O dogma Fora da Igreja Não Há Salvação e sua conexão com outros dogmas



A fé católica é um todo composto por verdades conexas entre si, um sistema perfeito como que de engrenagens que, comunicando-se, fazem resultar um produto de magnífica coerência. Um dogma não pode ferir outro, não pode enfraquecer outro, não pode questionar outro. Eles convergem, cada um com sua potência, para um único fim último. Ao dogma Fora da Igreja não há Salvação estão fortemente ligados, entre outros, os dogmas da necessidade do batismo, do pecado original, do Corpo Místico e da unicidade da Igreja.

De fato, bem se sabe que é pelo batismo que se apaga o pecado original, o qual impede de se ver a Deus face a face. O batismo é, pois, necessário para que se seja incorporado à Igreja, que é única e que é o Corpo Místico de Jesus Cristo. Resulta-se que, sem o batismo não se pode salvar-se.

Não há possibilidade de uma alma provar das bem-aventuranças eternas sem ter um vínculo com Deus. Uma alma, taxativamente, não tem potência para, sozinha, ter um existir agradável. Tampouco não existe na eternidade outra fonte para lhe nutrir de bons sentimentos. Assim se aceita irrefutavelmente que é preciso estar ligada ao Corpo Místico de Cristo, a Igreja.

Se, pois, alguém esquivar-se de dar assentimento à asserção de que fora da Igreja não há salvação, por certo atingirá outro(s) dogma(s). Para que isso não aconteça – ou pelo menos não soe assim – uma manobra é bastante usada por grande parte dos teólogos modernos que, reconhecendo o enunciado do dogma, o apresentam como tendo provado de um progresso que fez ampliar seu sentido. Ainda que muito se difunda tal idéia, não passa de tese sem fundamento no magistério da Igreja e plenamente combatida por doutrina anteriormente estabelecida. A Igreja entende seus dogmas pelas mesmas palavras que Ela uma vez declarou, e nunca deverá haver desvio deste sentido. Um texto do apóstolo Paulo solidifica essa postura:

Deus é testemunha de que quando vos dirijo a palavra, não existe um sim e depois um não. O Filho de Deus, Jesus Cristo, que nós, Silvano, Timóteo e eu, vos temos anunciado, não foi sim e depois não, mas sempre foi sim. Porque todas as promessas de Deus são sim em Jesus. Por isso, é por ele que nós dizemos Amém à glória de Deus. (2Cor 1, 18-20).

A convicção da Igreja ao expor a doutrina deve estar transparente ao fiel. Ela assim faz porque é a única detentora autêntica de tal missão.

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