segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Exercícios para a mortificação cristã II - Mortificação dos sentidos, da imaginação e das paixões


1º Feche seus olhos, diante de tudo e sempre, a todo espetáculo perigoso, e inclusive tenha a valentia de fechá-los a todo espetáculo vão e inútil. Veja sem olhar; não se fixe em ninguém para discernir sua beleza ou feiura;

2º Tenha seus ouvidos fechados às palavras bajuladoras, aos louvores, às seduções, aos maus conselhos, às maledicências, às zombarias que ferem, às indiscrições, à crítica malévola, às suspeitas comunicadas, a toda palavra que possa causar o menor esfriamento entre duas almas;

3º Se o sentido do olfato tem que sofrer algo por consequência de certas doenças ou debilidades do próximo, longe de queixar-se disso, suporte-o com uma santa alegria;

4º No que concerne à qualidade dos alimentos, seja muito respeitoso do conselho de Nosso Senhor: "Comei o que vos for apresentado". "Comer o que é bom sem comprazer-se nisto, o que é mau sem mostrar aversão, e mostrar-se indiferente tanto em um como no outro, esta é a verdadeira mortificação", dizia São Francisco de Sales;

5º Ofereça a Deus suas comidas, imponha-se na mesa uma pequena privação: por exemplo, negue-se um grão de sal, um copo de vinho, uma guloseima, etc.; os demais não o perceberão, mas Deus o terá em conta;

6º Se o que lhe apresentam excita vivamente seu atrativo, pense no fel e no vinagre que apresentaram a Nosso Senhor na cruz: isto não lhe impedirá de saborear o manjar, mas servirá de contrapeso ao prazer;

7º Há que evitar todo contato sensual, toda carícia em que se poria certa paixão, em que se buscaria ou onde se teria um gozo principalmente sensível;

8º Prescinda de ir aquecer-se ao menos que lhe seja necessário para evitar-lhe uma indisposição;

9º Suporte tudo o que aflige naturalmente a carne; especialmente o frio do inverno, o calor do verão, a dureza da cama e todas as incomodidades do gênero. Faça boa cara em todos os tempos, sorria a todas as temperaturas. Diga com o profeta: "Frio, calor, chuva, bendizei ao Senhor". Felizes se podemos chegar a dizer com gosto esta frase tão familiar a São Francisco de Sales: "Nunca estou melhor do que quando não estou bem";

10º Mortifique sua imaginação quando lhe seduz com a isca de um posto brilhante, quando se entristece com a perspectiva de um futuro sombrio, quando se irrita com a recordação de uma palavra ou de um ato que o ofendeu;

11º Se sente em você a necessidade de sonhar, mortifique-a sem piedade;

12º Mortifique-se com o maior cuidado sobre o ponto da impaciência, da irritação ou da ira;

13º Examine a fundo seus desejos, e submeta-os ao controle da razão e da fé: você não deseja mais uma vida longa que uma vida santa? prazer e bem-estar sem tristeza nem dores, vitórias sem combates, êxitos sem contrariedades, aplausos sem críticas, uma vida cômoda e tranqüila sem cruzes de nenhum tipo, ou seja, uma vida completamente oposta à de nosso divino Salvador?

14º Tenha cuidado de não contrair certos costumes que, sem ser positivamente maus, podem chegar a ser funestos, tais como o costume de leituras frívolas, dos jogos de azar, etc.;

15º Trate de conhecer seu defeito dominante, e quando o tiver conhecido, persiga-o até suas últimas pregas. Por isso, submeta-se com boa vontade ao que poderia ter de monótono e de entediado na prática do exame particular;

16º Não lhe está proibido ter bom coração e mostrá-lo, mas fique atento para o perigo de exceder o justo meio. Combata energicamente os afetos demasiado naturais, as amizades particulares, e todas as sensibilidades moles do coração.


Livre-tradução do Artigo "La mortificación cristiana" do Cardeal Desidério José Mercier publicado em "Cuadernos de La Reja" número 2 do Seminário Internacional Nossa Senhora Corredentora da FSSPX, retirado site da FSSPX-BRASIL.


Exercícios para a mortificação cristã, para a quaresma que se aproxima

A mortificação cristã tem por fim neutralizar as influências malignas que o pecado original ainda exerce nas nossas almas, inclusive depois que o batismo as regenerou. 

