quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Os pecados de omissão são os mais arriscados, porque são os menos conhecidos. Muitas almas se perdem por via deles


"Aquele homem a quem se entregou o talento, não o jogou, nem o desperdiçou, não o empregou mal, só teve a omissão de o não empregar bem, e só por esta omissão foi ele condenado".



Sobre os pecados de omissão

Temos pecados de comissão, e pecados de omissão: pecados de comissão são aqueles que se cometem obrando mal; pecados de omissão são aqueles que se cometem não obrando o bem a que estamos obrigados. Quem faz mal, tem pecado de comissão; e quem não faz o bem que deve fazer, tem pecado de omissão. Estes pecados de omissão são os mais arriscados, porque são os menos conhecidos. Quase ninguém os conhecem. E se não conhecem, como se hão de evitar? Desta sorte se perdem imensas almas por via deles.

Ninguém pode duvidar desta verdade: imensas almas se condenam ao inferno por via dos pecados de omissão. Isto mesmo é expresso em várias partes do Evangelho.

Diz o Evangelho, que o homem que foi às bodas sem levar o vestido nupcial não teve outra culpa, não falou mal, não fez alguma ação torpe, não furtou nem praguejou, só teve a omissão de não levar o vestido competente, e só por esta omissão foi lançado nas trevas, isto é, no inferno!

Diz mais o evangelho: Aquele homem a quem se entregou o talento, não o jogou, nem o desperdiçou, não o empregou mal, só teve a omissão de o não empregar bem, e só por esta omissão foi ele condenado...

Diz ainda mais o Evangelho: Aquelas cinco virgens néscias eram virgens, não eram mal procedidas, não cometeram impurezas, só tiveram a omissão de não estarem prevenidas com o óleo, e só por esta omissão se lhes fechou a porta do Céu.

Mais ainda: Aqueles cinco convidados para as bodas não foram roubar, nem matar, nem jurar falso, foi cada um para a sua ocupação ordinária, não deram outra escusa, e só por essa omissão de não aceitarem o convite, todos eles foram privados da Ceia da glória.

O rico avarento foi sepultado no inferno, não porque era rico, nem porque vestia com decência, mas sim pela omissão de não dar a esmola ao pobre Lázaro.

As duas figueiras do Evangelho eram formosas, e verdes eram as suas folhas, mas não davam fruto, e só por esta omissão uma delas foi maldita, e a outra cortada...

Aqui vedes, meus irmãos, nestas parábolas, quão rigorosamente Deus castiga os pecados de omissão; pecados de que se não fazem caso algum, e que quase ninguém conhece. Refere Belarmino, que estando para morrer um Prelado de santa vida (assim o parecia), o seu Confessor lhe perguntou:

- Tem alguma coisa de que se queira reconciliar?

– Não, respondeu ele, não me lembro de ter cometido culpa alguma.

- E das omissões do vosso estado, não vos acusa a vossa consciência?

Aqui rebentando-lhe as lágrimas pelos olhos fora, deu grandes gemidos, dizendo:

- As minhas grandes omissões me condenam! Por via delas justamente sou condenado!

Mas se assim aconteceu a um varão que parecia um grande santo, que há de acontecer à maior parte dos cristãos, só por serem tão descuidados nas obrigações do seu próprio estado? Temei, preguiçosos e descuidados! Bem podeis temer e tremer! Pois que vejo por toda a parte? Vejo as maiores omissões em tudo e por tudo: Quase ninguém ama a Deus sobre tudo, quase ninguém ama o seu próximo como a si mesmo. É também uma grande omissão.

Imensas vezes se falta à caridade e à justiça, e tudo isto são omissões. Falta-se aos deveres do estado. O Pároco não cuida na salvação dos seus fregueses. O Sacerdote não confessa com o devido zelo. Os consortes não se amam mutuamente. Os pais não educam os seus filhos. Estes não amam, não obedecem, nem respeitam seus pais. O operário não trabalha como deve, nem faz o que deve fazer. Perde-se muito tempo com divertimentos, nos passeios, nas visitas, nas conversas, no muito dormir. Tempo que se podia empregar em obras de merecimento; em tudo isto há omissões, de tudo se há de dar conta, e de nada se faz caso...

Qualquer pode muito bem levantar-se cedo, pode assistir à oração e à Missa, pode rezar a sua coroazinha todos os dias, pode confessar-se todos os meses, pode dar um bom conselho, pode visitar um enfermo, consolar um aflito, animar um desesperado, pode sofrer e mortificar-se por Deus, porém nada disso pratica, e é porque não quer; pois em tudo isto há omissões e graças desprezadas, e de tudo se há de dar conta a Deus...

Ó meu Deus! Quem poderá entrar em contas convosco lá no grande dia do juízo! Se aquele que era reputado por santo achou as suas contas erradas, que será de nós todos? Que será daquele que não faz as coisas por Deus, nem se refere a Deus, e que já se vê com o seu tempo todo perdido? Que justo não tremerá de aparecer diante de Deus, só por via das omissões em que pode ter caído?

Bem podemos temer e tremer todos, ainda mesmo que não tenhamos consciência criminosa, bastam as nossas omissões nos deveres do nosso estado; pois de tudo daremos conta, até das boas obras, por não serem feiras como devem ser, ests mesmas serão julgadas.

Por: Pe. Manoel José Gonçalves Couto, no aditamento do livro "Missão Abreviada"

  

Um comentário:

  1. Excelente texto!
    Que Deus tenha misericordia de nos e mostre nossos pecados de omissao.

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