quinta-feira, 24 de junho de 2010

Por Que Nem Todos se Salvam?

 
 
A salvação não é um direito que se tem enquanto ser humano, mas é um prêmio que se recebe por responder positivamente ao plano de Deus para cada um, pois, Ele espera que cada um o reconheça como Deus, siga sua lei e se sirva dos meios de santificação que deixou.

"Jesus Cristo morreu por todos, mas nem todos se salvam, porque nem todos O reconhecem, nem todos seguem a sua lei, nem todos se servem dos meios de santificação que nos deixou. Para nos salvarmos não basta que Jesus Cristo tenha morrido por nós, mas é necessário que sejam aplicados, a cada um de nós, o fruto e os merecimentos da sua Paixão e morte, aplicação que se faz, sobretudo, por meios dos Sacramentos, instituídos para este fim pelo mesmo Jesus Cristo; e como muitos ou não recebem os Sacramentos, ou não os recebem com as condições devidas, eles tornam inútil para si próprios a morte de Jesus Cristo" (PIO X. Catecismo maior de São Pio X. Anápolis: Edições Santo Tomás, 2005, n. 112-113, p. 58).

Percorre-se longo caminho na empreitada em busca da salvação. Deus, efetivamente, quer que o homem realize a missão que lhe cabe, porquanto Ele sempre provê o necessário para tal.
 

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Coincidência entre os membros da Igreja Visível e da Igreja Invisível. Alguns textos magisterias a serem observados


por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho
 
Hoje, se tem desenvolvida teologicamente uma teoria que milita ampliar o conceito de Igreja para que se sustente a letra do dogma Fora da Igreja Não Há Salvação. Diante da solidez da afirmação dogmática, arquitetou-se incrementar o número dos que integram a Igreja e assim poder continuar afirmando que fora da Igreja (bem mais ampla do que é realmente) não há salvação. Com isso, a problemática passou a ter seu foco principal voltado para uma questão de eclesiologia mais ampla, o que, conseqüentemente, tornou ainda mais complexa a discussão do tema nos dias atuais, levando analistas a abdicarem da árdua tarefa do aprofundamento exigido e a aceitar passivamente tal teoria.

Porém, colocada à devida prova, rapidamente se constata que essa teoria amplia indevidamente o número dos que se qualificam como membros integrantes da Igreja. Mas, como a doutrina da Igreja não se restringe às atuais propostas teológicas, recorre-se ao Catecismo Romano, o qual apresenta de forma bastante precisa quem não deve ser contado entre os integrantes da Igreja:

Só três classes de homens são excluídos da comunhão com a Igreja. Em primeiro lugar, os infiéis; em segundo, os hereges e cismáticos; por último, os excomungados. Os pagãos, realmente, porque nunca estiveram no seio da Igreja; não a conheceram, nem se tornaram participantes de nenhum Sacramento, na comunidade do povo cristão. Os hereges e cismáticos, porque apostataram da Igreja. Pertencem tampouco à Igreja, como os desertores fazem parte do exército, que abandonaram. É certo todavia, que continuam sob o poder [coercitivo] da Igreja, que os pode julgar punir e excomungar. Afinal, os excomungados, que são excluídos judicialmente da Igreja, que os pode julgar punir, e excomungar. (CATECISMO ROMANO. Redigido por decreto do Concílio Tridentino. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2006, p. 162).

Há não poucas iniciativas de se tentar assinalar uma divisão e uma não-coincidência entre a Igreja visível e a Igreja invisível. Porém, catalogamos mesmo a Lumen Gentium, que chega a dizer explicitamente o contrário:

A sociedade provida de órgãos hierárquicos e o Corpo Místico de Cristo, a assembléia visível e a comunidade espiritual, a Igreja terrestre e a Igreja enriquecida dos bens celestes, não devem ser considerados duas coisas, mas formam uma só realidade complexa. (Constituição dogmática Lumen Gentium, n. 8. In: Compêndio do Vaticano II. Constituições, decretos, declarações. 27. ed. Petrópolis: Vozes, 1998, p. 46).

Leão XIII, na encíclica Satis Cognitum, enfatiza tal questão, esclarecendo como se dá essa união:

Cristo é uno pela união das duas naturezas e nas duas naturezas, a visível e a invisível. Analogamente Seu Corpo Místico não seria a verdadeira Igreja se seus elementos visíveis não recebessem a força e a vida dos dons sobrenaturais e dos outros elementos invisíveis, dos quais nasce sua própria essência e natureza. (LEÃO XIII. Encíclica Satis Cognitum, n. 4).

Pio XII, em sua encíclica Mystici Corporis, também contribui para maior elucidação e reto entendimento:

Se a Igreja é um corpo, deve necessariamente ser um todo sem divisão, segundo aquela sentença de Paulo: "Nós, muitos, somos um só corpo em Cristo" (Rm 12, 5). E não só deve ser um todo sem divisão, mas também algo concreto e visível, como afirma nosso predecessor de feliz memória Leão XIII, na encíclica "Satis cognitum": "Pelo fato mesmo que é um corpo, a Igreja torna-se visível aos olhos". Estão pois longe da verdade revelada os que imaginam a Igreja por forma, que não se pode tocar nem ver, mas é apenas, como dizem, uma coisa "pneumática" que une entre si com vínculo invisível muitas comunidades cristãs, embora separadas na fé.
(PIO XII. Encíclica Mysticy Corporis, n. 14. In: Documentos de Pio XII: Trad. Poliglota Vaticana. São Paulo: Paulus, 1998, p. 147).


Não se quer dizer que todos dentro da Igreja estejam salvos. O Catecismo Romano deixa bem claro este ponto:

Há, porém, na Igreja militante duas categorias de homens: bons e maus. Certo é que os maus participam com os bons, dos mesmos Sacramentos, professam a mesma fé, mas não lhes são semelhantes nem na vida, nem nos costumes. Os bons, na Igreja, são aqueles que estão unidos e ligados entre si, não só pela profissão de fé e participação dos sacramentos, mas também pelo espírito da graça e pelo elo da caridade. Deles é que se declarou: "O Senhor sabe quem são os seus". (2 Tm 2, 19). Nós homens podemos conjeturar, mas nunca saber com certeza, quais são os que pertencem ao número dos justos. (CATECISMO ROMANO. Redigido por decreto do Concílio Tridentino. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2006, p. 161).

