sábado, 14 de maio de 2011

O que é VENCER NA VIDA? - Meu discurso de formatura em Bacharelado em Teologia


Tive a grata coincidência de, ao vasculhar meus arquivos de computador, encontrar meu discurso de formatura do Curso de Bacharelado em Teologia pela Universidade Federal do Piauí – UFPI em convênio com a Diocese de Parnaíba, quando se completam exatos dois anos de nossa graduação.
 
Seguem, então, aos colegas e demais partícipes do 15 de maio de 2009, como pequena lembrança uma foto e alguns trechos do discurso.


Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho
 
...

 
“Este é um dia que ficará marcado em nossas lembranças pelo resto de nossas vidas. Sentimentos de diversos matizes afloram agora em nosso ser. Eis que alegria e tristeza, sonhos e projetos, expectativas e incertezas, risos e lágrimas nunca estiveram tão ativos em um único momento.


É preciso agora ter coragem e aceitar que se findou uma etapa da nossa vida e que já iniciamos outra. Conseguimos! Galgamos aquilo que um dia partimos em busca. Somos vencedores!

 
Somos vencedores? O que é vencer na vida?

 
Para nós formandos, o momento de agora assume as mais diversas definições.
O MOMENTO DE AGORA é diferente para cada um de nós...

 
Para um significa ter chegado onde queria... para outro é apenas um pequeno passo na caminhada.
É a consagração de uma carreira estudantil ainda com tenra idade e juventude... mas é também poder estar diante dos netos provando que nunca é tarde para conhecer.
Entre nós teve aquele que foi um estudante profissional... e teve o profissional que acreditou que ainda podia ser estudante.
É o momento da conquista do primeiro canudo... ou mesmo do terceiro.
É ter se preenchido com o conhecimento das coisas de Deus...  é ter entendido que Deus nos limita no conhecimento.

 
Padre Maurílio Penido, grande teólogo brasileiro do século passado, no seu livro “O Mistério da Igreja” já disse: “Sem fé sobrenatural não há Teologia cristã”. De fato, pois que já tínhamos fé, por isso militamos expor aquilo que acreditamos traduzido em expressões de certa intelecção. Decerto, por ofício de pesquisador, chegamos a tocar aquilo que é mistério, questionamos, ponderamos e por fim aceitamos. Pela fé. Não pela ciência teológica. Mas pela ciência teológica provamos a realidade da fé. E a necessidade da fé.

É bom se ter alguma explicação possível das coisas de fé, e a teologia vai à busca disso. Mas, a fé já basta e mesmo dispensa qualquer mera pedagogia humana. Prova disso é que para que se tenha uma frutífera participação no maior dos Mistérios - a Santa Missa, independe se seja um grande sábio doutor, ou uma humilde senhora iletrada.


Entre tantas e tantas ciências nas quais o homem pode formar-se, preferimos aquela ciência que tem o sublime objetivo de potencializar e contribuir para a saúde, o bem estar e o desenvolvimento, não essencialmente da vida humana, mas de algo superior: da alma do ser humano. Sim, embora o mundo erradamente enalteça a vida humana como maior bem que se pode ter, nós devemos sustentar que maior que a vida na terra é a vida eterna no céu. Imitando São Domingos Sávio buscamos força para repetir: “Antes morrer do que pecar”.

 
Nossa vivência sob os valores cristãos também faz com que percebamos à nossa volta um incomensurável número de irmãos e irmãs que vivem à margem da dignidade humana. 

 
[...]

 
Mas, se nós aprendemos mesmo o que de mais sublime nos ensina a Teologia, então retorno com a pergunta: Podemos hoje dizer que VENCEMOS NA VIDA?

 
Quem dentre os que estão aqui – concludentes, professores e demais pessoas – poderá ousar afirmar convicto: 'EU VENCI NA VIDA'?

 
Ora, um sensato técnico de futebol jamais ousaria dizer que seu time venceu uma disputadíssima partida, sem antes ouvir o estridar do apito final do juiz. Como ousaríamos, então, dizer que vencemos nesta atribulada vida se ainda militamos nesta terra?

 
Parece-nos que o que falta estar bem claro é, de fato, saber que troféu é esse reservado aos homens VENCEDORES. Pois vencedor, não é aquele que galgou qualquer título, honra, ou qualquer êxito temporal como o que logramos hoje, mas aquele que superar o seu pecado e for justamente coroado após a morte com o indescritível prêmio da visão beatífica de Deus: o viver no céu!

 
Colegas, ainda não vencemos. Mas convém buscarmos caminhar com esperança inigualável rumo à vitória. Certos de estarmos certos. Na única Igreja que Cristo fundou para levar as almas ao céu. Esta Igreja que muito poderemos contribuir em sua missão, também colaborando com a construção de uma sociedade mais justa, se não privilegiarmos apenas nosso amor a si próprio, para bradar sem leviandade: Amo a Deus sobre todas - SOBRE TODAS AS COISAS - e amo o meu próximo como a mim mesmo. Obrigado!
"
  

3 comentários:

  1. Parabéns pelo discurso, ao lê me trouxe ótimas recordações daquele dia que marcou minha vida. Obrigado !

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