segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Nós precisamos urgentemente de exorcismo



Seguem abaixo alguns excertos de Dom Manoel Pestana Filho em prefácio à edição portuguesa do livro "Um Exorcista Conta-nos", do Pe. Gabriele Amorth


***
O grande papa Leão XIII entrou no século XX ainda apavorado pela visão que tivera da formidável presença diabólica em Roma, <para perdição das almas>. Desde 1886, mandara a todos os bispos rezar a oração a São Miguel Arcanjo, escrita por ele, de próprio punho, como também um exorcismo maior que recomendava a bispos e párocos recitar com frequência nas dioceses e paróquias.

<O século do homem sem Deus>, anunciado por Nietzsche, transforma-se no século de Satanás, que prepara o seu reino com a 1ª Guerra Mundial, implanta o comunismo ateu e tirânico, contra Deus contra o homem, na revolução bolchevista de 1917, semeia a Europa inteira de ruínas e sangue com a 2ª Guerra Mundial, fruto dos poderes das trevas; invade toda a terra de ódio, terror, impiedade, heresia, blasfêmia e corrupção em guerras e revoluções sem trégua; insinua-se, de início, como fumaça, e, depois implanta-se, poderoso, no seio da própria Igreja.

Tudo isto, Nossa Senhora confidenciara aos videntes de Fátima, exatamente no mesmo ano da tragédia russa; e o mesmo se diga do 3º capítulo do Gênesis, em que se pinta a vitória da serpente infernal e a presença de Maria, esmagando-lhe a cabeça.

A Cristandade continuou a rezar as orações de Leão XIII, estimulada pelos Papas. [...]
De súbito, ao aproximar-se o último e temeroso quartel do século XX, contesta-se a existência dos anjos, desaparece a oração de São Miguel, suspendem-se os exorcismos, inclusive do Batismo, mergulha no silêncio o ministério e a função de exorcista.

Paulo VI queixa-se da fumaça de Satanás dentro do templo, quase a ocupar o espaço do incenso esquecido, e amargura-se com autodemolição da Igreja. Os seminários desaparecem, a teologia prostitui-se em cátedras de iniquidade, a liturgia reduz-se, com certa frequência, a uma feira irrelevante de banalidades folclóricas. A pretexto de inculturação, a vida religiosa desliza para o abismo.

<Os poderes do inferno não prevalecerão contra a Igreja>, é certo. Mas o próprio Senhor prediz o obscurecimento da fé, o esfriamento da caridade. A visão (do Inferno) de Fátima faz vacilar o otimismo ingênuo e irresponsável dos que apostam na salvação de todos, mesmo até dos que a recusam. [...]

Jesus começa a sua missão, tentado pelo demônio e a expulsão dos maus espíritos torna-se uma das notas mais relevantes da sua atividade messiânica. <Em meu nome expulsarão os demônios> (Mc 16, 17), diz Jesus, ao despedir-se dos discípulos, notando que este será um sinal dos que creem nele. E Satanás, pela ação dos Apóstolos, caia do céu como um raio... Quando os cristãos de todos os níveis, apesar dos evangelhos e do Magistério principiaram a duvidar da ação e do Magistério, principiaram a duvidar da ação e, depois, da existência do espírito rebelde , aconteceu o que Jesus havia anunciado (Mt 12, 44-45): expulso, ele volta para a casa desocupada, varrida e arrumada>, mas indefesa, com sete espíritos piores do que eles, <e a condição final torna-se pior do que antes>, exatamente o que está a acontecer.

Hoje, não é só a fumaça de Satanás, penetrando por uma fenda oculta, mas o diabo, de corpo inteiro, que irrompe triunfalmente pelas portas centrais. Quem o vai exconjurar das nossas igrejas, das nossas residências episcopais e paroquiais, de nossos centros comunitários, dos nossos seminários e universidades, dos Senados e das Câmaras Legislativas, dos Palácios do Governo e da Justiça, dos bancos e das bolsas, dos meios de comunicação, das escolas e hospitais, das consciências de todos nós?

E não hesitemos: quem vai expulsar os demônios dos Palácios Pontifícios, da Congregações e Secretarias, das Nunciaturas, das Conferências Episcopais e Cúrias, dos Santuários e Basílicas, das ONUs e dos Parlamentos, sem falar desse mundo <posto maligno>, que viceja <sob o sol de satã>?

Nós precisamos, urgentemente, de exorcismo! [...]

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