O Desenvolvimento da Liturgia da Santa Missa

Por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho
 
Aos olhos dos homens de hoje a Santa Missa pode ser vista como sendo uma celebração composta por um conjunto de ritos. De fato, às ações realizadas por Jesus e seus apóstolos na última ceia, foram juntados diversos ritos que favorecessem a vivência daquele santo momento. O Concílio de Trento esclareceu:


“Já que a natureza humana é tal, que não pode, facilmente e sem socorros exteriores, elevar-se a meditar as coisas divinas, por isso a Igreja, piedosa Mãe que é, instituiu certos ritos para se recitarem na missa, uns em voz submissa, outros em voz alta. Juntou a isto cerimônias, como bênçãos místicas, luzes, vestimentas e outras coisas congêneres da Tradição apostólica, com que se fizesse perceptível a majestade de tão grande sacrifício, e para que o entendimento dos fiéis se excitasse, por meio destes sinais visíveis da religião e da piedade, à contemplação das coisas altíssimas que se ocultam neste sacrifício.” (CONCÍLIO DE TRENTO. Sessão XXII: Doutrina sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa, n. 943)


 
Vejamos a explicação exposta no boletim “Guarde a fé”, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X – Brasil  (Janeiro/fevereiro de 2008, n.39, p.6):



“Desde logo, bem sabemos que a Missa antiga não nos foi dada toda pronta. Ela conservou o essencial das celebrações feitas pelos Apóstolos por ordem de Cristo; e se foram aderindo novas orações, louvores e precisões, para explicar melhor o mistério eucarístico e preservá-lo das negações heréticas.
 
Assim, a Missa foi elaborada progressivamente, em torno a um núcleo primitivo que nos legaram os Apóstolos, testemunhas da instituição de Cristo. Como uma moldura que sustenta uma pedra preciosa ou o tesouro confiado à Igreja, a santa Missa foi pensada, ajustada, ornada como uma música. O melhor foi escolhido, como na construção de uma catedral. 


Explicitou com arte o que tinha de implícito em seu mistério. Podemos dizer que, como a semente de mostarda, lançou ramos, porém já estava tudo contido na semente.Esta progressiva elaboração ou explicação foi concluída, quanto ao essencial, na época do Papa São Gregório, no século VI. Só se acrescentou posteriormente alguns complementos secundários. Este trabalho dos primeiros séculos do cristianismo realizou assim uma obra de fé para pôr ao alcance da inteligência humana, a instituição de Cristo, na sua verdade reconhecida.”

Aquilo que podemos enunciar como sendo o núcleo da celebração da Santa Missa, que foi ensinado pelo próprio Cristo na última ceia, recebeu durante o período histórico de maior expansão da Igreja primitiva uma incorporação de ações litúrgicas que culminaram por montar uma verdadeira cerimônia religiosa, pois que a simples repetição dos gestos da Quinta-Feira Santa unida a um conjunto de ritos tornou-se a expressão maior do culto devido a Deus.


Fazem alusão a essa evolução da liturgia a Didaqué – doutrina dos doze apóstolos -, a primeira epístola de Clemente aos Coríntios, a Epístola de Barnabé, as cartas de Santo Inácio, de São Justino, de Santo Irineu, e outros documentos históricos reconhecidos.


Durante os três primeiros séculos da era cristã, se desenvolveram em algumas regiões um certo número de ritos típicos de cada povo, mas rigorosamente idênticos em sua essencialidade, pois fluíam da instituição de Cristo. O sacerdote realizava “isto”  que o Senhor havia realizado na última Ceia.


O rito romano, que inicialmente era celebrado somente em Roma, era o tronco comum original de todos os ritos e se estendeu por todo o ocidente.


Ao ofertório, cânon, fração e comunhão - partes não mutáveis da liturgia que estão diretamente ligados ao ato do Sacrifício - ajuntavam-se outros ritos que completavam e ornamentavam sua significação religiosa.


A ideologia trazida pela reforma protestante de Martinho Lutero, trouxe uma nova concepção do ato de culto a Deus ao estabelecer uma expressão destoante do conceito de sacrifício. Foi então que o Concílio de Trento dogmaticamente repugnou tal proliferação de abusos que favoreciam heresias. O Papa São Pio V, pelas decisões deste concílio, realizou então a unificação dos Missais, purificando-os de qualquer erro, reconduzindo o rito romano ao tipo original e tornando-o obrigatório para todos, respeitando, no entanto, os costumes legítimos.


 

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