quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sociedade dos Poetas, digo, da educação morta

 por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Quem estudou Pedagogia ou área correlata e ainda não teve que fazer uma resenha do filme Sociedade dos Poetas Mortos? Em geral, o intento do professor é apresentar o filme como sendo inevitável caminho a ser percorrido para o total rompimento com os velhos paradigmas da educação, fazendo-se alcançar a evolução de tal ciência. Eis a minha resenha. Veja o filme, leia o texto e compare.

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         “Sociedade dos Poetas Mortos” conta a história de uma escola, de um professor, de um aluno. A escola é um modelo de colégio interno tradicional regido por normas rígidas. O professor, John Keating, é um profissional que rompeu com as amarras do método de lecionar daquela época (1959) tido como arcaico, levando os alunos a seguirem seus sonhos. O aluno, Neil, foco principal da turma, se deixa levar pela filosofia apresentada pelo eloqüente professor e passa a viver um dilema entre a busca de seus sonhos e a vontade dos pais.
         Os métodos de ensino pouco convencionais do professor Keating envolvem a turma. Atitudes como mandar rasgar páginas dos livros fazem de Keating um modelo pretendido, chegando a receber dos alunos a expressão “Ó Capitão! Meu Capitão”. A maneira inusitada de “ensinar a pensar” induz aquela gente ainda sem uma personalidade definida a lançar-se a um mundo muitas vezes fantasioso e desconhecedor da crua realidade do mundo. Os alunos tomam conhecimento da “Sociedade dos Poetas Mortos” vivida pelo mestre em sua juventude e, num espírito aventureiro, fazem renascer a sociedade que tem como centro a poesia.
         O papel do professor como orientador foi por demais usado para incutir nos alunos a sua única ideologia, em detrimento do conhecimento amplo a que se possa chegar quando se prova das inúmeras formas de pensar e se busca na fonte de vários autores e várias correntes filosóficas. A criatividade estimulada nos alunos era dirigida e direcionada para nova concepção de vida que assumiriam e que já deveria viver dentro de cada um.
         O filme em pouco coaduna com a moral e a ética cristã, mas simplesmente enaltece o direito de se ter sonhos e de pretensamente vivê-los a qualquer custo.
         Verdadeiro e realista ao seu final, o filme apresenta o resultado já imaginável das conseqüências às quais se podem chegar ao se por em prática tal ideologia de vida: Mais alienado do que antes, e incapaz de conceber que na vida nem sempre os sonhos são produto de um imediatismo do querer, mas que pode advir da luta incessante para se conquistar tal intento com maturidade, perseverança e temor a Deus, as quais são virtudes supressas do roteiro, o aluno, Neil, desiste de batalhar por seu sonho da maneira mais banal e impensada para uma pessoa dotada de inteligência e faculdades normais. Ele suicida-se, falseando uma vitória sobre a dita opressão dos pais. Essa falsa vitória que se tentou apresentar ao final não deve ser uma válvula de escape para aqueles que foram educados para a vida.

Um comentário:

  1. Vejo o filme como um instigante material para se discutir os métodos educacionais em que o aluno é um mero expectador,sem ser-lhe permitido pensar,o ensino é feito de modo robotizado.Será que este método de ensino se aplica hoje com sucesso? A educação deve propiciar condições para que as pessoas se tornem capazes de decisões seguras,formando uma consciência crítica diante do mundo,assim sendo pessoas com segurança,auto confiança,sem insegurança em suas decisões?

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