Essa mesma proposta também é endossada pelo Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã:

Não basta para nos salvarmos sermos de qualquer maneira membros da Igreja Católica, mas é preciso que sejamos seus membros vivos. Os membros vivos da Igreja são todos os justos e só eles, isto é, aqueles que estão atualmente em graça de Deus. Membros mortos da Igreja são os fiéis que estão em pecado mortal. Quem, sendo muito embora membro da Igreja Católica, não pusesse em prática os seus ensinamentos, seria membro morto, e portanto não se salvaria, porque para a salvação de um adulto requer-se não só o Batismo e a fé, mas também as obras conformes à fé. (PIO X. Catecismo maior de São Pio X. Anápolis: Edições Santo Tomás, 2005, n. 165-171, p. 69-70).

Portanto, erram aqueles que diminuem as condições exigidas para o homem se fazer apto a ver Deus face a face no além-físico, e relativizam os preceitos da fé católica.
 

sábado, 19 de junho de 2010

Matéria, forma e efeito dos sete sacramentos - Bula Exsultate Deo – 22/11/1439 – Concílio de Florença (DZ 1310-1328)



Em quinto lugar, para facilitar a compreensão aos armênios de hoje e de amanhã, redigimos nesta brevíssima fórmula a doutrina sobre os sacramentos. Os sacramentos da nova Lei são sete: batismo, confirmação, Eucaristia, penitência, extrema-unção, ordem e matrimônio, e diferem muito dos sacramentos da antiga Lei. Aqueles, de fato, não produziam a graça, mas significavam somente que ela teria sido concedida pela paixão de Cristo; estes nossos sacramentos, ao contrário, não apenas contêm em si a graça, como também a comunicam a quem os recebe dignamente.

Destes, os primeiros cinco são voltados para a perfeição individual de cada um, os últimos dois para o governo e a multiplicação de toda a Igreja. Pelo batismo de fato, nós renascemos espiritualmente; com a confirmação crescemos na graça e nos robustecemos na fé. Uma vez renascidos e fortificados, somos nutridos com o alimento da divina Eucaristia. Se com o pecado adoecemos na alma, somos espiritualmente curados pela penitência; espiritualmente e também corporalmente, segundo o que mais aproveita à alma, pela extrema-unção. Com o sacramento da ordem a Igreja é governada e se multiplica espiritualmente, mediante o matrimônio aumenta corporalmente.

Todos estes sacramentos constam de três elementos: das coisas, que constituem a matéria, das palavras, que são a forma, e da pessoa do ministro, que confere o sacramento com a intenção de fazer aquilo que a Igreja faz. Se faltar um destes elementos, não é efetuado o sacramento.

Entre esses sacramentos há três – batismo, confirmação e ordem – que imprimem caráter indelével, ou seja, um sinal espiritual que distingue <quem o recebe> dos outros, pelo que não podem ser reiterado na mesma pessoa. Os outros quatro não imprimem o caráter e portanto se admite repeti-los na mesma pessoa.

O primeiro de todos os sacramentos é o batismo, porta de ingresso à vida espiritual; por meio dele nos tornamos membros de Cristo e do corpo da Igreja. E como por causa do primeiro homem a morte entrou no mundo [cf. Rm 5, 12], se nós não renascermos da água e do Espírito, não poderemos, como diz a verdade, entrar no reino de Deus [cf. Jo 3, 5].

Matéria deste sacramento é a água pura e natural, não importa se quente ou fria.

A forma são as palavras: "Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Não negamos, porém, que também com as palavras: "Seja batizado o tal servo de Cristo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", ou com as palavras "O tal, com as minhas mãos, é batizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", se administre o verdadeiro batismo. De fato, a causa principal da qual o batismo tira sua eficácia é a santa Trindade, enquanto a causa instrumental é o ministro, que exteriormente confere o sacramento; se o ato conferido pelo mesmo ministro se exprime com a invocação da santa Trindade, é realizado o sacramento.

Ministro deste sacramento é o sacerdote, a quem por ofício compete batizar; mas em caso de necessidade pode administrar o batismo não só um sacerdote ou um diácono, mas também um leigo, uma mulher e até um pagão ou herege, mas que use a forma da Igreja e queira fazer o que faz a Igreja.

Efeito deste sacramento é a remissão de toda culpa original e atual e de toda pena relativa. Não se deve, portanto, impor aos batizados nenhuma penitência pelos pecados anteriores ao batismo, e os que morrem antes de cometer qualquer culpa são recebidos logo no reino dos céus e acedem à visão de Deus.

O segundo sacramento é a confirmação, cuja matéria é o crisma consagrado pelo bispo, composto de óleo, que significa a luz da consciência, e de bálsamo, que significa ao perfume da boa fama.

A forma são as palavras: "Te assinalo com o sinal da cruz e te confirmo com o crisma da salvação em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

O ministro ordinário é o bispo. E, enquanto para as outras unções basta um simples sacerdote, esta só o bispo pode conferi-la, porque só dos Apóstolos, de quem os bispos fazem as vezes, se lê que davam o Espírito Santo com imposição da mão, como mostra a leitura dos Atos dos Apóstolos: "Quando os apóstolos que estavam em Jerusalém souberam que a Samaria tinha acolhido a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Quando eles chegaram, rezaram por eles para que recebessem o Espírito Santo, pois não tinha ainda descido sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados no nome do Senhor Jesus. Então impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo" [At 8, 14-17]. A confirmação, na Igreja, tem mesmo o lugar daquela imposição da mão. Lê-se, todavia, que alguma vez com licença da Sé Apostólica e por um motivo razoável e urgentíssimo, também um simples sacerdote tenha administrado o sacramento da confirmação com crisma consagrado pelo bispo.

O efeito deste sacramento, já que por ele é conferido o Espírito Santo para a fortaleza, como foi dada aos apóstolos no dia de Pentecostes, é que o cristão possa corajosamente confessar o nome de Cristo. Por isso, o confirmando é ungido sobre a fronte, sede do sentido de vergonha, para que não se envergonhe de confessar o nome de Cristo e sobretudo a sua cruz, que segundo o Apóstolo é escândalo para os judeus e loucura para os pagãos [cf. 1 Cor 1, 23]; e por isso é marcado com o sinal da cruz.

O terceiro sacramento é a Eucaristia, cuja matéria é o pão de trigo e o vinho de uva, ao qual antes da consagração se deve acrescentar alguma gota de água. A água é acrescentada porque, segundo o testemunho dos santos Padres e Doutores da Igreja, exposto nas precedentes discussões, se crê que o Senhor mesmo tenha usado vinho misturado com água na instituição deste sacramento.

E também, porque isto convém ao memorial da paixão do Senhor. Pois o bem-aventurado Papa Alexandre, quinto <sucessor> depois do bem-aventurado Pedro, diz: "Nas oblações dos sacramentos apresentadas ao Senhor durante a celebração da Missa, sejam oferecidos em sacrifício apenas o pão e o vinho misturado com água. Não se deve, pois, oferecer no cálice do Senhor só o vinho ou só a água, mas ambos, justamente porque se lê que uma e outra coisa, isto é, o sangue e a água, jorraram do lado de Cristo [cf. Jo 19, 34]".

