quinta-feira, 10 de maio de 2012

Maria é um mar de graças sobrenaturais!


O nascimento de Maria Santíssima é todo cheio de glória para ela, e todo cheio de vantagem para nós. Para ela foi o princípio de sua grandeza, e para nós foi a origem de nossa felicidade. Se contemplamos o nosso nascimento e o de Maria, que total diferença? No nosso tudo motivos de tristeza, lágrimas e temor, e no de Maria tudo motivos de prazer, consolação e esperanças.

Como entramos nós todos neste mundo? Como principiamos os nossos dias? Amaldiçoados pelo pecado original, nós aparecemos neste mundo escravos do demônio, marcados com o selo de sua maldade, aborrecidos aos olhos do nosso Criador, excluídos de ver a Deus e de o gozarmos jamais, enfim, inteiramente desgraçados. Tudo isto são motivos de tristeza, lágrimas e temor.

Mas já não acontece assim com o nascimento de Maria Santíssima, nem pode temer-se coisa alguma semelhante. Conhecida por Deus desde a eternidade como a mais fiel às suas graças e mais obediente à sua lei, ele a encheu de bênçãos logo desde o princípio e a fez feliz e bem-aventurada logo no seu nascimento. O dragão infernal nunca teve império sobre ela. Nunca foi infeccionada de culpa, porque o Criador a privilegiou logo na sua origem, e a enriqueceu de graças ainda mesmo antes dela nascer. Tantas foram estas graças, que excedem as de todos os Santos e Anjos, diz São Vicente.

Santificada por Deus dentro ainda do ventre de sua mãe Santa Ana, ela recebeu graça, não gota a gota, mas sim em grande enchente. Quando Deus escolhe alguém para algum empreendimento raro, Ele lhe concede as graças proporcionadas, assim o diz São Vicente. Logo que grande multidão de graças não derramaria Deus sobre Maria, logo desde seu nascimento, se o mesmo Deus a escolhera para o mais alto empreendimento, isto é, para Mãe do Divino Salvador?! Ah! É por isso que o Arcanjo Gabriel a saudou, dizendo: - Deus vos salve, cheia de graça. Sim, Maria é cheia de graça, é um brilhante raio da luz eterna e um espelho sem mancha da divina Majestade.

Nasce Maria, nasce uma flor toda bela e engraçada. Sempre cheirosa e imarcescível, que desde a sua origem brilha mais do que a rosa entre os espinhos. Nasce Maria, e nasce a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e honra do seu povo. Nasce Maria, e nasce a brilhante aurora que dissipa as trevas da medonha noite da culpa. Nasce a luminosa estrela da manhã, que com os seus luminosos raios das melhores virtudes há de mostrar o caminho da salvação: nasce Maria finalmente, nasce uma menina cheia de bênçãos e luzes do Céu, com o seu Criador a enriqueceu por um raro privilégio.

Dizem muitos Santos Padres, que Maria logo na sua conceição recebeu de Deus um perfeito uso de razão, uma grande luz divina correspondente à graça de que foi enriquecida. De sorte que podemos acreditar que Maria, logo desde sua conceição, conhecia as verdades eternas, a beleza das virtudes, a bondade infinita de Deus, o direito que Deus tem de ser amado, principalmente por ela, por causa das imensas graças que já lhe tinha concedido. Já eram imensas as graças que Maria recebera na sua conceição, e como desde então ela nunca esteve ociosa, como faria frutificar este tão grande capital de graças?! Ah, Maria é um mar de graças sobrenaturais! Desde a sua conceição toda aplicada em amar a Deus, ela o amava sempre e com todas as forças do seu espírito, crescia sempre no amor divino e nas mais sublimes virtudes. Finalmente crescia mais na virtude e na perfeição, do que no corpo e na idade!...

