A Instituição do Santo Rosário

A história nos apresenta o Século XIII da Igreja como um tempo de desordem, em que o inimigo da salvação fez todos os esforços para destruir, se isso fosse possível, a verdadeira Religião. As trevas da ignorância e a corrupção dos costumes tinham quase apagado entre os cristãos os vestígios do Evangelho. Por cúmulo de desgraça, a seita ímpia dos Albigenses espalhou-se como uma torrente em muitas províncias da França, e sobretudo no Languedoc e no Delphinado, onde fez os maiores estragos. Inimigos encarniçados da Igreja e de toda a prática de piedade, aqueles hereges levavam tudo a ferro e fogo, destruíam os altares e os templos, assassinavam os Ministros do Senhor e levavam a desolação a todos os países por onde passavam. Porém Deus,que sempre vigia sobre a sua Igreja, lhe suscitou um homem apostólico que suspendeu os progressos do erro e da libertinagem. Domingos: é este o nome desse homem predestinado. Domingos percorreu com incríveis fadigas as províncias infeccionadas pela heresia, anunciando com zelo por toda a parte a palavra de Deus e sustentando suas pregações com a santidade de sua vida e com os portentosos milagres que obrava.
Tudo neste homem de Deus pregava. Todas suas palavras eram como outras tantas faíscas do fogo divino, que abrasava seu coração e sua devoção terna e cheia de confiança para com a Santíssima Virgem foi sempre, como ele mesmo dizia, o principal meio de que se serviu para converter os hereges e os pecadores. Não começava nunca as suas instruções, senão depois de se ter prostrado humildemente diante da imagem da Mãe de Deus, para lhe dirigir esta súplica: Dignare me laudare te, Virgo sacrata: da mihi virtutem contra hostes tuos. Permiti, Sagrada Virgem, que vos louve; e dai-me força para combater e vencer vossos inimigos.
São Domingos teve a consolação de ver um certo número de hereges entrar no grêmio da Igreja. Porém, o sucesso estava ainda muito longe de corresponder ao ardor de seu zelo. Quando ele humildemente se queixava disto àquela em quem, depois de Deus, punha toda a confiança, lhe apareceu esta Mãe de misericórdia na capela de Nossa Senhora de Pruliano, no ano de 1202, e lhe ordenou que pregasse a devoção do Santo Rosário, prometendo-lhe que por meio dela alcançaria os mais felizes efeitos para a conversão deste povo obstinado. Obedeceu o Santo. Em lugar de se dar à controvérsia, começou a pregar a prática desta saudável devoção. Ensinou ao povo o método e o espírito dela. Explicou-lhe os seus mistérios e ganhou por ela mais almas para Deus do que por qualquer dos outros meios que até então empregara. Foram com efeito prodigiosos os frutos que alcançou, segundo referem todos os historiadores contemporâneos. Mais de cem mil hereges convertidos, um número incrível de pecadores arrependidos de suas desordens foram os primeiros efeitos desta nova devoção, que bem depressa se espalhou por toda a Europa, onde tem produzido bens incalculáveis, e onde ainda os produz todos os dias nos lugares em que este exercício tão edificativo se tem conservado contra a dissipação e indiferença do século. (Godescard, Croiset, 4 de Agosto)

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