Além disso, significa o efeito deste sacramento: a união do povo cristão a Cristo. A água, de fato, significa o povo, segundo a expressão do Apocalipse: muitas águas, muitos povos [cf. Ap 17, 15]. E o Papa Júlio, o segundo <sucessor> depois do bem-aventurado Silvestre, diz: "O cálice do Senhor deve ser oferecido, segundo as disposições dos cânones, com água e vinho misturados, porque na água se prefigura o povo e no vinho se manifesta o sangue de Cristo; quando, portanto, se mistura no cálice a água com vinho, o povo é unido a Cristo, e a multidão dos fiéis é coligada e juntada àquele em que crê".

Se, portanto, quer a santa Igreja Romana instruída pelos beatíssimos apóstolos Pedro e Paulo, quer todas as outras Igrejas de latinos e gregos, iluminadas por esplêndidos exemplos de santidade e de doutrina, têm observado desde o início da Igreja, e ainda observam, este rito, parece incorreto que alguma outra região discorde daquilo que é universalmente observado e racionalmente fundado. Decretamos,pois, que também os armênios se conformem a todo o resto do mundo cristão e que seus sacerdotes, na oblação do cálice, acrescentem alguma gota de água ao vinho, como foi dito.

A forma deste sacramento são as palavras com as quais o Salvador o produziu. O sacerdote, de fato, produz este sacramento falando in persona Christi. E em virtude dessas palavras, a substância do pão se transforma no corpo de Cristo e a substância do vinho em sangue. Isto acontece, porém, de modo tal que o Cristo está contido inteiro sob a espécie do pão e inteiro sob a espécie do vinho e, se também estes elementos são divididos em partes, em cada parte da hóstia consagrada e de vinho consagrado está o Cristo inteiro.

O efeito que este sacramento opera na alma de quem o recebe dignamente é a união do homem ao Cristo. E como, pela graça, o homem é incorporado a Cristo e unido a seus membros, segue-se que este sacramento, naqueles que o recebem dignamente, aumenta a graça e produz na vida espiritual todos os efeitos que o alimento e a bebida materiais produzem na vida do corpo, alimentando-o, fazendo-o crescer, restaurando-o e deleitando-o. Neste sacramento, como diz o Papa Urbano [IV], recordamos a grata memória do nosso Salvador, somos afastados do mal e confortados no bem, e progredimos no crescimento das virtudes e graças.

O quarto sacramento é a penitência, do qual são como que a matéria os atos do penitente, distintos em três grupos: o primeiro é a contrição do coração, que consiste na dor do pecado cometido acompanhada do propósito de não pecar para o futuro. O segundo é a confissão oral, na qual o pecador confessa integralmente ao seu sacerdote todos os pecados de que tem memória. O terceiro é a penitência pelos pecados, segundo o arbítrio dos sacerdote; à qual se satisfaz especialmente por meio da oração, do jejum e da esmola.

A forma deste sacramento são as palavras da absolvição que o sacerdote pronuncia quando diz: "Eu te absolvo". O ministro deste sacramento é o sacerdote, que pode absolver com autoridade ordinária ou por delegação do superior. O efeito deste sacramento é a absolvição dos pecados.

O quinto sacramento é a extrema-unção, cuja matéria é o óleo de oliveira , consagrado pelo bispo. Este sacramento não deve ser administrado senão a um enfermo para o qual se teme a morte; ele deve ser ungido nestas partes: sobre os olhos por causa da vista, sobre as orelhas por causa da audição, sobre as narinas por causa do olfato, sobre a boca por causa do gosto e da palavra, sobre as mãos por causa do tato, sobre os pés por causa dos passos, sobre os rins por causa dos prazeres que ali residem.

A forma do sacramento é esta: "Por esta unção e pela sua piíssima misericórdia, o Senhor te perdoe tudo quanto cometeste com a vista"; expressões semelhantes se pronunciarão ao ungir as outras partes.

O ministro deste sacramento é o sacerdote. O efeito é a saúde da mente e, se aproveita à alma, também a do corpo. Deste sacramento o bem-aventurado apóstolo Tiago diz: "Há entre vós um enfermo? Que mande vir os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele ungindo-o com o óleo no nome do Senhor. E a oração feita com fé salvará o enfermo: o Senhor o aliviará e, se estiver com pecados, lhe serão perdoados" [Tg 5, 14].

O sexto é o sacramento da ordem, cuja matéria é aquilo cuja transmissão confere a ordem. Assim o presbiterado é transmitido com a entrega do cálice com vinho e da patena com o pão; o diaconado com a entrega do livro do Evangelho; o subdiaconado com a entrega de um cálice vazio tendo em cima uma patena vazia. E, de modo análogo, para os outros <graus>, pela entrega das coisas inerentes ao ministério correspondente.

A forma do sacerdócio é a seguinte: "Recebe o poder de oferecer o sacrifício na Igreja pelos vivos e pelos mortos, em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo". Para as outras ordens será usada a forma a referida por extenso no Pontifical Romano. Ministro deste sacramento é o bispo. E efeito consiste no aumento da graça para que o ordenando seja um digno ministro de Cristo.

O sétimo é o sacramento do matrimônio, símbolo da união de Cristo e da Igreja, segundo as palavras do Apóstolos: "Este mistério é grande, digo-o em referência a Cristo e à Igreja" [Ef 5, 32]. Causa eficiente do sacramento é, segundo a regra, o mútuo consentimento expresso em palavras e presencialmente.
Atribui-se ao matrimônio um bem tríplice. O primeiro consiste em aceitar a prole e educá-la para o culto de Deus; o segundo, na fidelidade que um cônjuge deve observar em relação ao outro; o terceiro, na indissolubilidade do matrimônio, porque esta significa a união indissolúvel de Cristo e da Igreja. De fato, se bem que, por motivo de fornicação, seja permitido a separação de cama, não é permitido, porém, contrair outro matrimônio, pois o vínculo do matrimônio legitimamente contraído é perpétuo.
[...]
Depois de explicado tudo isso, os referidos oradores dos armênios, em seu próprio nome, <em nome> dos seus patriarcas e também de todos os armênios, aceitam, recebem e abraçam, com toda a devoção e obediência, este mui salutar decreto sinodal, com todos os seus capítulos, declarações, definições, ensinamentos, preceitos e estatutos e toda a doutrina neles contida, bem como tudo aquilo que sustenta e ensina a santa Sé Apostólica e a Igreja romana. Além disso, aceitam com veneração os Doutores e santos Padres aprovados pela Igreja romana. Qualquer pessoa ou doutrina por esta reprovada e condenada, também eles a consideram reprovada e condenada.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Quem ama a Jesus Cristo não se envaidece de suas qualidades - Santo Afonso Maria de Ligório


"A Caridade não se envaidece". O orgulhoso é como um balão de vento que se sente grande diante de si mesmo. Na verdade, toda a sua grandeza se reduz a um pouco de ar que se esvai rapidamente, quando o balão se rompe. Quem ama a Deus é verdadeiramente humilde. Não se orgulha vendo em si algumas boas qualidades.
 
