por estabelecer incômodo e insatisfação a esses fiéis, onde eles se verão diferentes dos demais, ainda que todas suas práticas devocionais sejam plenamente autorizadas, motivadas e indicadas pelas rubricas litúrgicas. Geralmente, em número menor na assembléia de fiéis, eles se vêem apontados, questionados, e por vezes taxados de ultrapassados, sem o serem. Apenas, optam por vivenciar o momento da Santa Missa da forma que mais lhes agradam entre as propostas lícitas aprovadas e indicadas pela Igreja. Aqui o número não faz a verdade, e a Igreja sabe disso, por isso deve dar amplo assentimento e aceder ao desejo desses fiéis.
 
Fundamentação
 
Para uma boa fundamentação sobre o assunto é necessário um aprofundamento dos fatos históricos, bem como, por se tratar de tema da disciplina do culto a Deus, deve-se pautar na palavra formal da Igreja presente nos diversos documentos magisteriais.

É imprescindível a consulta, então, a diversas encíclicas, catecismos, bulas e cartas apostólicas que tocam o tema. Alguns autores e teólogos podem também ser objeto de consulta a título de captar as diferentes visões extraídas das expressões formais da Igreja. Devem ser acessados livros, revistas, enciclopédias e boas páginas da Internet que podem dar suporte a este trabalho pastoral. Porém, para uma abordagem sensata sobre a temática proposta exige-se pelo menos e essencialmente o conhecimento em dois aspectos: o histórico do desenvolvimento litúrgico desde os primórdios do cristianismo, e os textos da legislação expressa em dois documentos magisteriais: a Bula Quo Primum Tempore, de Pio V, que canonizou a forma litúrgica adotada desde o Concílio de Trento, e o Motu Próprio Summorum Pontificum, de Bento XVI, que reconheceu a plena licitude da celebração tridentina.
 
Como se deu a evolução da liturgia no culto a Deus
 
A essência da Celebração da Santa Missa ensinada pelo próprio Cristo no Cenáculo recebeu durante a maior expansão da Igreja primitiva uma incorporação de ações litúrgicas que culminaram por montar uma verdadeira cerimônia religiosa, pois que a simples repetição dos gestos da Quinta-feira Santa unida a um conjunto de ritos tornou-se a expressão maior do culto devido a Deus.
 
Fazem alusão a essa evolução da liturgia a Didaqué – doutrina dos doze apóstolos, a primeira epístola de Clemente aos Coríntios, a Epístola de Barnabé, as cartas de Santo Inácio, de São Justino, de Santo Irineu, e outros.

No decurso dos três primeiros séculos da era cristã, iriam se cristalizar alguns ritos típicos em conformidade com o gênio particular de cada povo. Todos os ritos eram rigorosamente idênticos quanto ao essencial, porque fluiam da instituição de Cristo aos apóstolos. O padre realizava "ISTO" que o Senhor realizara na Ceia.

O rito romano, que de origem era celebrado somente em roma, era o tronco comum original de todos os ritos e se estendeu por todo o ocidente a partir do século VIII, tendo sido imposto definitivamente em todo o Ocidente entre os séculos XI e XII.
 
As partes imutáveis da liturgia – o ofertório, o cânon, a fração e a comunhão – que estão diretamente ligados ao ato do Sacrifício, se ajuntavam aos outros que completavam e ornamentavam sua significação religiosa. A Igreja provou de mil anos de pacífica convivência e harmonia litúrgica a santificar milhões de almas, até que surgiu Lutero e seus equívocos, que muito prejuízo causou à autêntica prática litúrgica. Foi então que o Concílio de Trento dogmaticamente repugnou tal proliferação de abusos que favoreciam heresias. O Papa São Pio V, pelas decisões do concílio, realizou então a unificação dos Missais, purificando-os de qualquer erro, reconduzindo o rito romano ao tipo original e tornou-o obrigatório para todos, respeitando, no entanto, os costumes legítimos.
 
O alcance jurídico da Bula Quo Primum Tempore (Extraído do Estudo histórico-litúrgico do Missal Romano do Pe. Raymond Dulac)
 
Foi o texto da Bula Quo Primum Tempore, promulgada em 1570 pelo Papa Pio V, que canonizou a chamada Missa Tridentina. Poucos são os documentos magisteriais que expressam tamanho vigor jurídico em sua letra. Dela se lê em alguns excertos:
  • "E a fim de que todos, e em todos os lugares, adotem o observem as tradições da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, decretamos e ordenamos que a Missa, no futuro e para sempre, não seja cantada nem rezada de modo diferente do que esta, conforme o Missal publicado por nós." (Papa Pio V, Bula Quo Primum Tempore, nº 6.)