I - Mortificação do corpo

1º Limite-se, tanto quanto possa, em matéria de alimentos, ao estritamente necessário. Medite estas palavras que Santo Agostinho dirigia a Deus: "Me ensinastes, oh meu Deus, a pegar os alimentos somente como remédios. Ah, Senhor!, aqui quem de entre nós não vai além do limite? Se há um só, declaro que este homem é grande e que deve grandemente glorificar vosso nome" (Confissões, liv. X, cap. 31);

2º Roga a Deus com freqüência, roga-lhe a cada dia que lhe impeça, com Sua graça, de transpassar os limites da necessidade, ou deixar-se levar pelo atrativo do prazer;

3º Não pegue nada entre as refeições, ao menos que haja alguma necessidade ou razões de conveniência;

4º Pratique a abstinência e o jejum, mas pratique-os somente debaixo da obediência e com discrição;

5º Não lhe está proibido saborear alguma satisfação corporal, mas faça-o com uma intenção pura e bendizendo a Deus;

6º Regule seu sono, evitando nisto toda relaxação ou molície, sobretudo pela manhã. Se pode, fixe-se uma hora para deitar-se e levantar-se, e obrigue-se a ela energicamente;

7º Em geral, não descanse senão na medida do necessário; entregue-se generosamente ao trabalho, e não meça esforços e penas. Tenha cuidado para não extenuar seu corpo, mas guarde-se também de agradá-lo: quando sentir que ele está disposto a rebelar-se, por pouco que seja, trate-o como a um escravo;

8º Se sente alguma ligeira indisposição, evite irritar-se com os demais por seu mal humor; deixe aos seus irmãos o cuidado de queixar-se; pelo que lhe cabe, seja paciente e mudo como o divino Cordeiro que levou verdadeiramente todas as nossas enfermidades;

9º Guarde-se de pedir uma dispensa ou revogação à sua ordem do dia pelo mínimo mal-estar. "Há que fugir como da peste de toda dispensa em matéria de regras", escrevia São João Berchmans;

10º Receba docilmente, e suporte humilde, paciente e perseverantemente a mortificação penosa que se chama doença.

Livre-tradução do Artigo "La mortificación cristiana" do Cardeal Desidério José Mercier publicado em "Cuadernos de La Reja" número 2 do Seminário Internacional Nossa Senhora Corredentora da FSSPX, retirado site da FSSPX-BRASIL.
 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Lembra-te, muitas e muitas vezes, que em breve terás de morrer.

"Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e nunca chegarás a pecar" (Eclo 7, 40) Estas santas palavras das Escrituras são uma tácita advertência aos párocos de que não percam nenhuma ocasião de exortar os fiéis a entreter-se com a assídua meditação da morte.

O sentido destas palavras é como se dissesse: Lembra-te, muitas e muitas vezes, que em breve terás de morrer. Naquele instante, ser-te-á sumamente desejável e absolutamente necessário alcançar a infinita misericórdia de Deus. Por isso, é indispensável que desde já a tenhas continuamente diante de teus olhos. Desta forma, há de se extinguir-se em ti aquele medonho desejo de vingança, pois não acharás meio mais próprio e eficaz para conseguir a misericórdia de Deus, do que o perdoares as injúrias e amares aqueles que te ofenderem, a ti ou aos teus, por atos ou palavras.

Por natureza, o homem nada mais teme, neste mundo, do que a morte. Ora, esse temor agrava-se, sobremaneira, com a lembrança dos pecados passados, mormente quando a consciência nos oprime com temerosas recriminações; pois está escrito: "Comparecerão medrosos com a lembrança de seus pecados, e suas iniqüidades levantar-se-ão contra eles para os acusar" (Sb 4, 20)

Muito aflitiva é também a lembrança de que, dentro em breve, é preciso apresentar-nos ao tribunal de Deus que, segundo nossos merecimentos, há de proferir sobre nós uma sentença de inexorável justiça. Não raras vezes acontece que, sob a influência desse terror, os fiéis sentem uma perturbação extraordinária.

De outro lado, nada contribui tanto para uma morte tranqüila, como lançarmos fora a tristeza, e aguardarmos com alegria a vinda do Senhor (Tt 2, 13), prontos a restituir-Lhe de boa vontade o nosso depósito (2 Tm 1, 12), em qualquer hora que o queira exigir. Ora, o Sacramento da Extrema-Unção tem por efeito livrar dessa angústia os corações dos fiéis, e encher-lhes a alma de santa e piedosa alegria.

Ex 20,12: "Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá".

Os que honram seus pais, e se mostram gratos a quem lhes deu o gozo da luz e da vida, merecem com razão alcançar a extrema velhice.