Sabe que tudo quanto possui é dom de Deus; de seu, só tem o nada e o pecado. Por isso, conhecendo os dons concedidos por Deus, mais se humilha, sentindo-se indigno e tão favorecido por Deus.
 
Santa Teresa, falando das graças especiais concedidas a ela por Deus, diz: "Deus faz comigo como se faz com uma casa prestes a cair, sustenta-a com escoras" (Sta. Teresa, Moradas sextas, c. 10. Obras, IV, p. 171; Libro de la Vida, c. 18, Obras, I, p. 131).
 
Quando alguém recebe uma visita de Deus, sentindo em si a força extraordinária do amor divino que o leva até a emoção e a uma grande ternura de coração, não se julgue favorecido ou recompensado pelo Senhor por ter feito alguma obra boa.
 
Humilha-se ainda mais, entendendo que Deus acaricia, para que não O abandone. Mas se tais graças lhes inspiram alguma vaidade, sentindo-se mais favorecido porque é mais fiel a Deus do que os outros, tal defeito fará com que Deus o prive de Suas graças. Para conservar uma casa, duas são as coisas mais necessárias: o alicerce e o telhado. Na casa da nossa santificação, o alicerce é a humildade, reconhecendo que nada somos e nada podemos. O telhado é a proteção de Deus na qual unicamente devemos confiar.
 
Quando nos vemos mais favorecidos por Deus, mais devemos ser humildes. Quando Santa Teresa recebia uma graça especial, procurava por diante de seus olhos todas as suas faltas e assim o Senhor mais se unia a Ela. (Livro de la Vida, c. 18,22), Quanto mais uma pessoa se acha indigna de graças, mais Deus a enriquece delas.
 
Santa Taís era uma pecadora e depois se tornou uma santa. Humilhava-se tanto na presença de Deus, julgando-se até indigna de dizer Seu nome, não ousava dizer "meu Deus" mas repetia sempre "Meu Criador, tende piedade de mim". São Jerônimo diz ter visto um lugar especial no céu para ela por tal humildade. (Vitae Patrum, 1.1: Vita Sanctae Thaisis, meretricis, c.2 e 3. Ml 73-662)
 
Um caso semelhante se lê na vida de Santa Margarida de Cortona. Sentindo com ternura o amor de Deus, dizia: "Senhor, já esquecestes do que eu fui? Como me pagais com favores a tantas ofensas que Vos fiz?" Deus então a fez sentir que, quando uma pessoa O ama e se arrepende de coração por tê-lO ofendido, Ele se esquece das faltas recebidas. "Se no entanto, o homem mau renuncia a todos os seus erros... não lhe será tomada em conta qualquer das faltas cometidas" (Ez. 18,21-22). Como prova disso, mostrou-lhe no céu um lugar glorioso que lhe estava preparado entre os anjos. (Marchese, Vita, 1.1,c. 18, nº 9;1.2, c.11, nº 8,9)
 
Oh, se pudéssemos compreender o valor da humildade! Vale mais um ato de humildade do que a conquista de todas as riquezas do mundo.
 
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O medo de ser humilhado

Para ser humilde não basta  ter um baixo conceito de si e da própria fraqueza. Diz Tomás de Kempis que o verdadeiro humilde é aquele que reconhece seu nada e se alegra nas humilhações (Imitação de Cristo, 1.3, c. 7, nº 23-24). Isso é o que o Cristo nos recomendou fazer, segundo seu exemplo: "Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração" (Mt. 11,29)
 
Quem diz ser o maior pecador do mundo e fica irritado quando o desprezam ,mostra que é humilde da boca pra fora, mas não de coração. Diz Santo Tomás que quando alguém, vendo-se desprezado, fica ressentido, mesmo se longe da perfeição.(Sto. Tomás de Aquino, em B. Henrique Suso, Sermo 4, Opera)
 
"A humildade consiste em alegrarmo-nos com tudo o que nos leva a reconhecer nosso nada". Notemos bem "alegrarmo-nos". Se nossos sentimentos se ressentem com os desprezos recebidos, ao menos em nosso espírito devemos nos alegrar.
 
Como poderá uma pessoa que ama a Jesus Cristo deixar de aceitar os desprezos, vendo seu Deus suportar escarros e tapas como sofreu na Sua Paixão? "E  cuspiram-Lhe no rosto, bateram-Lhe com murros e deram-Lhe tapas" (Mt. 26,67)

Nosso  divino Redentor quis ser representado e exposto sobre os altares, não sob o aspecto glorioso, mas crucificado, para termos sempre diante de nós Seus desprezos. Vendo-o assim, os santos também se alegravam quando desprezados na terra. Esta foi a oração de São João da Cruz às costas: "Senhor, quero padecer e ser desprezado por amor de Vós" (Marco da S. Francesco, O. C., Vita, 1.3, c.1, nº 10. Opera del santo, tom.3)

Senhor, vendo-Vos desprezado por meu amor, outra coisa não Vos peço, senão  me fazer sofrer e ser desprezado por amor a Vós.

 
O alicerce da humildade

Diz São Francisco de Sales: "Suportar os desprezos é pedra de toque da humildade e da verdadeira virtude" (Lettre 2069, à la Mère de Chantal. Oeuvres, XXI, 151 - São Francisco de Sales). Uma pessoa que se apresenta como religiosa, reza, comunga freqüentemente, jejua, pratica a mortificação, mas que depois não pode suportar uma injúria, uma palavra picante, mostra ser o que?

Mostra que não passa de um pau oco, sem humildade e sem virtude. E que sabe fazer uma pessoa que ama a Jesus Cristo, se não é capaz de sofrer um desprezo por amor d'Ele, que tanto sofreu por seu amor?

Escreve Tomás de Kempis: "Já que te aborreces tanto em ser humilhado, é sinal de que não estás morto para o mundo, não tens humildade, não tens Deus como tudo na sua vida. Quem não tem Deus como tudo, perturba-se com toda a palavra de crítica que escuta" (Imitação de Cristo, 1.3, c. 46, nº 8-11). Não podemos suportar bofetadas e ferimentos por Deus? Ao menos, suportaremos algumas palavras mais duras!

