sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Lembra-te, muitas e muitas vezes, que em breve terás de morrer.

"Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e nunca chegarás a pecar" (Eclo 7, 40) Estas santas palavras das Escrituras são uma tácita advertência aos párocos de que não percam nenhuma ocasião de exortar os fiéis a entreter-se com a assídua meditação da morte.

O sentido destas palavras é como se dissesse: Lembra-te, muitas e muitas vezes, que em breve terás de morrer. Naquele instante, ser-te-á sumamente desejável e absolutamente necessário alcançar a infinita misericórdia de Deus. Por isso, é indispensável que desde já a tenhas continuamente diante de teus olhos. Desta forma, há de se extinguir-se em ti aquele medonho desejo de vingança, pois não acharás meio mais próprio e eficaz para conseguir a misericórdia de Deus, do que o perdoares as injúrias e amares aqueles que te ofenderem, a ti ou aos teus, por atos ou palavras.

Por natureza, o homem nada mais teme, neste mundo, do que a morte. Ora, esse temor agrava-se, sobremaneira, com a lembrança dos pecados passados, mormente quando a consciência nos oprime com temerosas recriminações; pois está escrito: "Comparecerão medrosos com a lembrança de seus pecados, e suas iniqüidades levantar-se-ão contra eles para os acusar" (Sb 4, 20)

Muito aflitiva é também a lembrança de que, dentro em breve, é preciso apresentar-nos ao tribunal de Deus que, segundo nossos merecimentos, há de proferir sobre nós uma sentença de inexorável justiça. Não raras vezes acontece que, sob a influência desse terror, os fiéis sentem uma perturbação extraordinária.

De outro lado, nada contribui tanto para uma morte tranqüila, como lançarmos fora a tristeza, e aguardarmos com alegria a vinda do Senhor (Tt 2, 13), prontos a restituir-Lhe de boa vontade o nosso depósito (2 Tm 1, 12), em qualquer hora que o queira exigir. Ora, o Sacramento da Extrema-Unção tem por efeito livrar dessa angústia os corações dos fiéis, e encher-lhes a alma de santa e piedosa alegria.

Ex 20,12: "Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá".

Os que honram seus pais, e se mostram gratos a quem lhes deu o gozo da luz e da vida, merecem com razão alcançar a extrema velhice.

1Tm 4, 8: "A piedade para tudo é proveitosa; tem a promessa, tanto para a vida presente, como para a futura".

Deus prodigaliza tais bens aos homens, cuja piedade filial Ele quer remunerar. Aliás, a divina promessa não deixa de ser menos segura e constante, ainda que por vezes seja mais curta a vida daqueles que tiveram grande amor filial a seus pais.

Isto acontece, ou porque é melhor para eles deixar o mundo, antes que abandonem a prática da virtude e do dever: são, pois, arrebatados, para que a "malícia não lhes perverta o entendimento, e a hipocrisia não lhes seduza o coração" (Sb 4, 11); ou então são separados de seus corpos, na iminência de males e flagelos públicos, para escaparem às provações dos tempos que correm. "O justo, diz o Profeta, é arrebatado, em vista da malícia reinante". Assim acontece, para que não venha a perigar sua virtude e salvação, quando Deus castiga os pecados dos homens; ou para que, em tempos de suma tristeza, não tenham de chorar, amargamente, a desgraça de parentes e amigos. Por isso, mais razões há para se temer [grandes castigos de Deus], quando pessoas virtuosas são ceifadas por uma morte prematura. 

Retirado do Catecismo Romano
 

Um comentário:

  1. Foi pensando na morte que os santos desprezaram os bens terrestres.
    Santo Agostinho dizia: “Só a morte é certa; os demais bens e males nossos são incertos”.

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