Maria, quantas mais graças recebia, tanto mais se adiantava em perfeição e santidade, de sorte que se no primeiro momento ela recebeu mil graus de graça, no segundo recebeu dois mil, no terceiro três mil, no quarto quatro mil, e assim em graças bem como em virtudes! Ó Virgem Santíssima, com toda a razão podeis dizer: Eu sendo pequenina já comecei a agradar ao Altíssimo... Imitai, meninos, imitai Maria Santíssima nos seus primeiros anos. Ela logo desde pequenina ia aumentando sempre nas virtudes, e vós? Vós sempre aumentando nos vícios, por meio de modas indecentes, por via de pragas e más palavras, por desobediência aos vossos pais e mães ou mestres, já irados, já teimosos, cheios de preguiça, finalmente por estes e outros pecados já tereis perdido a inocência, já sereis amigos e aliados do demônio, deserdados do Céu, e herdeiros do inferno. Ó, quão cedo começastes a dar passos para o inferno! Que bem depressa perdestes a inocência! Vós deveis imitar a vossa Mãe Santíssima nos seus primeiros anos, no amor de Deus, na obediência, na humildade, no silêncio, na diligência, na pureza, e nas demais virtudes. Mas já vedes que não a tendes imitado: logo que há de ser de vós? Que deveis agora fazer, e nós todos? Arrepender-nos do passado e emendar-nos para o futuro, imitando-a daqui por diante, amando sempre a Deus, praticando sempre a virtude, e fugindo do vício: sobretudo consagremo-nos a ela, tomemo-la por nossa Mãe, sem nunca deixarmos de lhe rezar a sua coroazinha todos os dias.
por  Pe. Manoel José Gonçalves Couto, na obra "MIssão abreviada".

terça-feira, 1 de maio de 2012

Intrigante entrevista de um teólogo aderido à Tradição Católica formado em uma moderna faculdade de teologia do Brasil: Eu mesmo!


Resolvi postar aqui o texto de uma entrevista a que fui submetido há algum tempo não por um jornalista, mas por uma acadêmica de Bacharelado em Teologia da mesma faculdade em que fui formado. A colega trabalhou em sua monografia uma pesquisa de campo para traçar o perfil dos teólogos que o curso “pôs no mercado”. São interessantes questões respondidas por um teólogo aderido à Tradição Católica que, por intrigante que pareça, foi formado numa moderna faculdade de teologia desse nosso Brasil do início do séc. XXI. O tom das palavras e dos argumentos reflete o momento ora vivido, bem como a necessidade do uso de termos e fontes inteligíveis ao se dirigir aos que estão plenamente inseridos no contexto da face modernizada da Igreja e totalmente alheios à luta pela Tradição Católica.

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Nome do Teólogo: CLAUDIOMAR FERREIRA DE MEDEIROS FILHO

1 - Porque escolheu o curso de teologia?
   Para preenchimento pessoal. Já tendo formação em outra área e emprego estabilizado, buscava eu, enquanto católico, aprofundar-me no conhecimento das coisas de Deus e da Igreja através da doutrina católica exposta pela teologia católica.

2 - Que efeitos o curso deixou?
Principalmente deixou claro que a Igreja passa por grande crise motivada pela atividade de diversas correntes modernistas que a atingiram em seu seio.     
Ficou bem evidente que a teologia apresentada no curso, em geral, está impregnada pela teologia modernista condenada por Pio X na encíclica Pascendi Dominici Gregis.
Está exposto no Código de Direito Canônico que a atividade educacional provida pela igreja católica nas faculdades e universidades deve observar fielmente os princípios da doutrina católica, o que não se verifica com o referido curso, que comporta outras linhas ideológicas de teólogos desprendidos da doutrina católica e que relativizam as verdades católicas. Tal confirmação se tem ao ser analisada a bibliografia adotada, onde, autores como Leonardo Boff (que foi proibido de ensinar em nome da Igreja) sendo livremente adotado, enquanto as obras de santos doutores que sempre deram suporte à teologia católica, como São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, são quase totalmente ignoradas. O pluralismo teológico que não salvaguarda a unidade da fé não é legítimo, é o que expõe a instrução Donum Veritatis.