Causa admiração e escândalo uma pessoa que comunga com freqüência e depois se ressente com qualquer palavra de desprezo. Ao contrário, como é edificante uma pessoa que responde com uma palavra mansa para acalmar quem a ofendeu. Ou então, sem nada responder nem se queixar aos outros, conserva o rosto sereno sem mostrar irritação!

Diz São João Crisóstomo que
o homem manso é útil não só para si mesmo mas também para os outros, pelo bom exemplo que dá de sua mansidão, quando é desprezado (In Acta Apostolorum, hom. 6, nº 4. MG 60-62). Falando sobre esse assunto, Tomás de Kempis apresenta muitas ocasiões em que devemos ser humildes:

"Darão ouvidos ao que dizem os outros, e será desprezado o que dizes. Pedirão os outros e receberão; pedirás tu e ser-te-á negado. Serão grandes os outros na boca dos homens; de ti não se falará. Aos outros será dado este ou aquele trabalho, tu não serás julgado bom para nada. Com estas provações costuma o servo fiel ser experimentado pelo Senhor, para ver se sabe renunciar-se a si mesmo e repousar n'Ele. Por isso a natureza ficará magoada, muitas vezes; fará, porém, grandes coisas se, em silêncio, tudo sofreres."(Imitação de Cristo, 1.3, c. 49, nº 20-25)

Felizes os humildes

Dizia Santa Joana de Chantal: "Quem é verdadeiramente humilde, vendo-se humilhado, mais se humilha" (Entretiens faits à la récreation e aux assembléss de la Communalté, XIX. Vie et Oeuvres, II, 284,285). Sim, porque a pessoa humilde nunca se julga tão humilhada quanto merece. Os que fazem assim são chamados por Cristo de "felizes".

Os que são estimados, honrados e louvados por sua nobreza, ciência e poder não são chamados "felizes" por Cristo. Mas uma grande recompensa será dada no céu aos que são amaldiçoados pelo mundo, perseguidos e caluniados pelos homens, se sofrerem tudo isso com paciência: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, porque será grande a vossa recompensa nos céus" (Mt. 5, 11-12)

Devemos praticar a humildade principalmente quando somos repreendidos por alguma falta pelos nossos superiores ou por outra pessoa qualquer.

Alguns fazem como ouriços: quando não são atacados, parecem calmos e cheios de mansidão. Mas quando um superior ou amigo as toca lembrando-lhes alguma coisa mal feita, arrepiam logo os espinhos. Respondem com azedume dizendo que não é verdade, ou que tiveram motivos para o fazer, ou que não tinha cabimento aquela admoestação. Em resumo, quem os repreende torna-se seu inimigo. Fazem como aqueles que se zangam com o médico porque os faz sofrer dores quando realiza os curativos de suas feridas. (S.Bernardo, In Cantica, sermo 42, nº 3, ML 341-344)

Diz São João Crisóstomo: "A pessoa santa é humilde, quando é repreendida arrepende-se da falta que fez. Ao contrário, quem é orgulhoso fica magoado quando é corrigido. Fica magoado por ver descoberto o seu defeito e por isso responde e indigna-se com quem o adverte" (In Mathaeum, hom. 68 - al.69 -, nº 1-2, MG 58 de 341 a 344).

São Felipe Néri dá esta regra a quem é acusado sem motivo: "Quem quer ficar verdadeiramente santo nunca deve se desculpar, nem que seja falso o que lhe atribuem" (Bacci, Vita, 1.2, c. 17, nº 22). A única exceção acontece quando é necessário defender-se para evitar escândalo. Quanto merecimento perante Deus tem uma pessoa que é repreendida, até mesmo sem razão, e se cala e não se desculpa! Dizia Santa Teresa: "Uma pessoa caminha mais para Deus quando deixa de desculpar-se do que ouvindo dez sermões. Não se desculpando, começa a adquirir a liberdade interior e a não se preocupar se dizem dele bem ou mal" (Sta.Teresa, Caminho de perfección, c.15)

Oração

Verbo Encarnado, peço-Vos, pelos merecimentos de Vossa santa humildade que Vos fez abraçar tantos desprezos e injúrias por nosso amor, livrai-me do orgulho e dai-me parte da vossa santa humildade. Como posso me lamentar de alguma ofensa, sobretudo depois de ter merecido tantas vezes o inferno?

Meu Jesus, pelos méritos de tantos desprezos que sofrestes na Vossa Paixão, dai-me a graça de viver e morrer humilhado nesta terra, como Vos dignastes viver e morrer humilhado por amor de mim. Por Vosso amor desejaria ser desprezado e abandonado por todos: mas sem Vós nada posso fazer.

Amo-Vos, meu Deus, amo-Vos como o tudo de minha vida. Estou resolvido e espero, com a Vossa graça, sofrer tudo por Vós: ofensas, traições, perseguições, dores, solidão, abandono. Basta que não me abandoneis, Vós, o único bem de minha vida. Não deixeis que me afaste de Vós.

Dai-me o desejo de Vos agradar, o entusiasmo no Vosso Amor, calma nos sofrimentos, paciência em todas as contrariedades. Tende piedade de mim. Nada mereço, mas espero tudo de Vós, pois me remistes com Vosso sangue.

Tudo espero de Vós, Maria, minha Mãe e Rainha, porque sois o refúgio dos pecadores.


Santo Afonso Maria de Ligório, em A prática do amor a Jesus Cristo
 

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Morreu Orlando Fedeli

 
Segue abaixo o texto da transcrição de uma das cartas publicadas em seu site de apologética católica.

Que Deus acolha sua alma em seu reino eterno. Rezemos por ela!
 
.................................................................
 
O que você (Prof. Orlando) faz na igreja??

PERGUNTA


Nome:
Fernando
Enviada em:
21/09/2003
Local:
Guarulhos - SP,
Religião:
Católica
Idade:
20 anos
Escolaridade:
2.o grau concluído









A Paz de Jesus Cristo

Gostaria somente de perguntar se você participa de algo da Igreja Católica. Faço essa pergunta por vê-lo totalmente contra vários movimentos e até mesmo contra atos que acontecem na missa!!!

Acho sim normal encontrar erros dentro da igreja, mas da forma encontrada por você não!!!

Por favor responda!!!


RESPOSTA

Muito prezado Fernando, salve Maria.

Você me pergunta de modo um tanto provocativo e impertinente: "o que faço na Igreja ".