1Tm 4, 8: "A piedade para tudo é proveitosa; tem a promessa, tanto para a vida presente, como para a futura".

Deus prodigaliza tais bens aos homens, cuja piedade filial Ele quer remunerar. Aliás, a divina promessa não deixa de ser menos segura e constante, ainda que por vezes seja mais curta a vida daqueles que tiveram grande amor filial a seus pais.

Isto acontece, ou porque é melhor para eles deixar o mundo, antes que abandonem a prática da virtude e do dever: são, pois, arrebatados, para que a "malícia não lhes perverta o entendimento, e a hipocrisia não lhes seduza o coração" (Sb 4, 11); ou então são separados de seus corpos, na iminência de males e flagelos públicos, para escaparem às provações dos tempos que correm. "O justo, diz o Profeta, é arrebatado, em vista da malícia reinante". Assim acontece, para que não venha a perigar sua virtude e salvação, quando Deus castiga os pecados dos homens; ou para que, em tempos de suma tristeza, não tenham de chorar, amargamente, a desgraça de parentes e amigos. Por isso, mais razões há para se temer [grandes castigos de Deus], quando pessoas virtuosas são ceifadas por uma morte prematura. 

Retirado do Catecismo Romano
 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ó feliz crise que nos motiva conhecer a Igreja

por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Disse certa feita um dos maiores doutores da Igreja: Ó feliz culpa que nos deu tão grande Redentor.

Quase que parafraseando, muito imperfeitamente, essa frase de Santo Agostinho, é possível dizer: Ó feliz crise que nos motiva conhecer a Igreja. Crise oportuna, necessária, profetizada. Crise permitida por Deus e alertada por Nossa Senhora.

A crise veio e muitos despertaram. Com que dedicação tantos católicos hoje buscam estudar a Santa Doutrina Católica, conhecer a Igreja e seus ritos. Quem poderá dizer que estaria a agir assim se não houvesse a crise.

Ó Providência Divina que nos guiais oportunizando a nossa mais firme adesão ao que Deus nos tem preparado.

Deus seja louvado!


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Frei Pacômio e o gozo dos bem-aventurados

Em princípios do século décimo, vivia num convento de beneditinos um santo religioso, chamado frei Pacômio, que não podia compreender como os bem-aventurados não se cansam de contemplar por toda a eternidade as mesmas belezas e gozar dos mesmos gozos.

Um dia mandou-o o Prior a um bosque vizinho, para recolher alguma lenha. Foi com gosto, mas mesmo no trabalho não o largavam as dúvidas.

De repente ouviu a voz de uma avezinha que cantava maravilhosamente entre os ramos. Ergueu-se e viu um animalzinho tão encantador, como jamais vira em sua vida. Saltava de um ramo para outro, cantando, brincando e internando-se na selva.

Seguiu-o frei Pacômio, todo enlevado, sem dar-se conta do tempo nem do lugar.

A certa altura a avezinha atirou aos ares o último e mais doce gorjeio e desapareceu. Lembrando-se então de seu trabalho, frei Pacômio procurou o machado para voltar ao convento. Mas — coisa estranha! — achou-o enferrujado. Quis pegar o feixe de lenha que ajuntara, mas não o encontrou.

— Alguém mo terá roubado? — pensou.

Pôs-se a andar, mas não encontrava o caminho. Chegou, afinal, à beira do bosque, mas não encontrou o mato que tão bem conhecia. Ali estava agora um campo de trigo, em que trabalhavam homens desconhecidos. Perguntou a um deles o caminho do mosteiro, pois de certo se havia extraviado. Todos olharam para ele com surpresa, e em seguida indicaram-lhe o mosteiro.

Chegou afinal ao mosteiro. Mas — grande Deus! — como estava mudado! Em lugar da casa modesta de sempre, viu um edifício magnífico ao lado de uma grandiosa capela. Intrigado, bateu à porta; um irmão desconhecido veio abrir.

— Sois novo aqui — disse-lhe Pacômio. — Eu venho do bosque aonde me mandou esta manhã o Prior D. Anselmo, para buscar lenha.
Admirado, o porteiro deixou ali o hóspede e foi avisar o Prior que estava na portaria um monge com hábito velho, barba e cabelos brancos como a neve, perguntando pelo Prior Anselmo.

O caso era curioso. O Prior, abrindo os registros do convento, descobriu o nome do Prior Anselmo, que ali vivera quatrocentos anos antes.

Continuou a ler, e achou nos anais daquele tempo o seguinte:

— Esta manhã frei Pacômio foi mandado buscar lenha no bosque e desapareceu.