  • Além disso, em virtude de Nossa Autoridade Apostólica, pelo teor da presente Bula, concedemos e damos o indulto seguinte: que, doravante, para cantar ou rezar a Missa em qualquer Igreja, se possa, sem restrição seguir este Missal com permissão e e poder de usá-lo livre e lícitamente, sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nehuma pena, sentença e censura, e isto para sempre." (Papa Pio V, Bula Quo Primum Tempore, nº 8);

  • "... a presente bula não poderá jamais, em tempo algum, ser revogada nem modificada, mas permanecerá sermpre firme e válida , em toda a sua força". (Papa Pio V, Bula Quo Primum Tempore, nº 9);

  • "Assim, portanto, que a ninguém absolutamente seja permitido infringir ou, por temerária audácia, se opor à presente disposição de nossa permissão, estatuto, ordenação, mandato, preceito, concessão, indulto, declaração, vontade, decreto e proibição. Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições, saiba que incorrerá na indignaçãode Deus Todo-poderoso e de seus bem aventurados apóstolos Pedro e Paulo". (Papa Pio V, Bula Quo Primum Tempore, nº 14);

    São legítimos tais ordenamentos da Igreja, e querer entender doutra forma os explícitos desejos do Papa Pio V, senão aqueles que tão magnificamente são expressados literalmente neste documento.
  • O que contempla o Motu Proprio Summorum Pontificum

    Fruto de muitas reflexões e consultas, o texto deste documento pontifício no qual o Papa como que assume inteiramente a responsabilidade para si, por ser ele aquele que liga na terra o que se liga no céu.

    Do Motu Proprio Summorum Pontificum e da carta que o acompanha, escrita pelo Papa Bento XVI para enfatizar o reto seguimento que se exige do documento, podemos extrair alguns pontos essenciais:
  • "... pondo nossa confiança no auxílio de Deus, pela presente Carta Apostólica, DECRETAMOS o seguinte: O Missal Romano promulgado por Paulo VI deve ser considerado como a expressão ordinária da lei da oração (lex orandi) da Igreja Católica de Rito Romano, enquanto que o Missal Romano promulgado por São Pio V e publicado novamente pelo Beato João XXIII como a expressão extraordinária da lei da oração ( lex orandi) e em razão de seu venerável e antigo uso goze da devida honra".

  • "... é lícito celebrar o Sacrifício da Missa de acordo com a edição típica do Missal Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962 e nunca anulado, como a forma extraordinária da Liturgia da Igreja."

  • "Para a celebração segundo um ou outro Missal, um sacerdote não requer de nenhuma permissão, nem da Sé Apostólica nem de seu Ordinário."

  • "Se Comunidades ou Institutos de Vida Consagrada ou Sociedades de Vida Apostólica de direito pontifício ou diocesano desejam ter uma celebração da Santa Missa segundo a edição do Missal Romano promulgado em 1962 em uma celebração conventual ou comunitária em seus próprios oratórios, isto está permitido."

  • "Em paróquias onde um grupo de fiéis aderidos à prévia tradição litúrgica existe de maneira estável, que o pároco aceite seus pedidos para a celebração da Santa Missa de acordo ao rito do Missal Romano publicado em 1962."

  • "Que o pároco permita celebrações desta forma extraordinária para fiéis ou sacerdotes que o peçam, inclusive em circunstâncias particulares tais como matrimônios, funerais ou celebrações ocasionais, como por exemplo peregrinações."

  • "Onde um grupo de fiéis laicos, mencionados no art. 5§1 não obtém o que solicita do pároco, deve informar ao Bispo diocesano do fato. Ao Bispo lhe solicita seriamente aceder a seu desejo. Se não puder prover este tipo de celebração, que o assunto seja referido à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei."

     
    Podemos fazer uma analogia entre a Bula Quo Primum Tempore e o Motu Proprio Summorum Pontificum e entender que, tanto Pio V como Bento XVI, estavam convictos da necessidade de se ordenar a matéria litúrgica. O texto que expuseram formalmente nesses documentos restabelece a ordem, porém observamos que a bula foi plenamente abraçada por todos da Igreja por ocasião de sua publicação, enquanto o motu proprio sofre oposição e mesmo insubordinação pela grande parte de membros da Igreja.
     
