terça-feira, 31 de maio de 2011

A promulgação da Missa Tridentina: o ápice da liturgia alcançado

por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Foi o texto da Bula Quo Primum Tempore, promulgada em 1570 pelo Papa Pio V, que canonizou a chamada Missa Tridentina. Poucos são os documentos magisteriais que expressam tamanho vigor jurídico em sua letra. Dela se lê em alguns excertos:

•    “E a fim de que todos, e em todos os lugares, adotem e observem as tradições da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, decretamos e ordenamos que a Missa, no futuro e para sempre, não seja cantada nem rezada de modo diferente do que esta, conforme o Missal publicado por nós.” ( nº 6.)
•    Além disso, em virtude de Nossa Autoridade Apostólica, pelo teor da presente Bula, concedemos e damos o indulto seguinte: que, doravante, para cantar ou rezar a Missa em qualquer Igreja, se possa, sem restrição seguir este Missal com permissão e poder de usá-lo livre e licitamente, sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nenhuma pena, sentença e censura, e isto para sempre.” (nº 8);
•    “... a presente bula não poderá jamais, em tempo algum, ser revogada nem modificada, mas permanecerá sempre firme e válida , em toda a sua força”. (nº 9);
•    “Assim, portanto, que a ninguém absolutamente seja permitido infringir ou, por temerária audácia, se opor à presente disposição de nossa permissão, estatuto, ordenação, mandato, preceito, concessão, indulto, declaração, vontade, decreto e proibição. Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições, saiba que incorrerá na indignação de Deus Todo-poderoso e de seus bem aventurados apóstolos Pedro e Paulo”. (nº 14); [2]

Com observações tomadas a partir do Estudo histórico-litúrgico do Missal Romano do Pe. Raymond Dulac[2] pode-se entender que, com os ordenamentos da Bula Quo Primum Tempore, o Papa Pio V formalmente como que estabeleceu que o ápice da Liturgia havia sido alcançado e, portanto necessitando apenas de ser preservado e repassado às futuras gerações.

Todo o caminhar histórico da liturgia católica pode ser resumido em um processo de desenvolvimento e unificação do rito romano. Mas, essa harmonia litúrgica vivenciada pela Igreja desde sua instauração foi fortemente abalada em meados do século XX, com o acontecimento do Concílio Vaticano II e sua proposta de Aggiornamento, termo que conclama a pretensa necessidade de atualização/modernização da Igreja frente ao mundo moderno, aos moldes de filosofias e ideologias desconexas do modo como ela sempre se portou e se pronunciou ao mundo em seus anteriores séculos de existência. Este desejo de alguns em favor da modernização, que adentrou a Igreja, exigiu a reforma dessa liturgia, e, hoje, nos é exigido um debruçar na ciência histórica para alargarmos o entendimento dos pontos motivadores, de fatos intrigantes e o que resultou para o catolicismo produzido por essa reforma litúrgica.

[1] SÃO PIO V, Papa. In: A Missa de São Pio V: Bula Quo Primum Tempore e comentários. Niterói: Permanência, 2005, pp. 7-11.
[2] Cf. DULAC, Raymond. Estudo Histórico-Litúrgico do Missal Romano. In: Id Ibid, pp. 26-37


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