O tudo que Deus quis e fez, e seu domínio sobre a criação

                  
 por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Uma única e verdadeira fonte é o ponto inicial de todas as coisas existentes, seja matéria, seja espírito. Não existem duas ou mais fontes criadoras. Apenas Deus está no princípio de toda criação. Confirma-nos o evangelho de São João: "Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada foi feito".(Jo 1, 3). Ele criou sozinho todas as coisas e só Ele pode dar a conhecer a essência verdadeira de todas as coisas existentes. 

Sendo onipotente e Senhor de tudo, Deus tem pleno domínio sobre toda a sua criação.  Cada ser vivo, cada ação da natureza está na iminência de sua intervenção, basta que Ele queira intervir. Por seu desígnio, Deus não interfere diretamente em tudo, em todos, a todo instante. Ele criou um universo orgânico e sistemático, sujeito a leis também por Ele criadas. Muitos não aceitam, por exemplo, a ocorrência de catástrofes da natureza em um mundo que se diz estar sob o olhar e a onipotência de um Deus benigno e Todo-Poderoso. Essas pessoas esquecem que as leis físicas da natureza e a ação do tempo, por si mesmos, apenas rebatem atos humanos que atentam contra a ordem disposta por Deus no universo inteiro. Tais atos se tornam a causa da ocorrência de tantos males.

Na carta aos Hebreus encontramos que "Pela fé, sabemos que a Palavra de Deus formou os mundos; foi assim que aquilo que vemos originou-se de coisas invisíveis"(Hb11, 3). E na carta a Tiago, temos: “Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das suas criaturas”(Tg1, 18). Deus tudo quis e tudo fez conforme sua vontade. A narração da criação no livro do Gênesis expressa magnificamente esse desejo de Deus e a perfeita ordem da criação. 

Tudo que foi projetado por Deus, foi manifesto. Nada que ele queria deixou de ser feito. 

Grande sabedoria ouvimos da Igreja por ocasião do Concílio Vaticano I:

“A santa Igreja católica apostólica crê e confessa que há um só Deus verdadeiro e vivo, criador e Senhor do céu e da terra, onipotente, eterno, incomensurável, incompreensível, infinito em intelecto, vontade e toda perfeição; o qual sendo uma substância espiritual una e singular, inteiramente simples e imutável, deve ser pregado como real e essencialmente distinto do mundo, beatíssimo em si e por si mesmo, e inefavelmente elevado acima de tudo o que fora dele existe ou se possa conceber.

Este único e verdadeiro Deus, por sua vontade e ‘força onipotente’, não para aumentar sua beatitude ou para adquiri-la, mas a fim de manifestar a sua perfeição pelos bens que prodigaliza às criaturas, por libérrimo desígnio ‘criou simultaneamente desde o início do tempo, do nada, ambas as criaturas: a espiritual e a corporal, isto é, angelical e mundana; e em seguida a humana, de algum modo comum a ambas, constituída de espírito e corpo” (IV Concílio de Latrão).

Assim também nos fala a Constituição Dei Filius:

“Ora, tudo o que criou, Deus o conserva e governa com sua providência, ‘alcançando com força de uma extremidade a outra e dispondo com suavidade todas as coisas’. Pois ‘tudo está nu e descoberto aos seus olhos’, mesmo o que há de acontecer por livre ação das criaturas.”

Deus, em sua eternidade, e por desígnio próprio, quis manifestar a sua perfeição.

 

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