    Observação diagnóstica

     
    Verifica-se notoriamente que as atuais equipes de liturgia não têm apresentado interesse em contemplar devidamente também em seus trabalhos a forma extraordinária da Celebração Eucarística. Se os católicos em 1970 foram conduzidos a aprender a participar da Missa com tais mudanças litúrgicas, porque não oferecer também hoje o acompanhamento devido àqueles que desejam novamente participar da Santa Missa como a conheceram? É, pois, necessário relembrar aos mais idosos, e mesmo ensinar aos mais jovens a riqueza litúrgica da forma extraordinária, reconhecida por Bento XVI. Se se teve grande mobilização na mudança de 1970, agora tais fiéis merecem também da Igreja aquilo que lhes aceda ao desejo. É o que recomenda o Papa.
     
    Quanto aos usos e práticas tradicionais da Igreja, existem alguns mitos e incompreensões que mais refletem por vezes um desmerecimento de seus valores ou, mais propriamente, o desconhecimento do que motiva a sua prática. Tais tradições estão intrinsecamente ligadas à vivência e participação no rito tridentino, e assim contribuem para sua maior solenidade.

    Esclarecendo algumas questões acerca da Missa de São Pio e as práticas tradicionais da Igreja

    Convém que se esclareçam alguns pontos sobre o rito na sua forma extraordinária para que se supere as barreiras que são frutos do desconhecimento dos fiéis e dos próprios membros da hierarquia da Igreja. No folheto que se acessa clicando aqui, são expostos objetivamente, elementos para uma sólida exposição dos argumentos que contribuirão com um reto entendimento e a conseqüente aceitação das propostas assumidas ultimamente pela Igreja, essencialmente no pontificado de Bento XVI. Tais respostas são essenciais para propagar a reta aplicação da atual legislação litúrgica.

    Estratégias de implantação
     

    • De imediato, reuniões com objetivo de avançar nos estudos afins.
    • No momento oportuno, articular a fundação da Pastoral de Liturgia na forma extraordinária na Paróquia.
    • Fomentar a expansão do coral de cantos gregorianos,
    • Congregar os fiéis desejosos da participação da celebração na forma extraordinária, organizando encontros de formação em comunidades;
    • Difusão do conhecimento ora adquirido, através de publicações, artigos em portais locais e programas de rádio, entre outros;
    • Despertar nos fiéis um novo ardor na vivência de práticas devocionais tradicionais.

    Atividades e tarefas a envolver-se
     


    • Manter os devidos contatos e formalizar o intento junto à Igreja.
    • Reuniões deliberativas e organizacionais.
    • Atividades de pesquisa bibliográfica e documental.
    • Estudos frequêntes em grupo objetivando o aprofundamento da doutrina católica, abrangendo toda a temática da liturgia tradicional e suas práticas para embasar uma tomada firme de postura e convicção em todos que desconheciam a fundamentação de cada ponto abordado da doutrina e da disciplina da Igreja em seus documentos formais.
    • Participação efetiva in loco- A experiência ímpar se dá por ocasião de quando a equipe se desloca até a cidade/paróquia mais próxima com o objetivo de buscar informações junto à equipe de liturgia onde já se celebra periodicamente, acerca de tudo o quanto seja necessário conhecer e dominar quanto à pretensão de se reimplantar a celebração da Santa Missa na forma extraordinária, bem como ter a oportunidade para todos assistirem à celebração na citada paróquia.

    Tendo havido pesquisa de campo junto aos membros da equipe de liturgia, do sacerdote celeberante e de fiéis assistentes à Santa Missa na forma extraordinária, revelaram-se dados que demonstram claramente que o perfil dos que buscam tal celebração são de católicos bastante devotados e/ou bem formados doutrinariamente.

    Pode haver inicialmente a Missa celebrada apenas para os primeiros interessados, depois aberta aos demais fiéis, onde se elabora um livreto com a parte fixa e a parte móvel para acompanhamento dos mesmos.
     
    Se há a dificuldade com a língua, é só treinar, pois essencialmente não é preciso aprender toda a língua latina, mas só as respostas.
     
    É possivel montar um ámbum de recorte de registros da mídia nacional e internacional acerca da volta da Missa em latim e da práticas tradicionais, paramentos utilizados pelo sacerdote na Missa Tridentina, fotos da celebração na forma extraordinária, lista dos locais onde já se celebra a Missa nessa forma por todo o Brasil, e folders explicativos produzidos pela equipe, além da disponibilização ao clero de vídeo de exercícios para sacerdotes aprenderem tal celeebração.

    Reuniões avaliativas

    A equipe deve se reunir para avaliação, partilha de conhecimentos e troca de experiências da vivência do grupo durante todo o período das atividades de implantação.

