Batismos prodigiosos - Os Caminhos Conhecidos por Deus que Levam à Fé e o exemplo do batismo da escrava Augustina


Por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

São palavras de Jesus: "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 10, 16).

Por vezes, a Providência Divina age de forma extraordinária para conduzir o rebanho. A doutrina da Igreja diz que Deus pode, por caminhos dele conhecidos, levar à fé todos os homens que sem culpa própria ignoram o Evangelho. A íntegra do capítulo décimo do livro dos Atos dos Apóstolos (o envio de Pedro até o centurião Cornélio) compreende um desses episódios onde Deus assim age prodigiosamente, para que o batismo, necessário para a salvação, seja administrado a um justo prestes a morrer.

Catalogam-se abundantes casos de batismos prodigiosos nos escritos de Santo Isaac Jogues, São Francisco Xavier, São Patrício, São Gregório Nazianzeno, São Felipe Néri, São Pedro Claver, São Columbano, São Francisco de Sales, entre outros. Convém que sejam citados para conhecimento e maior divulgação, episódios que existiram na caminhada da Igreja, que dão indícios de como se configuram tais caminhos conhecidos por Deus que levam à fé, dentre os quais transcreve-se:


O caso da escrava Augustina, que serviu na casa do Cap. Vicente de Villalobos, foi um dos mais estranhos na vida de Claver...Quando Augustina estava em sua última agonia Villalobos foi a busca de Claver. Quando Claver chegou o corpo já estava sendo preparado para a mortalha e estava frio. Sua expressão mudou repentinamente e ele supreendeu a todos gritando alto, "Augustina, Augustina." Ele jogou água benta sobre o corpo dela, ajoelhou-se e orou por uma hora. Repentinamente a supostamente morta começou a se mexer... Todos se ajoelharam. Augustina fixou os olhos em Claver, e como se despertando de um profundo sono ela disse, "Jesus, Jesus, como estou cansada". Claver lhe disse para rezar de todo seu coração e arrepender-se dos seus pecados, mas aqueles que estavam perto, movidos pela curiosidade, suplicaram a ele que perguntasse a ela de onde ela veio. Ele perguntou, e ela respondeu: "Estou vindo de uma viagem ao longo de uma longa estrada. Era uma linda estrada, e depois de ter partido pelo caminho encontrei um homem branco de grande beleza que se colocou diante de mim e disse, 'Pare você não pode seguir'. Perguntei o que eu deveria fazer, e me respondeu, 'Volte pelo caminho que você veio, à casa que você deixou'. "E foi o que fiz, mas não sei dizer como." Ouvindo isto Claver pediu a eles para deixarem a sala e deixá-lo a sós com ela por que desejava ouvir sua confissão. Ele a preparou e contou-lhe que uma completa confissão dos seus pecados era de imensa importância se ela quisesse entrar naquele paraíso do qual ela teve um vislumbre. Ela o obedeceu, e ele ouviu sua confissão que tornou claro para Claver que ela não era batizada. Ele imediatamente mandou trazer água, uma vela e um crucifixo. Seus donos responderam que tinham Augustina em sua casa há vinte anos e que comportou-se em toda coisa por si mesma. Tendo ido à confissão, a Missa, e cumpria com todos os seus deveres cristãos e, portanto ela não precisaria do Batismo, nem poderia recebê-lo. Mas Claver tinha certeza de que estavam errados e ele insistiu, batizando-a na presença de todos, para a grande alegria da alma dela e da sua, alguns minutos depois ela recebeu os sacramentos e faleceu na presença de toda a família. (Cf. VALLTIERA, Angel. Peter Claver: Saint of the Slaves, London: Burns and Oates, 1960, p. 221-222).

Arrebatamento, bilocação, encaminhamento a lugares ermos e outras tantas ações místicas prodigiosas são constantemente encontradas nos relatos da vida dos santos, sobremaneira aqueles afetos à missionariedade.
 

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