Chamaram o hóspede e fizeram-no entrar e contar a sua história.

Frei Pacômio narrou o caso de suas dúvidas sobre a felicidade do paraíso, e o Prior começou a compreender o mistério.

Deus quis mostrar ao pio religioso que, se o canto de uma avezinha era capaz de encantar-lhe a alma por séculos inteiros, quanto mais a formosura de Deus há de embevecer os bem-aventurados por toda a eternidade, sem que eles jamais se cansem.

("Frei Pacômio, o monge que voltou 400 anos depois", por Pe. Francisco Alves, C.SS.R., "Tesouro de Exemplos" - Vozes, Petrópolis, 1953)
 

Ciência ontem e ciência hoje


por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

O homem, em sua incessante busca de respostas acerca de si mesmo e do mundo que o envolve, sempre foi produzindo conhecimento, o qual foi deixado como legado a cada geração que se sucedia: surgiram as ciências.

A filosofia configurou-se como a mãe das ciências. Seu contributo à humanidade desde os mais remotos tempos de registro histórico é inestimável. O conhecimento humano como um todo provou historicamente de um desenvolvimento natural e ordinário. Porém, nos dias hodiernos, mais efusivamente após a Revolução Francesa, as ciências humanas têm provado de certa evolução que não condiz com a forma natural com que se desenvolveram em todas as épocas.

Eis que o homem foi levado a ter inúmeros anseios e a habitar em um mundo permeado de valores pós-modernos que se contrapõem à ideia de um mundo regido por Deus.

Dessa forma, a ciência, em seu amplo desenvolvimento, veio dar possibilidades para estabelecerem-se tantas vertentes teóricas e teses pré-concebidas, e supostamente pré-comprovadas, para sustentar um discurso que responda a tais anseios e que, fazendo-se crer que, enfim, se progredira no conhecimento. Esse pseudoconhecimento avançado que se desvencilha dos alicerces da filosofia e que desmerece a herança trazida pela cristandade rompe com a ciência de tempos remotos. E o homem, levantando a bandeira de uma desejada ciência livre, na realidade produz uma ciência incoerente e libertina. Essa ciência à maneira do mundo moderno é uma falsa ciência.

A tateante aventura humana de projetar um cientificismo descristianizado e descristianizador apenas desfavorece a evolução da verdadeira ciência, que não teme provar Deus - o qual, por sua vez não é incompatível com a verdadeira ciência.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O ensinamento dos santos sobre como é a vida no céu