Mas será que você ainda não o percebeu?

Defendo a Fé.

Faço o que fiz a vida inteira: ensino o Catecismo.

Que faço na Igreja?

Mas o que pode fazer um pecador, como eu, na Igreja?

Rezo e peço perdão a Nosso Senhor pelos meus pecados. Rezo e me confesso. Rezo, assisto Missa, e comungo sempre que posso.

Claro você se interessa em saber, e me pergunta com uma certa indignação, que sou eu na Igreja.

Que sou na Igreja?

Mas praticamente nada. Ou quase poeira.

Um velho professor que conta as histórias que pesquisou a vida inteira, em velhos livros, buscando os traços sanguinolentos dos mártires e dos heróis nas veredas da História.

Que faço na Igreja?

Faço o que devo. Deixando meu velho coração cansado se entusiasmar na conquista de uma alma jovem e heróica para Cristo.

Que sou na Igreja?

Sou um simples fiel. Fui Congregado Mariano, quando havia Congregações Marianas.

Fui da Ordem Terceira do Carmo, quando as havia, no estilo antigo, em São Paulo.

Estilo antigo?

Perdão.

Na Igreja Católica, nada há propriamente de antigo. Só há coisas de sempre. Para sempre. Porque a verdade católica é eterna. É para sempre. A verdade católica não evolui.

Perguntar-me-á você: mas o senhor não pertence, hoje, a nenhum movimento moderno?

Não. Graças a Deus, não.

A nenhum.

Detesto tudo o que é moderno.

Sou pelo que é eterno.

Nem balanço a cabeça, e nem agito as mãos, sacudindo lencinhos. Nem danço nos santuários. Nem profano a igreja com baterias e rocks. Nem enrolo a língua, fingindo ter carismas, para que me admirem, e para que não me entendam.

Quero que me entendam.

Faço questão de que ouçam meu brado bradar os argumentos da verdade.

Por isso falo bem claro, para que tudo fique bem claro.

Que faço na Igreja?

Mas você não percebeu ainda?

Ensino, aos que ignoram e têm boa vontade para aprender, algo daquilo que sei.

Você não percebeu ainda, que também martelo argumentos em quem se atreve a negar a Verdade Católica ou contra quem ousa atacar a Fé?

Que faço na Igreja?

Peço a Nossa Senhora que faça de minha alma uma espada. E com Ela, faço almas-espadas.

Que faço ainda na Igreja?

Combato as profanações, que você parece defender.

Que faço na Igreja?

Rezo e estudo. Rezo e escrevo artigos.

Dou aulas. Muitíssimas aulas.

(Todas de graça. Todas por graça).

Desperto entusiasmo e ódios.

Aturo desaforos e incompreensões. Suporto calúnias e silêncios murmurantes...

E respondo cartas.

Muitas que perguntam com humildade. Muitas, muitas... que me agradecem o ensinamento recebido. Ou até a Fé recuperada.

Que faço na Igreja?

Atiço brasas que se apagavam. Fortaleço, tanto quanto posso, com a ajuda de Deus, canas torcidas. Sopro, tanto quanto posso, em fogueiras bruxuleantes.

Acendo tochas.

Inflamo candelabros.

Faço moços cantarem a alegria de lutar e de defender a Fé católica.

E respondo cartas.

Algumas pretensiosas. Outras impertinentes. Umas mal educadas. Outras atrevidas e ignorantes. Algumas cheias de ódio porque vazias de argumentos.

Cada carta é um desafio. Cada carta um duelo. À sabre ou florete. E o prêmio que procuro é a conversão de uma alma para Nosso Senhor.

Cada carta é um combate. Sempre na brecha. Sempre na muralha da Santa Igreja. E meu coração vigia, quando meus olhos dormem. Sonhando com argumentos.

Que faço na Igreja?

Mas simplesmente -- com a graça e a ajuda de Deus -- faço o que fiz toda a minha vida. Como Pierre de Craon, da peça Une jeune fille Violaine, faço catedrais nas almas. Catedrais de luz e de vitrais, de verdades e virtudes, "cheias de sombra e luz, para que Deus habite nelas".

E você, meu caro Fernando, você não quereria me ajudar a defender Nosso Senhor de quem, hoje, se riem os ateus e infiéis, coroando-O de espinhos, e os hereges, cuspindo sofismas em sua Divina Face?

Você, se você tem um coração valente, você... venha comigo.

Venha.

Venha comigo até...

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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Transcrito de http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=polemicas&artigo=20040824131614&lang=bra
 

Os lutos cristãos – Passamos como uma sombra



por São Francisco de Sales, no livro Pensamentos Consoladores

Eis como, enfileirados, passamos o rio Jordão para entrar na terra da promissão, onde Deus nos chama uns após outros.

Oh! Viva Jesus! Nada há neste mundo pelo que devamos desejar que os nossos amigos nele pelo que devamos desejar que os nossos amigos nele permaneçam muito.

Fazei pouco caso deste mundo, porque ele só nos serve de ponto para passarmos para outro melhor.
Oh! Deus, querida filha, a medida que vemos este mundo e os bens que nele temos desfazerem-se ante nossos olhos, é preciso recorrermos com mais ardor a Nosso Senhor e confessar que não colocamos as nossas esperanças nem esperamos os nossos contentamentos senão dele e da eternidade que nos destinou. É preciso que eu profira esta pequena frase de confiança: não há homem no mundo que tenha o coração mais terno e afetuoso para as amizades do que eu, e que tenha sentimento mais vivo nas separações; no entanto tenho em tão pouca conta esta vaidade da vida, que passamos, que nunca me volto para Deus com mais sentimento de amor do que quando me fere, ou quando permite que eu seja ferido.

Elevemos os nossos pensamentos ao céu, e estaremos isentos dos acidentes da terra. Esta boa irmã tinha orado bem a Deus; para isso foi arrebatada para Ele. Devemos crer que Deus dispôs isto para seu melhor bem. Permaneçamos em paz, esperando que Ele disponha de nós.

Seríeis muito temerária, minha querida filha, se pretendêsseis estar isenta dos embates que a inconstância desta vida dá de quando em quando aos homens. Quero que choreis essa perda, porque isso é razoável; mas desejo que não choreis desordenadamente, e que nesta ocasião demonstreis que já aproveitastes tanto na virtude que tendes mais fundamento na eternidade do que na imagem deste mundo.

Contemplai esta morte súbita que não tempo à falecida para se despedir dos que amava; e, esperando que ela passasse para a graça de Nosso Senhor, digamos a tempo o adeus, renunciando de coração ao mundo e a toda a vaidade; e coloquemos os nossos corações na bem-aventurada eternidade que nos espera.
Ah! Minha pobre filha! O meu coração compadece-se do vosso, e conjuro-o que pertença completamente Àquele que o ressuscitará da morte para a vida e que nos preparou as suas eternas bênçãos.

