Ignorância Invencível: Doutrina Dedutiva ou Revelação?

Observando-se o dogma "Fora da Igreja não há salvação", que posicionamento coerente com a fé deve-se assumir diante dos casos dos que ignoram o evangelho?

Pode-se encarar a doutrina da ignorância invencível como sendo aquela que trata de buscar uma resposta exigida para uma situação, no mínimo, escandalosa para a mente humana: A possibilidade de que alguém possa ser condenado sem conhecer a Deus, a Igreja e a doutrina que se deve seguir.

Ainda que se reconheça a existência e a atualidade do dogma Fora da Igreja não há salvação, a doutrina da ignorância invencível pleiteia a possibilidade de poder vir a salvar-se aquela alma que, não tendo tido absolutamente a oportunidade de conhecer em vida os preceitos e obrigações relativos à fé, tenha vivido sobre os ditames da consciência e da lei natural infusa no homem, mesmo sem pertencer à Igreja. Supõe-se que esta proposta possa ter sido o resultado da seguinte dedução: Deus, que é justo, não condenará aquele "bom homem" que não teve culpa por não saber o que deveria ter feito.

Ora, uma doutrina que, de tão próxima, chega a tocar o dogma, não pode estagnar-se em uma conclusão simplista. No histórico de desenvolvimento da doutrina da Igreja, não se enumera a ignorância invencível entre os artigos de fé revelados. Verifica-se mesmo que até meados do século XVI não havia documento magisterial algum que contemplasse potencialmente o tema da possibilidade da salvação daqueles que não se uniram à Igreja porque a desconheciam.

Resta, então, que se tenha a ignorância invencível como uma doutrina que, por natureza, deva caminhar harmoniosamente com o dogma. E não poderia ser de outra forma. Ainda que se exija grande exercício teológico, é necessário que a ignorância invencível deva se constituir em doutrina que respeite a doutrina dos dogmas, a eles não ferindo absolutamente.

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