Os lutos cristãos – Passamos como uma sombra



por São Francisco de Sales, no livro Pensamentos Consoladores

Eis como, enfileirados, passamos o rio Jordão para entrar na terra da promissão, onde Deus nos chama uns após outros.

Oh! Viva Jesus! Nada há neste mundo pelo que devamos desejar que os nossos amigos nele pelo que devamos desejar que os nossos amigos nele permaneçam muito.

Fazei pouco caso deste mundo, porque ele só nos serve de ponto para passarmos para outro melhor.
Oh! Deus, querida filha, a medida que vemos este mundo e os bens que nele temos desfazerem-se ante nossos olhos, é preciso recorrermos com mais ardor a Nosso Senhor e confessar que não colocamos as nossas esperanças nem esperamos os nossos contentamentos senão dele e da eternidade que nos destinou. É preciso que eu profira esta pequena frase de confiança: não há homem no mundo que tenha o coração mais terno e afetuoso para as amizades do que eu, e que tenha sentimento mais vivo nas separações; no entanto tenho em tão pouca conta esta vaidade da vida, que passamos, que nunca me volto para Deus com mais sentimento de amor do que quando me fere, ou quando permite que eu seja ferido.

Elevemos os nossos pensamentos ao céu, e estaremos isentos dos acidentes da terra. Esta boa irmã tinha orado bem a Deus; para isso foi arrebatada para Ele. Devemos crer que Deus dispôs isto para seu melhor bem. Permaneçamos em paz, esperando que Ele disponha de nós.

Seríeis muito temerária, minha querida filha, se pretendêsseis estar isenta dos embates que a inconstância desta vida dá de quando em quando aos homens. Quero que choreis essa perda, porque isso é razoável; mas desejo que não choreis desordenadamente, e que nesta ocasião demonstreis que já aproveitastes tanto na virtude que tendes mais fundamento na eternidade do que na imagem deste mundo.

Contemplai esta morte súbita que não tempo à falecida para se despedir dos que amava; e, esperando que ela passasse para a graça de Nosso Senhor, digamos a tempo o adeus, renunciando de coração ao mundo e a toda a vaidade; e coloquemos os nossos corações na bem-aventurada eternidade que nos espera.
Ah! Minha pobre filha! O meu coração compadece-se do vosso, e conjuro-o que pertença completamente Àquele que o ressuscitará da morte para a vida e que nos preparou as suas eternas bênçãos.

Seja sempre bendito o seu santo nome!

Sim, minha querida filha, chorai o vosso falecido, porque Nosso Senhor chorou Lázaro, seu amigo; mas não sejam lágrimas de pesar, mas duma simples compaixão cristã e dum coração que, como o de S. José chora de ternura e não de arrogância como Esaú. É nestas ocasiões que convém subter-mo-nos ao agrado do doce Jesus.

Mas dizei-me: e nós quando iremos para essa pátria que nos espera? Ah! Eis-nos à espera da nossa partida, e choramos os que já partiram! Bom presságio são para essa alma as muitas aflições que ela sofreu; porque, tendo sido coroada de espinhos, devemos crer que será coroada de rosas. Vá pois esta bela irmã, vá possuir o seu eterno repouso no grêmio a misericórdia de Deus.

Se as minhas preces lhe podem apressar este bem, prometo-lhas de todo o coração; e se pudesse ter na vossa amizade, pedir-vo-lo-ia de todo o coração; pelo menos permiti-me que ocupe o que tenho, e que à medida que os vossos parentes temporais vos vão faltando, o afeto mais que paternal que vos consagro e tenho fielmente dedicado, se torne maior em ternura e ardor santo.

Tomai as faixas de Nosso Senhor, ou o sudário no qual foi envolvido para o sepulcro e enxugai com ele as lágrimas. Eu na verdade também choro nessas ocasiões, e o meu coração, de pedra para as cousas celestes, derrama lágrimas nesses casos; mas seja Deus louvado, e faço com doçura e para vos falar como a uma filha querida, sempre com um sentimento de dileção amorosa para com a Providência de Deus; porque, depois que Nosso Senhor amou a morte e que a ela se entregou por nosso amor, não posso querer mal à morte, nem de minhas irmãs, nem de ninguém, contanto que se faça por amor da sagrada morte do meu Salvador. Viva, pois, e reine ele, sempre em vossos corações. Amém; 


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