Seja sempre bendito o seu santo nome!

Sim, minha querida filha, chorai o vosso falecido, porque Nosso Senhor chorou Lázaro, seu amigo; mas não sejam lágrimas de pesar, mas duma simples compaixão cristã e dum coração que, como o de S. José chora de ternura e não de arrogância como Esaú. É nestas ocasiões que convém subter-mo-nos ao agrado do doce Jesus.

Mas dizei-me: e nós quando iremos para essa pátria que nos espera? Ah! Eis-nos à espera da nossa partida, e choramos os que já partiram! Bom presságio são para essa alma as muitas aflições que ela sofreu; porque, tendo sido coroada de espinhos, devemos crer que será coroada de rosas. Vá pois esta bela irmã, vá possuir o seu eterno repouso no grêmio a misericórdia de Deus.

Se as minhas preces lhe podem apressar este bem, prometo-lhas de todo o coração; e se pudesse ter na vossa amizade, pedir-vo-lo-ia de todo o coração; pelo menos permiti-me que ocupe o que tenho, e que à medida que os vossos parentes temporais vos vão faltando, o afeto mais que paternal que vos consagro e tenho fielmente dedicado, se torne maior em ternura e ardor santo.

Tomai as faixas de Nosso Senhor, ou o sudário no qual foi envolvido para o sepulcro e enxugai com ele as lágrimas. Eu na verdade também choro nessas ocasiões, e o meu coração, de pedra para as cousas celestes, derrama lágrimas nesses casos; mas seja Deus louvado, e faço com doçura e para vos falar como a uma filha querida, sempre com um sentimento de dileção amorosa para com a Providência de Deus; porque, depois que Nosso Senhor amou a morte e que a ela se entregou por nosso amor, não posso querer mal à morte, nem de minhas irmãs, nem de ninguém, contanto que se faça por amor da sagrada morte do meu Salvador. Viva, pois, e reine ele, sempre em vossos corações. Amém; 


terça-feira, 8 de junho de 2010

Os catequistas e Nossa Senhora


Aos catequistas
por Dom Antônio de Castro Mayer

 
Caríssimos catequistas

Não é preciso insistir convosco sobre a importância que tem, na vida do fiel, e mesmo da Santa Igreja, a devoção a Maria Santíssima, Senhora Nossa. Ninguém de nós tem, neste ponto, a menor sombra de dúvida.

Graças a Deus!

Convém, por isso mesmo, refletir sobre as razões que justificam semelhante persuasão. E quando enunciamos esta conveniência, vem logo à mente o grande privilégio, que faz de Maria Santíssima a mulher singular, a criatura especial e inefavelmente eleita entre os anos e os homens para ser a Mãe de Deus. Neste fato, cheio de amabilíssimos mistérios, se fundamenta o papel que lhe cabe na economia da graça.

Porque Mãe de Deus, Mãe do Redentor, Ela é a corredentora, a Medianeira de todas as graças. Como diz São Bernardo: por vontade de Deus, nenhuma graça desce dos Céus à Terra, sem a mediação de Maria.

Daí que nos importa ter presente o papel de Maria Santíssima na nossa vida, na vida de cada um de nós, enquanto viajores, em peregrinação para o Céu, para o seio de Deus.
Como decorrência do fato de ser Ela a Mãe do Redentor, Maria é não somente nosso guia no nosso caminhar terreno, no qual não podemos errar a estrada; Ela é não somente modelo que devemos imitar; Ela é mais. Ela é quem realiza, quem cria em nós a imagem de Jesus Cristo. Ela é quem nos faz outros cristos, que canaliza para nossas almas o Sangue Divino, que nos concede, alimenta e robustece a vida da graça, vale dizer nossa vida em Jesus Cristo.

Toda esta verdade, densa de substância, exprimimos quando dizemos que Maria é nossa Mãe. Ela é nossa mãe, não como um título extrínseco, como são as mães adotivas. Não. Ela é nossa mãe no sentido pleno da palavra. Pois Ela é quem, com sua maternal proteção, forma em nossas almas a imagem de Jesus Cristo, conformando a nossa vida com a de seu Divino Filho, incorporando-nos assim ao mesmo Jesus Cristo, como parte de seu Corpo Místico.

De maneira que, para nossa própria santificação, devemos viver unidos a Maria Santíssima, consagrados a Ela, entregues ao seu cuidado, como pequeninos que vivem na total dependência de suas mães.

Ora, caríssimos catequistas, sabeis que o êxito de vossa missão na Igreja já está condicionado à vossa santificação. A vós, salvadas as proporções, se aplicam as palavras de Jesus Cristo: "Por eles eu me santifico a mim mesmo". Por vossos alunos, para o bem espiritual de vossas crianças, vós vos santificais. E como essa santificação é indispensável, deveis empregar o meio que torna vossa santificação autêntica e intensa. E esse meio é a entrega total a Maria Santíssima. Ninguém melhor do que Ela sabe formar em nós a Jesus Cristo, porquanto foi Ela escolhida pelo Divino Espírito Santo para formar no seu seio puríssimo a natureza humana do Filho de Deus Encarnado.

Pedi à Virgem Mãe uma participação na sua maternidade divina, para que nossa catequese frutifique nas almas de vossas crianças, fazendo-as conhecer não somente a letra do Catecismo, como, sobretudo, viver de acordo com as verdades nele aprendidas, ou seja, viver amando intensamente a Jesus Cristo, que é o meio que nos leva e torna fácil conformar-nos com sua Vontade, e ajustar nossa vida às suas máximas. Que de vós se possa dizer, com toda a verdade, o que declarou o Divino Salvador: "Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática" (Lc. 11, 28), e noutro lugar: "Todo aquele que fizer a vontade do Pai que está nos Céus, este é meu irmão e minha irmã e minha mãe". Vede: "Minha mãe". É o que devem ser os catequistas – mães, que geram nas almas dos alunos a vida da graça, ou seja, o amor intenso a Nosso Senhor que os leve a fugir do pecado e a praticar a virtude. Que a Virgem Santíssima vos conceda, caríssimos catequistas, parte nesta sua maternidade.

(Fonte: O Pensamento de Dom Antonio de Castro Mayer – Editora Permanência, p. 253-254)
 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Deus castiga! Deus castiga, sim!


por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Infelizmente, é bem frequente nos dias atuais, muitas vozes se levantarem e propagarem a idéia contrária à doutrina católica de que Deus não castiga.