"A alma no céu se dá toda a Deus e Deus se dá todo à alma na medida em que ela é capaz e segundo seus merecimentos". (Santo Afonso de Ligório)
"Só no céu haverá alegria sem anuviamento". (Santa Teresinha)
"Passarei meu céu fazendo o bem na terra". (Santa Teresinha)
"No céu seremos alimentados pelo sopro de Deus. Ele nos colocará como um arquiteto coloca as pedras num edifício, cada um no lugar que convém". (São João Maria Vianney)
"O Céu é a posse de Deus. No céu contempla-se a Deus, adora-se e ama-se a ele. Mas para chegar ao céu é preciso desprender-se da terra". (Santa Teresa dos Andes)
"O que são cinqüenta anos e mesmo cem de vida, comparados com a eternidade? Sacrifício aqui no desterro, glória sem fim na pátria". (Santa Teresa dos Andes)
"Não acha você que por muito que alguém se sacrifique nesta vida, nada é em comparação com a felicidade que desfrutaremos na eternidade? Quão pouco sacrifício, e uma eternidade de gozo". (Santa Teresa dos Andes)
"O céu não é senão um sacrário sem portas, uma Eucaristia sem véus, uma comunhão sem fim". (Santa Teresa dos Andes)
"No céu a ocupação das almas será adorar e amar. Iniciaremos, pois, na terra o que faremos por toda a eternidade". (Santa Teresa dos Andes)
"É tão grande o bem que espero, que todo o sofrimento me é um grande prazer". (São Francisco de Assis)
"A eterna bem-aventurança, nossa vida tão desejada, consiste e se firma num amor íntimo e verdadeiro a Deus nosso Cristo e Senhor". (Santo Inácio de Loyola)
"No Santíssimo Sacramento sua suprema majestade, em divindade e humanidade, está tão sublime, tão inteira, tão poderosa, tão infinita, como está no céu". (Santo Inácio de Loyola)
"Deus mesmo será o fim de nossos desejos, aquele que contemplaremos sem fim, amaremos sem saciedade, louvaremos sem cansaço". (Santo Agostinho)
"A felicidade de uma consciência tranquila é o gozo antecipado da felicidade do céu". (Santo Agostinho)
"No céu, a alma, vendo a Deus, não pode deixar de amá-lo com todas as suas forças". (Santo Afonso de Ligório)
"A alma no céu está unida toda a Deus e o ama com todas as suas forças, com um amor consumado e perfeito". (Santo Afonso de Ligório)
"É puro e perfeito amor o desejo de ir ver Deus no céu. Não tanto pela felicidade que lá experimentaremos em amá-lo, mas pelo prazer que lhe daremos amando-o". (Santo Afonso de Ligório)
"A principal recompensa que Deus faz ao santos, é dar-se todo a eles". (Santo Afonso de Ligório)
"Logo que uma alma entra no céu e vê claramente com a luz da glória infinita a beleza de Deus, achar-se-á toda presa e consumida pelo amor. Ela fica perdida e mergulhada no mar infinito da bondade divina". (Santo Afonso de Ligório)
"Entre si congraçados na caridade, os bem-aventurados de modo especial comunicam-se com aqueles que amaram no mundo". (Santa Catarina de Sena)
"Não penses que a felicidade celeste seja apenas individual. Não! Ela é participada por todos os cidadãos da Pátria, homens e anjos". (Santa Catarina de Sena)
"Conhecer a alegria dos santos é dor para os réus do Inferno". (Santa Catarina de Sena)
"Sabes qual é a felicidade dos santos? É possuir a vontade satisfeita em todas as suas aspirações". (Santa Catarina de Sena)
"Como acontece aos bem-aventurados no céu: uns veem mais a Deus e outros menos. Mas todos o contemplam e todos estão felizes, porque cada um pode satisfazer a própria capacidade". (São João da Cruz)
"Compreendei que alegria imperturbável só se encontra no céu". (Santa Teresa D'Ávila)
"Meu Deus, se a boa amizade humana é tão agradavelmente amável, que não será ver a suavidade sagrada do amor recíproco dos bem-aventurados?". (São Francisco de Sales)
"Que não vos detenham as coisas deste mundo, pois os bens do céu vos esperam". (São Leão Magno)
"A perfeição na pátria celeste consta de duas partes: a glorificação do corpo e da alma, como também a contemplação do Deus uno e trino". (Santo Antônio de Pádua)

Os pecados de omissão são os mais arriscados, porque são os menos conhecidos. Muitas almas se perdem por via deles


"Aquele homem a quem se entregou o talento, não o jogou, nem o desperdiçou, não o empregou mal, só teve a omissão de o não empregar bem, e só por esta omissão foi ele condenado".



Sobre os pecados de omissão

Temos pecados de comissão, e pecados de omissão: pecados de comissão são aqueles que se cometem obrando mal; pecados de omissão são aqueles que se cometem não obrando o bem a que estamos obrigados. Quem faz mal, tem pecado de comissão; e quem não faz o bem que deve fazer, tem pecado de omissão. Estes pecados de omissão são os mais arriscados, porque são os menos conhecidos. Quase ninguém os conhecem. E se não conhecem, como se hão de evitar? Desta sorte se perdem imensas almas por via deles.

Ninguém pode duvidar desta verdade: imensas almas se condenam ao inferno por via dos pecados de omissão. Isto mesmo é expresso em várias partes do Evangelho.

Diz o Evangelho, que o homem que foi às bodas sem levar o vestido nupcial não teve outra culpa, não falou mal, não fez alguma ação torpe, não furtou nem praguejou, só teve a omissão de não levar o vestido competente, e só por esta omissão foi lançado nas trevas, isto é, no inferno!

Diz mais o evangelho: Aquele homem a quem se entregou o talento, não o jogou, nem o desperdiçou, não o empregou mal, só teve a omissão de o não empregar bem, e só por esta omissão foi ele condenado...

Diz ainda mais o Evangelho: Aquelas cinco virgens néscias eram virgens, não eram mal procedidas, não cometeram impurezas, só tiveram a omissão de não estarem prevenidas com o óleo, e só por esta omissão se lhes fechou a porta do Céu.

Mais ainda: Aqueles cinco convidados para as bodas não foram roubar, nem matar, nem jurar falso, foi cada um para a sua ocupação ordinária, não deram outra escusa, e só por essa omissão de não aceitarem o convite, todos eles foram privados da Ceia da glória.

O rico avarento foi sepultado no inferno, não porque era rico, nem porque vestia com decência, mas sim pela omissão de não dar a esmola ao pobre Lázaro.