3 - Onde e como pretende efetivar seus conhecimentos de teologia?
De minha parte posso avaliar que a maior parte do conhecimento teológico que adquiri durante o curso não foi especificamente absorvida em sala de aula devido ao conteúdo apresentado ser bastante heterodoxo, basicamente de autores que fomentam a teologia modernista que em muitos aspectos se distancia dos dogmas católicos. Mas acessei bons conteúdos de autêntica teologia católica indo à fonte do Magistério da Igreja, nos textos dos catecismos, nos escritos dos papas, pelo ensinamento dos santos doutores da igreja e por autores que velam pela ortodoxia.
Os conhecimentos adquiridos pelo estudo dessa ciência teológica de caracteres católicos, os devo usar em proveito da conquista da minha salvação e, por extensão, dos demais a quem posso levar tal auxílio. Já os conhecimentos oriundos da vertente moderna da teologia que se desvincula dos ensinamentos católicos, devem não apenas serem desprezados, mas combatidos.
4 - O que você entende por teologia?
Não posso entender diferente daquilo que a Igreja entende. A teologia é uma ciência, cuja função é, peculiarmente, adquirir em comunhão com  o magistério um conhecimento sempre mais profundo da palavra de Deus contida na escritura, inspirada e transmitida pela Tradição da Igreja.

5 - Diante dos desafios da humanidade como deve se comportar um teólogo?
Referindo-se a um teólogo católico, que deve ser o que se refere a questão, deve-se comportar como um cooperador do magistério eclesial, como dispõe a instrução Donum Veritatis, publicada sob o pontificado de João Paulo II. O teólogo deve ser ainda um evangelizador potencializado para propagar o conhecimento sobre Deus, não esquecendo que ele mesmo faz parte do povo de Deus.

6 - Qual a função da teologia no mundo em que vivemos?
Respondo reiterando a resposta da questão anterior, referindo-se à teologia católica, que deve ser a que se refere a questão: a teologia deve ser uma ciência que coopere com o magistério eclesial, absolutamente não assumindo uma espécie de magistério paralelo, mas dando adesão aos ensinamentos do Magistério da Igreja e trabalhando através de seus recursos para que o povo tenha uma maior absorção destes ensinamentos.

7 - Como a teologia pode atuar nesse mundo hodierno?
sobretudo nos dias atuais a teologia pode contribuir muito para com o reinado social de Jesus Cristo, mas para isso ela deve se purificar das muitas linhas ideológicas que a envenenam, como abordou o Papa Pio X na mesma encíclica Pascendi Dominici Gregis.

8 - O que leva milhões de pessoas a mudanças de religião várias vezes na vida?
Poderia apontar duas principais causas: uma ascendente, outra descendente.
A primeira engloba aquela pessoa que nasceu em ambiente não católico, e, sem culpa, desconhecia a fé autêntica. É bíblico que "quem pratica a verdade aproxima-se da luz" (Jo 3, 21), então, essa pessoa se tiver um proceder justo, buscando a Deus sinceramente,  sua mente justa se inquietará com as constantes incoerências das falsas religiões por onde passar, e, portanto, permutará de religião em busca de encontrar aquela fundada por Deus que conduz os justos. "amo os que me amam, e aqueles que me procuram me encontrarão" (Pr 8, 17).
A segunda compreende aqueles que não querendo submeter-se às exigências de um Deus que impõe seus preceitos no íntimo de cada pessoa através da Lei Natural, aventuram-se em busca de uma religião que lhe seja viável, ao seu gosto, que pregue aquilo que desejam ser verdade. Tal proceder certamente potencializa que experimentem  várias religiões.

9 - Você aconselharia alguém a se tornar teólogo? Por quê?
Sim, mas somente se o curso onde buscasse se formar fosse um curso estritamente de teologia católica não influenciada pelos erros modernistas condenados por São Pio X.
Não quero dizer com isso que não se estude o que diz respeito à teologia e à doutrina dos outros segmentos religiosos, mas que não os equipare à verdade católica. Não se deve ter tais segmentos como aliados na mera construção de um mundo sem guerras, mas os veja como perigo para a salvação de muitas almas, porque falseiam a autêntica fé instaurada por Deus que se revelou ao homem. Ou seja, que se estude esses segmentos como aquilo que de fato são: falsas doutrinas.

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