Deus castiga! Deus castiga sim!
Aliás, como os católicos de hoje precisam ouvir sermões que os façam lembrar exatamente isso: Deus castiga.

Quantas páginas da Bíblia teríamos que desmerecer se quiséssemos entender que Deus não castiga? O que foi o dilúvio, Sodoma e Gomorra e tantos outros episódios?
O que é o inferno, senão o castigo para os impenitentes finais?
E se Deus não castigasse, porque afastou o Demônio de sua presença ETERNAMENTE?
Cristo estaria blefando então, ao amedrontar-nos tantas vezes sobre a Geena, o lago de fogo, se ele não existisse?
Infelizmente não poucos católicos que já não acreditam no inferno, na perdição final.
Vem-nos então a questão se a interpretação da Igreja mudou?
Não. É impossível que a Igreja, os Santos Papas, os grandes doutores da Igreja tenham interpretado errado e pregado essa doutrina indevidamente por vinte séculos. E mesmo com punições temporais Deus está a punir-nos: "Eu repreendo e castigo a todos quanto amo." (Ap 3, 19)

Bem dizem ainda alguns dos mais velhos: "De nada tenho medo nesse mundo, somente dos castigos de Deus".

O Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã nos dá uma luz acerca dos benefícios dos castigos de Deus: "A dor imperfeita ou de atrição é aquela pela qual nos arrependemos de ter ofendido a Deus como nosso supremo Juiz, isto é, por temor dos castigos que
merecemos e nos esperam nesta ou na outra vida, ou pela própria fealdade do pecado."
(n. 711)

E rezamos no ato de contrição "pois ofendi a Vós, meu Sumo Bem, e mereci os castigos de vossa justiça..."
 
É certo, que o castigo de Deus não é um mal absoluto, porque Deus não pode querer o mal em si. Um pequeno aprofundamento em São Tomás de Aquino nos faz entender melhor. Veja o que diz na Summa, II-IIae, q. 19, a.1 : "Em verdade, de Deus pode-nos sobrevir o mal da pena [castigo], que não é mal absoluto, mas sim mal relativo e bem absoluto. Efetivamente, dado que o bem estabelece ordem para um fim e o mal consiste na privação desta ordem, é mal absoluto aquilo que exclui totalmente a ordem ao fim último, que é o mal da culpa. O mal da pena, ao contrário, é certamente um mal, enquanto nos priva de um bem particular; mas em absoluto é bem, porque está ordenado ao fim último."
O Catecismo Romano ainda explica:

"No intuito, porém, de remover a ignorância, ou de corrigir a maliciosa opinião daqueles que só admitem a ventura e o bem-estar como provas do amor de Deus para conosco, enquanto nos males e infortúnios com que Deus nos experimenta, só descobrem um sinal de hostilidade e total aversão da vontade divina contra nós, força é provar que o Senhor, quando nos toca com Sua mão "não o faz absolutamente por inimizade ''; mas que Ele fere para curar, e os golpes vindos de Deus são medicinais. Se castiga os pecadores, é para os regenerar, e, pela pena temporal, quer eximi-los da condenação eterna. Conquanto reprima com a vara as nossas maldades, e com açoites os nossos pecados, nem por isso nos subtrai a Sua misericórdia."

"[...]Devemos, pois, exortar os fiéis a que, nesses castigos, vejam o paternal amor de Deus para conosco, e que tenham sempre na boca e no coração aquelas palavras de Jó, modelo de paciência: "Ele próprio fere, e cura ao mesmo tempo. Ele dá o golpe, e Suas mãos aplicam o remédio".(Jó, 5, 18). Repitam também o que escreveu Jeremias em nome do povo de Israel: me castigastes, e eu me corrigi, à maneira do novilho que ainda não fora amansado. Convertei-me, e ficarei convertido, porque Vós sois o Senhor meu Deus". Tenham diante dos olhos o exemplo de Tobias que, na desgraça da cegueira, reconheceu a paternal mão de Deus que o feria, e por isso mesmo se pôs a exclamar: "Eu vos bendigo, Senhor Deus de Israel, por me terdes castigado, e por me terdes curado". (Tb 11, 17)
 
Mas como prova do de Deus: Devem antes consolar-se com o oráculo divino, que se encontra no Apocalipse: "Eu repreendo e castigo os a que tenho amor". Nutram confiança na recomendação do Apóstolo aos Hebreus: "Meu filho, não desprezes a
disciplina do Senhor, e não desanimes, quando Ele te repreender. Pois o Senhor castiga a quem Ele ama, e flagela todo filho que Lhe é querido... Se vos deixasse sem correção, seríeis bastardos, e não filhos legítimos... Se tivemos nossos pais por educadores corporais, e lhes prestávamos reverência, não havemos muito mais de obedecer ao Pai de nossas almas e assim conseguir a vida?"


Essa explicação simplesmente nos convence que Deus nos castiga por amor e para o nosso bem. Mas castiga!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Milagre de Cristo aos nossos olhos: Um momento que foi eternizado!


QUE MOMENTO É ESSE?
 
Poesia do livro "A Conversão do Poeta", de Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho
 
Ele quis eternizar
aquele momento
em que doou sua vida,
que mudou nossa vida,
e nos deu vida
eterna.
 
Sim, Ele quis eternizar!
Fazer aquele grito de dor
mais longe ecoar.
Pra todos ouvirem
em qualquer lugar.
Ontem, hoje e sempre.
 
Sim, Ele quis eternizar
o seu sacrifício
que, na cruz, foi o início
da vitória sobre a morte
que recaiu sobre a humanidade
após o pecado original.
 
Sim, Ele quis eternizar
cada gesto, cada oração, cada suplício...
Todos esses momentos
antecipados na última ceia,
vividos no Calvário,
Tornados presentes nos altares do mundo.
 
E ele eternizou!

Mas há quem pergunte:
Como é possível
eternizar um momento
pra depois ser revivido?
Como alguém tenha podido?
 
Sim, Ele eternizou!
Pra quem mortos ressuscitou,
pães multiplicou, sobre águas andou...,
deve não ser difícil
manipular o tempo
pra eternizar o momento
do seu sacrifício.
 
Sim, Ele eternizou!
Ele fez assim
pra que todos,
de todos os tempos e lugares,
sejam testemunhas oculares
do momento maior
da história da humanidade
 
Mas,
que momento é esse
que todos podem vivenciar?
Que momento perpétuo é esse
que eu posso viver
no tempo de agora?
 
Esse momento, minha gente,
que se faz novo a cada tempo,
é a Santa Missa!
Todas e cada uma das Santas Missas
celebradas nos altares
tornam presente o Calvário de Cristo.
 

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