As duas figueiras do Evangelho eram formosas, e verdes eram as suas folhas, mas não davam fruto, e só por esta omissão uma delas foi maldita, e a outra cortada...

Aqui vedes, meus irmãos, nestas parábolas, quão rigorosamente Deus castiga os pecados de omissão; pecados de que se não fazem caso algum, e que quase ninguém conhece. Refere Belarmino, que estando para morrer um Prelado de santa vida (assim o parecia), o seu Confessor lhe perguntou:

- Tem alguma coisa de que se queira reconciliar?

– Não, respondeu ele, não me lembro de ter cometido culpa alguma.

- E das omissões do vosso estado, não vos acusa a vossa consciência?

Aqui rebentando-lhe as lágrimas pelos olhos fora, deu grandes gemidos, dizendo:

- As minhas grandes omissões me condenam! Por via delas justamente sou condenado!

Mas se assim aconteceu a um varão que parecia um grande santo, que há de acontecer à maior parte dos cristãos, só por serem tão descuidados nas obrigações do seu próprio estado? Temei, preguiçosos e descuidados! Bem podeis temer e tremer! Pois que vejo por toda a parte? Vejo as maiores omissões em tudo e por tudo: Quase ninguém ama a Deus sobre tudo, quase ninguém ama o seu próximo como a si mesmo. É também uma grande omissão.

Imensas vezes se falta à caridade e à justiça, e tudo isto são omissões. Falta-se aos deveres do estado. O Pároco não cuida na salvação dos seus fregueses. O Sacerdote não confessa com o devido zelo. Os consortes não se amam mutuamente. Os pais não educam os seus filhos. Estes não amam, não obedecem, nem respeitam seus pais. O operário não trabalha como deve, nem faz o que deve fazer. Perde-se muito tempo com divertimentos, nos passeios, nas visitas, nas conversas, no muito dormir. Tempo que se podia empregar em obras de merecimento; em tudo isto há omissões, de tudo se há de dar conta, e de nada se faz caso...

Qualquer pode muito bem levantar-se cedo, pode assistir à oração e à Missa, pode rezar a sua coroazinha todos os dias, pode confessar-se todos os meses, pode dar um bom conselho, pode visitar um enfermo, consolar um aflito, animar um desesperado, pode sofrer e mortificar-se por Deus, porém nada disso pratica, e é porque não quer; pois em tudo isto há omissões e graças desprezadas, e de tudo se há de dar conta a Deus...

Ó meu Deus! Quem poderá entrar em contas convosco lá no grande dia do juízo! Se aquele que era reputado por santo achou as suas contas erradas, que será de nós todos? Que será daquele que não faz as coisas por Deus, nem se refere a Deus, e que já se vê com o seu tempo todo perdido? Que justo não tremerá de aparecer diante de Deus, só por via das omissões em que pode ter caído?

Bem podemos temer e tremer todos, ainda mesmo que não tenhamos consciência criminosa, bastam as nossas omissões nos deveres do nosso estado; pois de tudo daremos conta, até das boas obras, por não serem feiras como devem ser, ests mesmas serão julgadas.

Por: Pe. Manoel José Gonçalves Couto, no aditamento do livro "Missão Abreviada"

  

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Nós precisamos urgentemente de exorcismo



Seguem abaixo alguns excertos de Dom Manoel Pestana Filho em prefácio à edição portuguesa do livro "Um Exorcista Conta-nos", do Pe. Gabriele Amorth


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O grande papa Leão XIII entrou no século XX ainda apavorado pela visão que tivera da formidável presença diabólica em Roma, <para perdição das almas>. Desde 1886, mandara a todos os bispos rezar a oração a São Miguel Arcanjo, escrita por ele, de próprio punho, como também um exorcismo maior que recomendava a bispos e párocos recitar com frequência nas dioceses e paróquias.

<O século do homem sem Deus>, anunciado por Nietzsche, transforma-se no século de Satanás, que prepara o seu reino com a 1ª Guerra Mundial, implanta o comunismo ateu e tirânico, contra Deus contra o homem, na revolução bolchevista de 1917, semeia a Europa inteira de ruínas e sangue com a 2ª Guerra Mundial, fruto dos poderes das trevas; invade toda a terra de ódio, terror, impiedade, heresia, blasfêmia e corrupção em guerras e revoluções sem trégua; insinua-se, de início, como fumaça, e, depois implanta-se, poderoso, no seio da própria Igreja.