    Dificuldades geralmente enfrentadas para exercer as tarefas

    São geralmente algumas das principais dificuldades a serem enfrentadas:

  • O desconhecimento dos atuais documentos que legislam sobre a matéria, seja por parte dos fiéis, como por parte dos sacerdotes da Igreja local;
  • A oposição de pessoas da Igreja que levantam a bandeira de uma modernização sem critérios, que se torna cada vez mais prejudicial à Igreja em sua caminhada, sobretudo nos últimos 40 anos;
  • A falsa idéia de que a Igreja errou durante 20 séculos em sua vivência das práticas tradicionais, e de que seja errado viver tais práticas hoje em dia.
  • A quase inexistente catequese da Igreja nos dias atuais quanto aos conceitos e valores tradicionais, pois que, em linhas gerais, se vive hoje uma catequese que prega outros valores que, por vezes, se contrapõem à tradição da Igreja.
     
    Avanços no desempenho das tarefas
     
  • A abertura da equipe em acolher aquilo que se revela durante os momentos de estudo como sendo algo de verdade, que infelizmente se desconhecia;
  • O empenho e prontidão em realizar as tarefas necessárias;


  • A abnegação para superação dos entraves.
        
    Talvez maior dificuldade é ter pelo menos um sacerdote disposto e disponível para acompanhar os trabalhos da equipe de pastoral de liturgia na forma extraordinária e capacitar-se para a celebração nesta forma. Esta tarefa talvez demande algum tempo. Empenho, perseverança e muito trabalho são os principais requisitos para esta equipe dar continuidade ao trabalho em vistas dos objetivos a se conseguir.

    Outras Considerações
     
    Busca-se aqui desenvolver com afinco um trabalho que urge ser implementado na nossa Igreja local. A vontade explícita do Santo Padre o Papa Bento XVI expressa em recentes documentos de grande vigor, enfrenta grandes dificuldades para efetivamente serem observadas.

    A forma extraordinária da liturgia da Igreja e sua reta aplicação, bem como a restauração das devoções e práticas tradicionais e observância dos ordenamentos em matéria litúrgica são essenciais para potencializar uma evangelização mais eficaz nos dias de hoje com o engradecimento da fé do povo.

    Vê-se que muitos questionamentos podem ser amplamente dirimidos com respostas concretas: Porque latim? Porque o padre de costas? Tal celebração é muito monótona! O fiel preciso saber falar em latim? Por que mudou? Por que está retornando? O amor à Igreja cresce a cada descoberta.

    A disciplina que rege a liturgia é algo que deve ser seguido com reverência e adesão de espírito. Aqui citamos Bento XVI: "sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios.(CartaAapostólica Motu Proprio Datae Summorum Pontificum)
     
    Nas palavras de Bento XVI temos explícitas pistas acerca dos porquês do retorno da Missa em latim, como no trecho que segue: "...em muitos lugares, não se celebrava de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes se consideravam como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia até ao limite do suportável. Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões. E vi como ficaram profundamente feridas, pelas deformações arbitrárias da Liturgia, pessoas que estavam totalmente radicadas na fé da Igreja". (Carta que acompanha o Motu Proprio Datae Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI aos bispos)
     
    O Santo Padre, reconhecendo os abusos que tão comumente se pratica nas atuais celebrações litúrgicas, diz: "A sacralidade atrai muitos para o uso antigo". Assim, não sem motivo, o Papa acedeu aos anseios dos católicos afetos a uma celebração mais meditativa e com restrições à indevida criatividade litúrgica vivida na prática celebrativa do novo missal, que, nas palavras de Bento XVI, "levou freqüentemente a deformações da liturgia no limite do suportável".
     
    Quando ainda cardeal, Joseph Ratzinger, em conferência aos Bispos chilenos, em Santiago, em 13/7/1988, assim as sintetizou: "Se bem que haja numerosos motivos que possam ter levado um grande número de fiéis a encontrar refúgio na liturgia tradicional, o mais importante dentre eles é que eles aí encontram preservada a dignidade do sagrado".
     
    De fato, pela sua riqueza, beleza, elevação, nobreza e solenidade das cerimônias, pelo seu senso de sacralidade e reverência, pelo seu sentido de mistério, por sua maior precisão e rigor nas rubricas, apresentando assim mais segurança e proteção contra abusos, não dando espaço a "ambigüidades, liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instrumentalizações" (como lamentava o Papa João Paulo II na encíclica "Ecclesia de Eucaristia")

    Precisa-se de muita coragem para encabeçar uma pastoral na forma extraordinária, na atual conjuntura em que se encontra a Igreja. Summorum Pontificum é apenas um marco na história que a providência divina reservou na caminhada da Igreja.

    Eis, pois, o entendimento de que em breve será indiscutivelmente necessária uma pastoral em todas as paróquias, como a que se propõe implantar nesta ocasião.

     
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