Tudo isto, Nossa Senhora confidenciara aos videntes de Fátima, exatamente no mesmo ano da tragédia russa; e o mesmo se diga do 3º capítulo do Gênesis, em que se pinta a vitória da serpente infernal e a presença de Maria, esmagando-lhe a cabeça.

A Cristandade continuou a rezar as orações de Leão XIII, estimulada pelos Papas. [...]
De súbito, ao aproximar-se o último e temeroso quartel do século XX, contesta-se a existência dos anjos, desaparece a oração de São Miguel, suspendem-se os exorcismos, inclusive do Batismo, mergulha no silêncio o ministério e a função de exorcista.

Paulo VI queixa-se da fumaça de Satanás dentro do templo, quase a ocupar o espaço do incenso esquecido, e amargura-se com autodemolição da Igreja. Os seminários desaparecem, a teologia prostitui-se em cátedras de iniquidade, a liturgia reduz-se, com certa frequência, a uma feira irrelevante de banalidades folclóricas. A pretexto de inculturação, a vida religiosa desliza para o abismo.

<Os poderes do inferno não prevalecerão contra a Igreja>, é certo. Mas o próprio Senhor prediz o obscurecimento da fé, o esfriamento da caridade. A visão (do Inferno) de Fátima faz vacilar o otimismo ingênuo e irresponsável dos que apostam na salvação de todos, mesmo até dos que a recusam. [...]

Jesus começa a sua missão, tentado pelo demônio e a expulsão dos maus espíritos torna-se uma das notas mais relevantes da sua atividade messiânica. <Em meu nome expulsarão os demônios> (Mc 16, 17), diz Jesus, ao despedir-se dos discípulos, notando que este será um sinal dos que creem nele. E Satanás, pela ação dos Apóstolos, caia do céu como um raio... Quando os cristãos de todos os níveis, apesar dos evangelhos e do Magistério principiaram a duvidar da ação e do Magistério, principiaram a duvidar da ação e, depois, da existência do espírito rebelde , aconteceu o que Jesus havia anunciado (Mt 12, 44-45): expulso, ele volta para a casa desocupada, varrida e arrumada>, mas indefesa, com sete espíritos piores do que eles, <e a condição final torna-se pior do que antes>, exatamente o que está a acontecer.

Hoje, não é só a fumaça de Satanás, penetrando por uma fenda oculta, mas o diabo, de corpo inteiro, que irrompe triunfalmente pelas portas centrais. Quem o vai exconjurar das nossas igrejas, das nossas residências episcopais e paroquiais, de nossos centros comunitários, dos nossos seminários e universidades, dos Senados e das Câmaras Legislativas, dos Palácios do Governo e da Justiça, dos bancos e das bolsas, dos meios de comunicação, das escolas e hospitais, das consciências de todos nós?

E não hesitemos: quem vai expulsar os demônios dos Palácios Pontifícios, da Congregações e Secretarias, das Nunciaturas, das Conferências Episcopais e Cúrias, dos Santuários e Basílicas, das ONUs e dos Parlamentos, sem falar desse mundo <posto maligno>, que viceja <sob o sol de satã>?

Nós precisamos, urgentemente, de exorcismo! [...]

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Morte na Visão dos Santos

 
"Que melhor penitência do que aceitar com resignação a morte, se Deus assim o quer?"(Santo Afonso de Ligório)
 
"Senhor, fazei-me morrer porque, se não morro, não posso vos amar e vos ver face a face". (Santo Afonso de Ligório)
 
"Faz parte da pobreza o ser privado dos parentes e amigos pela morte". (Santo Afonso de Ligório).
 
"Aceitarmos a morte que Deus nos apresenta e conformarmo-nos com a Vontade divina é merecermos uma recompensa semelhante à dos mártires". (Santo Afonso de Ligório).
 
"Quando permito [Deus] a morte trágica de alguém, o que realizo em tais casos, é livrar alguém da morte eterna" (Santa Catarina de Sena)
 
"Para quem ama, a morte não pode ser amarga, pois nela se encontram todas as doçuras e alegrias do amor. Sua lembrança, não é triste, mas traz alegria. Não apavora, nem causa sofrimento, pois é o término de todas as dores e o início de todo bem." (São João da Cruz)
 
"Quero ver a Deus, e para vê-lo é preciso morrer" (Santa Teresa D'Ávila).
 
"Que as lágrimas de uma viúva cristã seja lágrimas de saudade e de esperança; saudade do companheiro tão querido, que a morte arrebatou e esperança, a doce esperança de que, um dia, o há de encontrar, na vida eterna e feliz do Céu!" (São Francisco de Sales)
 
"A morte é a porta da vida" (São Bernardo).

"Quão diferentes são as coisas encaradas sob a luz da morte. Aparecem em toda sua realidade e então, a alma exclama: 'Vaidade das vaidades e tudo é vaidade'" (Santa Teresa dos Andes)
 
"As riquezas, o dinheiro, os vestidos, as comodidades, as boas comidas, de que servirão em meu leito de morte? De perturbação, nada mais. De que serve um grande nome, os aplausos, as honras, a adulação e a estima das criaturas? Na hora da morte tudo desaparece com este corpo que vai ser bem depressa um vaso de podridão e corrupção". (Santa Teresa dos Andes)
 
"Vivamos nesta curta vida de tal maneira que vivamos para sempre na outra" (Santo Inácio de Loyola)
 
"Não há nenhum sinal mais certo de que alguém seja do número dos escolhidos, do que vê-lo temente a Deus, e ao mesmo tempo, ser provado com tribulação e desolação neste mundo". (São Luiz Gonzaga).
 
"Meu filho, quanto a mim não existe nada que me atraia, nesta vida. Nem sei mesmo o que estou fazendo aqui e porque ainda vivo. Uma única coisa me fazia desejar viver ainda um pouco: ver-te cristão antes de morrer" (Santa Mônica a Santo Agostinho, pouco antes de morrer).
 

Haverá enorme diferença entre os corpos dos eleitos e os corpos dos condenados

Haverá enorme diferença entre os corpos dos eleitos e os corpos dos condenados; porque somente os corpos dos eleitos terão, à semelhança de Jesus Cristo ressuscitado, os dotes dos corpos gloriosos.
 
Os dotes que adornarão os corpos gloriosos dos bem-aventurados são:
1. a impassibilidade, pela qual eles não mais poderão estar sujeitos a males, nem dores de espécie alguma, nem às necessidades de alimento, de repouso e de qualquer outra coisa;
2. a claridade, pela qual eles resplandecerão como o sol e as estrelas;
3. a agilidade, pela qual eles poderão passar num momento sem fadiga, de um lugar para outro e da terra ao Céu;
4. a sutileza, pela qual eles poderão, sem obstáculo, passar através de qualquer corpo, como fez Jesus Cristo ressuscitado.
 
Os corpos dos condenados serão destituídos dos dotes dos corpos gloriosos dos bem-aventurados, e trarão o horrível estigma da reprovação eterna.
 
Retirado do Catecismo de São Pio X
 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A finalidade das procissões



A palavra procissão vem do termo latino procedere, que significa marchar, ou ir adiante. Por procissão se entende a marcha, o caminhar, que fazem o clero e o povo rezando para determinados fins religiosos, levando à frente a cruz de Cristo, que é o caminho e guia dos fiéis.

Seguindo a tradição do Antigo Testamento, havia procissões para levar a arca santa de um lugar para outro; no século VI vemos o costume de celebrar-se Missa nos túmulos de mártires, ou em lugares de devoção; fazia também procissões para benzer cemitérios e lugares próximos de igrejas.

As procissões eram feitas no raiar do dia para imitar as santas mulheres que se dirigiram bem cedo ao sepulcro de Nosso Senhor.

A finalidade das procissões antes da Missas é de abençoar os caminhos e as casas com a água santificada e, principalmente, pela presença de Cristo, como nas solenes procissões da Páscoa.

Há outras finalidades nas procissões como de honrar algum mistério, como a entrada de Nosso Senhor no templo, ou sua entrada triunfal em Jerusalém no dia de ramos; da sua ascensão ao céu; ou atrair as bênçãos de Deus sobre os bens da terra, etc. A finalidade principal das procissões é de mostrar que o cristão é um viajante em desterro na terra e que o céu é sua verdadeira pátria para a qual ele se encaminha guiado por Cristo, sob a proteção de Nossa Senhora e dos santos patronos, cujos estandartes ele leva, iluminado pela luz da fé, pelo exercício da oração e da penitência, para chegar ao altar visível e deste ao altar do céu, onde está o verdadeiro repouso e a felicidade eterna: estes são os piedosos motivos que devem animar os fiéis nas procissões.

Durante a procissão cantam-se hinos, salmos, antífonas, ladainhas e mais freqüentemente responsórios, finalizando com uma oração geral recitada pelo sacerdote que a dirige.


Retirado do Micrólogo - Catecismo da Santa Missa 

 
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